Colômbia: Farc aprovam inclusão de representante dos EUA em diálogo de paz

Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos (Foto de LUIS ACOSTA/AFP/Arquivos)
Presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos (Foto de LUIS ACOSTA/AFP/Arquivos)

A guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) saudou nesta sexta-feira o anúncio da inclusão do enviado especial americano, Bernie Aronson, nas negociações de paz com o governo colombiano, mediadas por Cuba.

“As FARC comemoram o anúncio oficial do secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, sobre a determinação de designar o senhor Bernard Aronson como enviado especial de seu país para participar do processo de paz, que avança entre o governo colombiano e nossa organização”, afirmou a delegação de paz das FARC, em comunicado divulgado em Havana.

“Agradecemos pela confiança do governo do presidente Barack Obama e de seu secretário Kerry nas possibilidades, em meio aos obstáculos, da busca da paz negociada na Colômbia”, completou a nota.

Ao anunciar a decisão, em Washington, Kerry destacou a “significativa e extensa” experiência de Aronson na região, especialmente sua actuação na resolução dos conflitos civis em El Salvador e na Nicarágua.

Kerry lembrou ainda que o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, havia-lhe pedido, em Dezembro passado, que os Estados Unidos “assumissem um papel mais directo” nas negociações.

O presidente Santos também aprovou a escolha do veterano diplomata como enviado para as discussões de paz, que acontecem em Havana.

“Celebro este anúncio, porque reafirma o compromisso dos Estados Unidos com o processo de paz, tal como expressaram várias vezes o presidente (Barack) Obama e vários membros de seu gabinete”, disse Santos em um comunicado.

No texto, divulgado momentos depois da nomeação feita por Kerry, o presidente colombiano considerou que é “uma amostra do reconhecimento dos avanços e da forma como conduzimos o processo” de paz.

Sobre Aronson, Santos comentou que ele “tem uma profunda experiência sobre a América Latina” e lembrou que, como “secretário-adjunto de Estado, acompanhou as negociações de El Salvador, por parte do governo dos Estados Unidos, com um grande compromisso com a promoção da paz e da democracia”.

“Seu papel será de apoio ao processo, o que não significa sua participação directa na mesa de negociações”, esclareceu Santos, reiterando seu agradecimento a Washington pelo apoio “nesse momento decisivo” para pôr fim a um conflito armado de mais de meio século.

Grande aliada dos Estados Unidos na região, a Colômbia vive um conflito interno, do qual participaram guerrilhas, paramilitares, forças militares e gangues de narcotraficantes. Segundo dados oficiais, já são mais de 220 mil mortos e 5,3 milhões de deslocados.

Desde Novembro de 2012, o governo de Santos celebra diálogos de paz com as FARC, principal guerrilha do país com 8.000 combatentes. Até o momento, foram obtidos acordos parciais sobre reforma agrária, participação política dos guerrilheiros desmobilizados e drogas ilícitas.

Ainda resta definir a indemnização das vítimas – actualmente em discussão -, a deposição de armas e o mecanismo de ratificação dos acordos. (afp.com)

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