Cândida Almeida “surpreendida” com prisão de Sócrates

Procuradora Cândida Almeida, que investigou Sócrates, no caso Freeport. (Foto: D.R.)
Procuradora Cândida Almeida, que investigou Sócrates, no caso Freeport.
(Foto: D.R.)

Procuradora que investigou ex-primeiro ministro no caso Freeport admite nunca ter encontrado quaisquer indícios de corrupção relativos ao agora arguido na Operação Marquês

Em entrevista ao Económico TV, divulgada esta sexta-feira, a procuradora reitera que das investigações que liderou e que envolviam o nome de José Sócrates não foram encontrados “indícios” para imputações dos crimes de corrupção ou branqueamento de capitais.

Crimes esses agora imputados ao ex-primeiro ministro no âmbito da Operação Marquês.

A ex-directora do departamento que investiga a criminalidade mais complexa e crimes económicos admite que ficou “surpreendida” com a prisão preventiva de José Sócrates “por ser um ex-primeiro-ministro” e porque nas investigações que antes liderou não foram detetados “indícios dos crimes que agora lhe são imputados”. Recorde-se que a procuradora liderou a investigação a José Sócrates no âmbito do caso Freeport. E foi inclusiva afastada do cargo pela atual Procuradora-Geral da República, Joana Marques Vidal, por alegada violação do segredo de Justiça nesta mesma investigação.

Em entrevista ao programa da ETV “Conversas com Vida”, Cândida Almeida defende-se destas insinuações que lhe foram feitas sobre alegadas fugas de informações. “Fiquei muito zangada porque é a maior injustiça que me podem fazer, sempre dediquei a maior preocupação ao segredo de justiça porque o magistrado é o maior prejudicado quando ele é violado”.

A magistrada teve em mãos alguns dos mais delicados processos de corrupção, tendo arquivado o caso da licenciatura de Sócrates e as alegadas suspeitas de corrupção na concessão do Freeport.

A procuradora continua a dizer que das investigações que liderou sobre Sócrates, então primeiro-ministro, não saíram “indícios” para as imputações dos crimes de corrupção ou branqueamento de capitais e recusa-se a comentar a forma como Sócrates foi detido e a medida de coacção aplicada, “por respeito” ao trabalho dos procuradores envolvidos.

Reconhecendo que a forma como a PGR a afastou do DCIAP “não foi a mais correcta”, a procuradora defende que devia ter sido ela a fechar alguns dos processos que estavam em curso e nega que em 2014, já com Amadeu Guerra à frente do departamento, tenha sido o ano em que a Justiça chegou aos poderosos. “Pode haver essa percepção mas a maioria dos processos sempre estiveram focados nos mais poderosos e o que aconteceu em 2014 foi apenas o final de alguns processos”, remata Cândida Almeida, que diz que fecha a sua carreira com chave-de-ouro: “acabo de consciência tranquila”. (dn.pt)

Deixe um comentário

Seu endereço de email não será publicado.

Translate »