Biblioteca Nacional preocupada com a qualidade dos serviços bibliotecários em Angola

(OPAIS)
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No quadro da modernização dos serviços bibliotecários a nível do país, a Biblioteca Nacional dará início na próxima Segunda-feira, 2, de Março, o curso de “Introdução a administração e gestão bibliotecária”, que visa impulsionar e estancar o défice de cientificidade que o sector enfrenta.

O processo de modernização da Biblioteca Nacional teve início no pretérito ano de 2014, com a inserção do acervo histórico e cultural num software, de modo a facilitar os utentes e a mobilidade dos funcionários, bem como o surgimento de novos compartimentos que ofereçam maior descentralização às suas operações.

Em entrevista concedida a O PAÍS, esta Terça-feira, 24, o director da referida instituição, João Lourenço, sublinhou que o curso de capacitação técnica é dirigido aos gestores que trabalham nas diversas bibliotecas espalhadas pelo país fora, tendo afirmado que o objectivo fundamental está plasmado nos estatutos da organização, que consiste na preservação das bibliotecas públicas.

Para que tal aconteça, o dirigente referiu-se a necessidade de se primar em primeira instância na revitalização dos recursos humanos, que passa pela formação, de maneiras a ultrapassar os problemas que o sector enfrenta, no que diz respeito ao conhecimento científico e à gestão bibliotecária.

Fez ainda referência que apesar de possuirem um número reduzido de técnicos, estão engajados na profissionalização dos mesmos, a fim de dar resposta aos futuros desafios. Mais de 30 técnicos virão de diversos pontos do país, com realce para o Huambo, Namibe, Malange e Bengo.

Segundo João Lourenço, está previsto dois cursos do género para este ano e os participantes vêm do Arquivo Histórico Nacional, do Centro de Documentação e Informação e, como não bastasse, das restantes bibliotecas. Questionado sobre a periodicidade do curso, o responsável disse que se enquadra na qualificação e capacitação dos gestores, pois que, os formandos terão aulas teóricas e páticas, não obstante as visitas que efectuarão aos vários organismos públicos e, em particular, à Mediateca.

“A intenção é munir os profissionais de ferramentas apropriadas, ensiná-los a gerir uma biblioteca, como planear as actividades socioculturais e não só”, salientou o director, descrevendo que nesta primeira fase terão mais de 30 participantes com vista a fazer um trabalho direccionado e especializado, acreditando que o mesmo poderá solucionar o défice existente.

No entender de João Lourenço, a modernização passa igualmente por melhorar as condições de trabalho, fazer com que o gestor domine as novas tecnologias para que possa usufruir das suas vantagens. O curso, que tem a periodicidade de 30 dias, é provido em parceria com Agência Espanhola de Cooperação e Desenvolvimento.

Luanda com maior número de participantes

A província de Luanda estará representada com o maior número de participantes. Ao passo que as do Huambo, de Malanje, da Huíla, do Namibe e do Bengo, que já confirmaram as suas presenças, estarão representadas por um técnico, cada uma delas, de formas a conter os gastos.

Quer dizer, que 95 por cento dos participantes serão de Luanda. João Lourenço descreveu que as províncias de Malanje e do Huambo, pelo facto de nelas terem sido construídas de raiz novas Mediatecas, carecem de uma urgente qualificação e capacitação dos respectivos técnicos, de modo a oferecerem serviços de qualidade aos citadinos. Nos próximos tempos a província de Luanda será comtemplada com três novas instituições bibliotecárias, razão pela qual, terá uma representação esmagadora em detrimento de outras regiões do país. A pretensão é a de formar quadros para garantir os serviços nas futuras bibliotecas. Um dos problemas centra-se na acomodação dos formandos, situação que fará com que venham poucos técnicos das províncias. O entrevistado reconheceu que o organismo que dirige mereceu um aumento substancial do seu orçamento, o que permitiu a compra de distintos meios de trabalho, situação que minimizou os dilemas com que a Biblioteca Nacional (BN)se deparava. A questão do espaço continua na lista das dificuldades, mas ainda assim, esperam pelo avanço das obras da nova BN.

Acrescentou, por seu turno, que a professora espanhola conhece muito bem a nossa realidade e as necessidades das nossas instituições bibliotecárias, o que lhe permite encaixar a sua experiência à realidade nacional. Segundo apurou O PAÍS, Andreia Sala Jiménez já esteve em Angola por nove meses, no ano passado.

Mais de 6 mil livros estão digitalizados

Os mais de 100 mil títulos que perfaz o acervo histórico e cultural da Biblioteca Nacional, já foram inseridos no software mais de seis mil livros. O director reconheceu que o processo é deveras moroso, mas tudo está a ser feito para que os utentes possam ter os serviços na web (internet).

No quadro dos 40 anos da Independência, João Lourenço, fez saber que a cultura tem-se mostrado dinâmica, tendo afirmado que os angolanos continuam a preservar e a salvaguardar os registos, os costumes e os hábitos dos nossos ancestrais. Por outro lado, disse que têm surgido novas expressões que caracterizam a cultura angolana, a título de exemplo, o Kuduro. O referido curso tem o financiamento do Ministério da Cultura e da Agência Espanhola de Cooperação e Desenvolvimento. A cerimónia de abertura do mesmo será presidida pela ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva e contará, igualmente, com a representação diplomática do Reino de Espanha, altos funcionários do Executivo, sociedade civil e a comunicação social.

De referir que a Biblioteca Nacional tem a sua origem ao abrigo do Decreto-Lei n.º 49 448, de 27 de Dezembro de 1969, do Boletim Oficial n.º 301, Iª Série, com o objectivo de proporcionar serviços de leitura pública, consulta, investigação e actuar como centro de propagação de cultura, pertencendo, na altura, ao Ministério da Educação, mas com o passar do tempo, ao Ministério da Cultura.

‘Angola é uma potência em bibliotecas’

A professora Andreia Sala Jiménez, falando a O PAÍS, mostrouse confiante com os resultados do curso anterior. Ela garantiu que está tudo sobre controlo, tendo sublinhado que está a tratar dos últimos detalhes. A espanhola frisou que a “Introdução a administração e gestão bibliotecária” é um curso avançado relativamente aos outros, por si dirigidos.

Na conversa que manteve com a equipa de reportagem deste semanário, esta Terça-feira, 24, a entrevistada afirmou que “Angola é uma potência em bibliotecas”, descrevendo que o curso está dividido em três painéis, a saber: teoria de introdução administrativa e gestão bibliotecária, práticas e, por último, visitas a Mediateca e ao Arquivo Histórico Nacional.

Segundo Andreia, a biblioteca representa uma parte fundamental no desenvolvimento de qualquer país, por isso, acredita que os formandos vão aproveitar significativamente os trinta dias de formação. Revelou ainda que das matérias a serem leccionadas constam a planificação dos serviços, como fazer um relatório de estudos, entre outros.

Bibliotecas espanholas vs angolanas

A interlocutora frisou que as bibliotecas espanholas estão a passar por um momento de crise estrutural e de pessoal, tendo acrescido que Angola tem todas as ferramentas para no futuro tornar-se numa referência africana e, quiçá, mundial, no que diz respeito à biblioteconomia.

No seu entender, o curso surge no momento exacto, de maneiras a impulsionar a qualificação e capacitação científica dos profissionais que dão o melhor de si para oferecer o serviço almejado aos utentes. Reconheceu, por sua vez, o trabalho que o Executivo tem estado a executar nos últimos tempos, no tange à expansão da rede de Mediatecas.

Andreia Sala Jiménez, de 30 anos de idade, é formada em Biblioteconomia e Documentação, pela Universidade Complutense de Madrid. Em 2014 dirigiu, em Angola, várias formações ligadas à técnicas de biblioteconomia. (opais.co.ao)

por Olívio dos Santos

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