BCP deverá apresentar prejuízos pelo quarto ano consecutivo

Nuno Amado, presidente do BCP (Foto: D.R.)
Nuno Amado, presidente do BCP
(Foto: D.R.)

O BCP apresenta na segunda-feira, após o fecho do mercado, as contas de 2014. Nuno Amado, presidente do banco, deverá divulgar uma melhoria nos resultados que, ainda assim, deverão voltar a ser negativos.

Contas feitas, segundo a média de quatro casas de investimento a que o Dinheiro Vivo teve acesso, o BCP deverá ter fechado 2014 com prejuízos de 174,3 milhões de euros. Números que comparam com 740,5 milhões de euros negativos arrecadados em 2013. A confirmarem-se as previsões, a instituição financeira terá prejuízos pelo quarto ano consecutivo.

O BPI surge como a casa de investimento mais pessimista, prevendo que o BCP terá fechado o ano com prejuízos de 226 milhões de euros. Já a Autonomous estima 51 milhões negativos. Pelo meio surgem os números do Caixa BI (-217,3 milhões) e do Deutsche Bank (-203 milhões).

Se as previsões dos analistas se concretizarem, o banco voltará a ter prejuízos pelo quarto ano consecutivo. A sangria começou em 2011, com os números negativos de 848,6 milhões, a que se seguiu o ano negro da banca portuguesa, com o BCP a registar prejuízos históricos de 1219 milhões, e culminou com os números de 2013. Apesar de negativas, as contas do ano passado deverão sinalizar e confirmar a melhoria dos indicadores financeiros dos últimos dois anos.

Exemplo disso é o crescimento esperado pelos analistas da margem financeira – diferença entre os juros cobrados em empréstimos e os juros pagos em depósitos – e a diminuição dos custos do banco liderado por Nuno Amado, aliado ao contributo positivo da atividade internacional.

“Os resultados deverão confirmar as tendências positivas já evidenciadas desde o final de 2013”, antevê o Caixa BI. O banco de investimento salienta que “continua a verificar-se uma recuperação gradual das receitas base do banco (com destaque para o aumento da margem financeira, sobretudo pela redução dos custos de financiamento), o que, associado a uma diminuição do montante de novas entradas em crédito malparado, permite perspetivar uma redução do custo com imparidades para crédito”.

A área internacional será igualmente determinante para ajudar positivamente as contas do BCP. Depois de a sucursal de Macau ter registado um aumento de 14% nos lucros, que ascenderam a 21,3 milhões de euros, a unidade polaca (que também divulga contas na segunda) deverá contribuir com uma subida de resultados anuais de 4%, segundo os analistas.

O BCP será o segundo banco a apresentar contas depois de na quinta-feira o BPI ter reportado prejuízos de 161,6 milhões, os primeiros números negativos em três anos. Num almoço ontem organizado pelo American Club of Lisbon, o presidente do BPI admitiu que a “situação em Angola não é fácil”, mas não revelou como irá o banco resolver a exposição ao país africano. “O tema da litigância é importantíssimo na venda do Novo Banco, quer para o comprador quer para os bancos que estão no Fundo de Resolução, mas não sei como vai ser resolvido”, acrescentou Fernando Ulrich. (dinheirovivo.pt)

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