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Apesar do acordo de paz selado em Minsk, bombardeios continuam no leste da Ucrânia

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Membros de exército de Kiev se concentram na região de Debaltseve, zona estratégica no leste da Ucrânia. (REUTERS/Gleb Garanich)
Membros de exército de Kiev se concentram na região de Debaltseve, zona estratégica no leste da Ucrânia.
(REUTERS/Gleb Garanich)

Apesar do acordo de paz selado nesta quinta-feira (12) em Minsk, a situação continua tensa no leste da Ucrânia. Pelo menos oito militares e três civis morreram em bombardeios nas últimas 24 horas na região. O cessar-fogo é visto com prudência pela União Europeia e o presidente ucraniano pediu novas sanções contra a Rússia caso o compromisso não seja respeitado.

De acordo com o porta-voz militar ucraniano Vladislav Seleznev, a situação está particularmente violenta nesta sexta-feira (13) em torno de Debaltseve, zona estratégica entre as cidades separatistas de Donetsk e Lugansk, onde as tropas ucranianas estão praticamente cercadas pelos rebeldes pró-russos. Vários analistas temem que os separatistas, apoiados pelas forças de Moscovo, tentem conquistar a localidade até o próximo domingo, data da entrada em vigor do acordo de cessar-fogo concluído em Minsk.

A crise na Ucrânia dominou a Cúpula dos líderes da União Europeia na quinta-feira em Bruxelas. Os chefes de Estado europeus celebraram o acordo de paz, mas o cessar-fogo foi recebido com prudência em Bruxelas. “Devemos continuar vigilantes, manter a pressão e seguir em frente” afirmou o presidente francês, François Hollande, ao chegar na Cúpula Europeia.
Novas sanções contra a Rússia

Assim como Hollande, a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, se atrasaram por causa das extensas negociações – cerca de 17 horas – em Minsk. Poroshenko pediu a seus colegas europeus que não hesitem em impor mais sanções contra a Rússia, caso o compromisso não seja respeitado.

Na próxima segunda-feira, a União Europeia deve incluir dezanove pessoas e nove entidades em sua lista negra por causa do bombardeio da cidade de Mariupol, na Ucrânia. Nesta sexta-feira o ministro russo da Economia, Alexeï Oulioukaïev, pediu o fim das sanções ocidentais já em vigor. “Estou profundamente convencido de que é possível revolver esses problemas. Acredito que todas as partes, principalmente as empresas, estão cansadas dessa situação”, declarou o representante de Moscovo, em referência à pressão económica feita pela comunidade internacional.

Antes de deixar a capital belga, o líder ucraniano concedeu uma conferencia e disse esperar a libertação imediata dos reféns, além do respeito das fronteiras de seu país. Ele reconheceu que o processo de implementação do cessar-fogo será difícil.

Poroshenko também afirmou estar satisfeito com a possibilidade do novo empréstimo de US$ 17,5 milhões do FMI. Com uma economia devastada pelo impacto da guerra, a Ucrânia continua mergulhada em plena recessão. A dívida pública do país é de 73% do Produto Interno Bruto. (rfi.fr)

com Letícia Fonseca

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