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FMI arrasa premissas do OE2015 e diz que défice será 3,4%

Cristine Largarde, FMI (Foto: AFP PHOTO/Jim WATSON)
Cristine Largarde, FMI
(Foto: AFP PHOTO/Jim WATSON)

O défice público português não será nem 2,7%, como diz Bruxelas, nem 3,3%, como prevê a Comissão Europeia, mas sim 3,4% do produto interno bruto (PIB), indica o primeiro relatório de avaliação pós programa, hoje divulgado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

O número hoje avançado colide frontalmente com o discurso algo vitorioso do Governo, que faz de 2015 um ano histórico para Portugal porque, garante, o défice irá ficar, finalmente, abaixo dos 3%, a regra mãe do Pacto de Estabilidade.

No documento, que é muito duro para o Governo, acusando-o, entre outras coisas, de estar a facilitar nas reformas estruturais e no ajustamento orçamental (devido à “proximidade de eleições”), o FMI diz que “o caminho orçamental em 2015 está assente em projeções macroeconómicas e hipóteses de receita otimistas”.

Ainda antes de o documento ser divulgado (está disponível desde ontem, mas com embargo até às 15h de hoje), Pedro Passos Coelho, o primeiro-ministro, já estava a tentar controlar danos. No Parlamento, disse que o FMI “vai evidentemente apontar para uma realidade que não existe, que é a da dúvida se nós temos condições para atingir um objetivo que atingimos”.

A realidade do Fundo é esta: “a avaliação da equipa do FMI ao Orçamento de 2015 aponta para um défice marcadamente superior de 3,4% do PIB comparando com os 2,7% das autoridades, valor que é consistente com projeções macro mais conservadoras e, em menor grau, a hipóteses de receita diferentes”.

O cenário macro do FMI para este ano aponta para um crescimento de 1,2%, quando o Governo aposta em 1,5%. Curiosamente, o desemprego até sai melhor no exercício de Washington: 12,7%. A projeção do Executivo diz 13,4%.

Para assegurar o objetivo, o FMI diz que é preciso cortar mais na despesa e de forma permanente, nomeadamente nos salários públicos e nas pensões, para mais tarde reduzir impostos. As reduções fiscais no âmbito do IRC e do IRS são “bem-vindas”, mas “parecem ser prematuras”, tendo em conta os riscos sobre o OE, sejam internos, sejam externos.

PASSOS COELHO DIZ QUE RELATÓRIO DO FMI VAI APONTAR PARA “UMA REALIDADE QUE NÃO EXISTE”

Passos Coelho, primeiro ministro de Portugal (Foto: D.R.)
Passos Coelho, primeiro ministro de Portugal
(Foto: D.R.)

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, advertiu que o relatório do Fundo Monetário Internacional que será divulgado hoje aponta para “uma realidade que não existe”, da dúvida do cumprimento de objetivos pelo executivo que já estão a ser alcançados.

“A Comissão Europeia revelou o seu relatório em dezembro, o FMI vai fazê-lo agora. Vai evidentemente apontar para uma realidade que não existe, que é a da dúvida se nós temos condições para atingir um objetivo que atingimos”, afirmou o chefe de Governo.

Passos Coelho falava no parlamento no debate quinzenal, em resposta ao líder parlamentar do CDS-PP, Nuno Magalhães, que o questionou sobre a atitude da oposição, de não reconhecer que as previsões, por exemplo, quanto a um crescimento do desemprego não se confirmaram.

O primeiro-ministro corroborou que quando o Orçamento para 2014 foi apresentado “não houve na oposição quem não o entendesse irrealizável ou, na medida em que o fosse, um desastre para o país”, argumentando que a “execução orçamental desmente ambas as visões”, e prosseguiu para falar da Comissão e do FMI.

“Como aconteceu com a Comissão Europeia, como aconteceu com o Fundo Monetário Internacional, que divulgaram o seu pessimismo quanto às projeções que o Governo português apresentava para o ano de 2015, deverão agora ter em conta os resultados que já estão alcançados e corrigir as suas perspetivas”, declarou.

O FMI divulga hoje o seu relatório sobre a primeira avaliação pós-programa de Portugal.

A primeira missão pós-programa decorreu entre 28 de outubro e 04 de novembro de 2014, altura em que os técnicos do FMI e da Comissão Europeia estiveram em Portugal, cumprindo a primeira de várias visitas regulares que se vão realizar até que o país devolva a maioria dos empréstimos concedidos. (dinheirovivo.pt)

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