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Angola-Informações estratégicas: Panorama Económico

Nova Marginal de Luanda (Foto: Yannick Matos/bwevip)
Nova Marginal de Luanda
(Foto: Yannick Matos/bwevip)

O Produto Interno Bruto (PIB) de Angola, em valores correntes convertidos em dólares estadunidenses, foi de US$ 82,47 bilhões em 2010, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI). O PIB por paridade de poder de compra (PPC) do país, mais apropriado para a análise do padrão de vida das populações, alcançou US$ 107,31 bilhões em 2010, colocando Angola na 65ª posição do ranking mundial (Tabela 1). Para efeito de comparação com outros países que integram a SADC, o PIB PPC de Moçambique, nesse mesmo ano, foi de US$ 21,83 bilhões, enquanto o da África do Sul chegou a US$ 525,80 bilhões, de acordo com o FMI.


Tabela 1 – Indicadores socioeconômicos de Angola

Fontes: (1) FMI. Consideram-se 182 países; (2) The Economist. Consideram-se 82 países; (3) UNCTAD. Consideram-se 211 países; (4) PNUD. A ONU considera 182 países em seu ranking; (5) Euromonitor. Consideram-se 133 países. Elaboração: UICC Apex-Brasil.

Ao se relativizar o tamanho da economia pelo número de habitantes, por meio do cálculo do PIB per capita em termos de PPC, o desempenho da economia angolana é o pior, já que ocupa, no ranking mundial de 2010, a 106ª posição, com o valor de US$ 5.632. Botsuana e Maurício, por exemplo, apresentaram valores de US$ 15.179 e de US$ 14.193, respectivamente. A África do Sul, por sua vez, alcançou um PIB per capita PPC de US$ 10.518, enquanto Moçambique apresentou um valor de apenas US$ 1.011. Sob a ótica do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), Angola está classificada no grupo dos países com desenvolvimento humano baixo, ocupando a 146ª posição no ranking mundial: apenas a oitava melhor colocação entre os países da SADC, ficando atrás de Maurício (72ª), Botsuana (98ª), Namíbia (105ª), África do Sul (110ª), Suazilândia (121ª), Madagáscar (135ª) e Lesoto (141ª). A República Democrática do Congo (168ª) e o Zimbábue (169ª), por sua vez, ocupam as duas últimas posições do IDH 2010.
Na Tabela 2 é possível observar a perspectiva de desenvolvimento socioeconômico para Angola nos próximos anos. Notam-se, a partir de 2011, as previsões de crescimento para o PIB PPC per capita, que alcançou US$ 8.700 ao final do período, em 2014. Em relação ao consumo privado, após uma queda de 5,2 pontos percentuais em 2009, em comparação ao ano anterior, há uma tendência de aumento até 2013 e espera-se que o país alcance 8,2% no ano seguinte. Já acerca da formação bruta de capital fixo (FBKF), após um crescimento de 16% em 2008, houve uma tendência de estabilização de 7% no período 2009-2011, porém prevê-se que o país alcance uma taxa de 9,5% em 2012. Para 2013 e 2014, há previsão de que o crescimento da FBKF se situe em 8%. Já a análise do crescimento das importações no período revela uma drástica redução de 45,6 pontos percentuais, em virtude da crise econômica internacional iniciada em 2008, posição que não deve ser recuperada até 2014. Por fim, quanto à população total e à participação da população urbana em relação à população total, observa-se uma trajetória de crescimento no período, como destacado na seção anterior.


Tabela 2 – Perspectiva socioeconômica de Angola (2007-2014)

Fontes: (1) The Economist Intelligence Unit; (2) Euromonitor International. Elaboração: UICC Apex-Brasil.
Notas: (*) Previsões feitas pela Apex-Brasil, com base no The Economist; (e) Estimativas; (p) Previsões.

Segundo dados da UNCTAD Statistics sobre a estrutura produtiva da economia angolana, a contribuição do setor “agricultura, pecuária, pesca e extrativismo” na formação do PIB, em 2009, foi de 8,6%, enquanto o de “indústria” foi de 70,9%. Já o setor de “serviços” representou 20,5% da formação do PIB. Apesar da reduzida participação do setor “agricultura, da pecuária, da pesca e extrativismo” no produto angolano, este foi o único que apresentou crescimento de 1,1 ponto percentual em relação ao ano anterior (o setor indústria manteve a mesma participação e o setor serviços teve uma queda de 1,1 ponto percentual).
Pela ótica da oferta agregada, segundo a UNCTAD Statistics, as importações de bens e serviços de Angola representaram 41,5% do PIB em 2009, apresentando uma queda de 9,3 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Os dez principais setores das importações angolanas, por CNAE três dígitos, em 2010, foram: Fabricação de motores, bombas, compressores e equipamentos de transmissão; Abate e preparação de produtos de carne e de pescado; Fabricação de máquinas e equipamentos de uso na extração mineral e construção; Siderurgia; Fabricação de tubos – exceto em siderúrgicas; Fabricação de máquinas e equipamentos de uso geral; Fabricação de bebidas; Fabricação de produtos diversos de metal; Fabricação de caminhões e ônibus; e Fabricação de produtos derivados do petróleo. Esses setores tiveram uma participação de 39,7% nas importações totais do país em 2010 (UN CONTRADE).
Quanto à demanda agregada, em 2009, os gastos do consumidor representaram 44,9% do PIB, de acordo com UNCTAD Statistics, e as exportações de bens e serviços chegaram a 53,1% do PIB do país. Ao comparar esses dados com os dados de 2008, é possível afirmar que os gastos do consumidor tiveram um aumento de 11,8 pontos percentuais, porém as exportações tiveram uma queda de 22,6 pontos percentuais, revelando o impacto da crise econômica mundial sobre o setor exportador do país. O setor de extração de petróleo e gás natural (CNAE três dígitos) foi responsável por 96,96% das exportações de Angola em 2010, ressaltando que o dinamismo econômico do país é extremamente dependente da demanda externa pela produção desse setor (UN COMTRADE).
O Gráfico 10 mostra o crescimento do PIB e a evolução da taxa de inflação de Angola entre 2005 e 2015. Desde o início do período, houve uma tendência de crescimento da economia, passando de 20,6%, em 2005, para 22,6%, em 2007. A crise econômica mundial, iniciada em 2008, repercutiu sobre a economia angolana, cuja taxa de crescimento caiu em 8,8 pontos percentuais nesse mesmo ano, quando comparado com 2007, atingindo 13,8%. O ápice da crise ocorreu em 2009, quando a taxa de crescimento do PIB foi de 2,4%. O FMI espera uma recuperação da economia de Angola a partir de 2012, com crescimento previsto de 9,7% nesse ano e crescimento médio de 6,7% no período 2013-2015.
Os fatores determinantes da queda do PIB em 2009 foram o declínio das exportações angolanas, que passaram de 75,6%, no ano anterior, para 53,1% do PIB. Por outro lado, a demanda interna evitou uma recessão ainda maior da economia de Angola, pois evoluiu de 33,1% para 44,9% do PIB entre 2008 e 2009. A FBKF também teve um impacto positivo sobre a economia, já que passou de 15,1%, em 2008, para 16,6% do PIB em 2009. Por fim, os gastos do governo mantiveram-se em 26,1% do PIB nesses dois anos (UNCTAD STATISTICS).


Gráfico 10 – Crescimento do PIB e taxa de inflação em Angola (2005-2015)

 

Fonte: FMI. Elaboração: UICC Apex-Brasil.
Nota: *Previsão.

Em relação ao comportamento dos preços no mercado de Angola, ocorreu um pico inflacionário em 2004 (43,6%) e uma trajetória descendente até 2007, alcançando 12,2% nesse mesmo ano. O leve aumento da taxa de inflação em 2008 se deu principalmente por conta da elevação dos preços de alimentos e de petróleo nos mercados mundiais e da ampliação do consumo privado, o que fez com que a taxa de inflação subisse em 0,3 ponto percentual nesse mesmo ano, quando comparado com 2007. A expectativa inflacionária para 2011-2015 é de queda, chegando a 6,0%, em média, no final desse período.
Angola integra, ao lado de Moçambique, África do Sul, Namíbia e Zâmbia, um conjunto de países que tem atraído investidores estrangeiros para a região. O Gráfico 11 mostra a evolução da entrada de investimentos estrangeiros diretos (IED) no país, entre 1993 e 2010. Nota-se a forte entrada de IED no país, especialmente a partir da última década, com destaque para o ano de 2008, quando essa entrada alcançou o valor de US$ 16,58 bilhões.


Gráfico 11 – Investimento Estrangeiro Direto em Angola em US$ milhões (1993-2010)

Fonte: UNCTAD. Elaboração: UICC Apex-Brasil.

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