Radio Calema
InicioMundo LusófonoPortugalSanta Cruz: Auditoria alertou para morte de doentes à espera de operação

Santa Cruz: Auditoria alertou para morte de doentes à espera de operação

(PEDRO AZEVEDO)
(PEDRO AZEVEDO)

Análise entregue à ARS no ano passado recomendava que hospital deixasse de admitir novos doentes

Uma auditoria encomendada pela Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo apurou em 2013 que 2,5% dos doentes seguidos no Hospital de Santa Cruz, em Carnaxide, morriam à espera de operação e que o facto de não serem informados sobre os tempos de espera podia contribuir para não pedirem para mudar de hospital. O estudo, que avaliou os serviços de cardiologia da região de Lisboa, encontrou listas de espera “inaceitáveis” nos hospitais de Santa Marta e Santa Cruz, mas a este último recomendou mesmo que deixasse de admitir novos doentes até resolver o problema.

Segundo i apurou, passado mais de um ano não há alterações na organização da unidade agora investigada pela Inspecção das Actividades em Saúde na sequência da denúncia de que dois doentes morreram à espera de operação por falta de verbas para adquirir as válvulas indicadas pelos médicos.

No relatório da auditoria, a que o i teve acesso após nunca ter sido divulgado na íntegra pela ARS, o uso destas válvulas na unidade merecia reparos negativos. A comissão dizia tratar-se de terapias muito inovadoras, com fraca evidência e muito dispendiosas. Assinalava ainda estarem a ser usadas em “ambientes sem necessária segurança ou monitorização a longo prazo.” Mas o uso destas válvulas suscitava uma análise mais abrangente, dado que os auditores concluíam não fazer sentido estarem a ser colocadas em diferentes hospitais da região em baixo número quando é essencial haver experiência.

Após a denúncia da morte dos doentes, a administração do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental – responsável por Santa Cruz – informou que existe um orçamento para estes procedimentos inovadores e que cabe aos médicos gerir os casos. No relatório dos auditoria, mais do que problemas de orçamento, a região e a unidade defrontavam-se com deficiências na organização.

Sobre a administração de Santa Cruz, o comité concluía que “esta não utilizava qualquer método de avaliação periódica de desempenho para apoiar as suas decisões.” Já sobre o departamento, salientava que o facto de estar orgulhoso de receber doentes de fora da região parecia revelar não ter percepção da consequência das listas de espera na unidade, que classificam de “dramaticamente e completamente fora do controlo” e “inaceitável em tamanho e em tempo”.

Doentes mal informados Entre os 269 doentes contabilizados na altura como estando em lista de espera para válvulas e outras intervenções como cateterismos, 12 aguardavam há mais de 20 meses, entre eles doentes com mais de 80 anos e tendo expectativa total de vida natural 23 meses. Os peritos questionavam o facto de os doentes à espera ficarem vinculados a um cirurgião individual e apontava suspeitas de “conflitos de interesses” pelo factos de os especialistas trabalharem no sector público e no privado.

Assinalavam ainda que estavam instituídas no serviço quatro tipos de prioridade que não foram definidos aos auditores. Os doentes não eram informados sobre o tempo que teriam de aguardar em espera nem lhes era dada possibilidade de interagir com o serviços, ligando por exemplo para o hospital. Confrontado em sede de auditoria com a explicação de que nenhum doente tinha pedido desde 2012 para ser operado noutro hospital, o comité que realizou a avaliação sugeria que a permanência na unidade poderia estar a ser induzida pela “falta de compreensão por parte do paciente das informações recebidas relativas a possíveis alternativas.”

Segundo o comité de avaliadores, durante a auditoria foi apresentado um estudo pontual que apontava para 2,5% de mortes entre doentes em lista de espera. Mas os peritos dizem ter alertado que para avaliar com rigor seria necessário contabilizar a mortalidade no hospital e precoce, registos inexistentes.

O i tentou perceber junto da unidade e da ARS que seguimento foi dado às recomendações. O Centro Hospitalar remeteu esclarecimentos para hoje. Já a ARS informou que o relatório da auditoria foi remetido aos hospitais com a indicação de que deveriam implementar mecanismos de melhoria. Informou ainda que a lista de espera actual é de 173 casos, com tempo médio de 3,24 meses, “valor bastante inferior ao apresentado no relatório.”

No ano passado, esta auditoria gerou contestação por recomendar que apenas dois hospitais passassem a garantir resposta em cirurgia cardíaca na região, apontando como escolhas naturais Santa Maria e São Francisco Xavier. Não houve para já alterações na rede. (ionline.pt)

por Marta F. Reis

Siga-nos

0FansCurti
0SeguidoresSeguir
0InscritosSe inscrever

Últimas notícias

Notícias relacionadas

- Publicidade -

Deixe um comentário

Por favor insira seu comentário!
Digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.