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Dois doentes morrem depois de hospital esgotar plafond para operações

(António Pedro Santos)
(António Pedro Santos)

Denúncia foi feita pela Ordem. Administração de Santa Cruz diz que cabe aos médicos gerir doentes em função das intervenções acordadas

Dois doentes seguidos do Hospital de Santa Cruz, em Carnaxide, morreram depois de, chegada à altura de operação, não haver orçamento para o tratamento mais indicado para os seus casos de aperto da válvula aórtica: a colocação de uma válvula artificial, técnica inovadora que permite inverter a sua situação clínica quando já não é possível a operação de peito aberto para correcção.

A denúncia foi feita ontem pela Secção Regional do Sul da Ordem dos Médicos, após ter recebido queixas de médicos do serviço, que relataram ainda avarias e faltas de material que desde o dia 4 de Junho comprometem a resposta do departamento.

A administração do Centro Hospitalar Lisboa Ocidental, responsável pela unidade, garantiu em comunicado que a actividade do serviço sofreu apenas perturbações no fim-de-semana de 5 e 6 de Julho, período em que os doentes que careceram de tratamento urgente foram transportados e tratados noutro hospital. Desde dia 7, garante, a sala que avariou funciona em “perfeitas condições.”

Em relação à falta dos dispositivos médicos, a administração afirma que anualmente é acordado entre o conselho de administração e o departamento o número de procedimentos a efectuar, “sendo da responsabilidade da equipa médica a gestão dos doentes que estão em lista de espera para esta e qualquer outra técnica inovadora.” E diz que, em conjunto com a secretaria de Estado, está empenhada em “melhorar a acessibilidade a este tipo de terapêutica bem como o financiamento deste tipo de actos diferenciados e inovadores.”

Para Jaime Teixeira Mendes, presidente da Secção Regional do Sul da Ordem dos Médicos, existe um problema de sensibilidade, uma vez que as boas práticas têm apontado as válvulas como intervenções custo-eficazes, não obstante custos na casa dos 15 mil a 18 mil euros. O médico aponta as pressões financeiras da instituição como a única explicação, que vê reflectida nos números da Unidade de Intervenção Cardiovascular de Santa Cruz nesta área. Em 2013, revelou ao i , houve orçamento para realizar 60 intervenções a doentes com estenose aórtica e este ano, até Maio, só houve nove intervenções.

Os dois doentes que morreram foram chamados para consulta multidisciplinar, avaliação na qual os médicos decidem o procedimento indicado. Em ambos os casos, como a válvula era a solução e o dispositivo não estava disponível, foram enviados para a casa para aguardar o material, que não chegou a tempo.

O Ministério da Saúde, citado Lusa, adiantou que “como sempre acontece em casos de denúncias públicas resultantes de eventuais más práticas nas unidades de saúde, a Inspecção-Geral das Actividades abrirá um procedimento de averiguações. Jaime Teixeira Mendes disse ao i não haver condições financeiras na Ordem para avançar com um processo de queixa-crime contra o hospital, o que entende que a situação denunciada pelos médicos justificaria. (ionline.pt)

por Marta F. Reis

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