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Bissau: Voos da TAP usados por rede para traficar mulheres africanas

(Bruno Simões Castanheira)
(Bruno Simões Castanheira)

SEF desmantelou rede nigeriana que obrigou 40 jovens africanas a prostituir-se. Advogado português fazia parte do esquema e foi preso

Esperava as raparigas, africanas e algumas menores de idade, no aeroporto de Lisboa e ajudava-as a dar entrada com os papéis para pedirem asilo político. Um advogado português foi detido ontem numa operação do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) por suspeitas de colaborar com uma rede de nigerianos que se dedicava ao tráfico de mulheres e ao auxílio à imigração ilegal.

Além do português foram detidos seis nigerianos, que pertencerão a uma rede criminosa internacional que angariava jovens africanas, sobretudo nigerianas, as trazia para Portugal e as encaminhava para outros países da Europa – onde eram obrigadas a prostituir-se. Alguns dos detidos tinham, também eles, pedidos de asilo pendentes em território nacional.

Apesar de a rede ser nigeriana, a Guiné-Bissau era o país utilizado como plataforma para fazer chegar as raparigas a Portugal, normalmente através dos voos da TAP Bissau-Lisboa, cancelados em Dezembro. “Pontualmente a ligação acontecia a partir do Senegal, mas na maioria das vezes ocorria via Bissau”, adiantou ao i o director-nacional adjunto do SEF.

José van der Kellen conta que a investigação durou um ano e foi desencadeada depois de os inspectores terem detectado “comportamentos” anómalos no aeroporto, como a presença do mesmo advogado à chegada de determinados voos. “Havia dias em que parecia saber de antemão que ia dar entrada com pedidos de asilo, antes de os passageiros chegarem”, exemplifica. Além disso, algumas jovens africanas foram apanhadas em outros países da Europa e devolvidas a Portugal, o que gerou suspeitas.

As raparigas chegavam a Portugal com passaportes falsos e, ainda no aeroporto, pediam asilo político com a ajuda do advogado – que tratava das burocracias e, segundo José van der Kellen, lhes cobrava “avultadas quantias de dinheiro”. Depois de meterem os papéis, e como os processos podem demorar meses até estarem concluídos, as jovens eram encaminhadas para espaços da Segurança Social, onde ficavam a aguardar uma decisão.

Enquanto esperavam, eram contactadas por elementos da rede, que as encaminhavam para países como a França, Itália, Espanha ou Holanda e lhes entregavam novas identidades para poderem circular livremente pela Europa. Nos países de destino eram-lhes retirados os documentos e passavam a ser vigiadas por mulheres mais velhas da mesma nacionalidade, sendo obrigadas a prostituir-se. Em alguns casos, enquanto aguardavam a saída do país, prostituíam-se ainda em Portugal. O director-nacional adjunto do SEF conta que à saída dos países de origem as jovens comprometiam-se com uma dívida de 50 mil euros, que iam pagando através da prostituição.

A operação Naira envolveu 52 inspectores do SEF e analistas da Europol – que ajudaram no cruzamento de informação entre os vários países da Europa envolvidos – e culminou ontem com as sete detenções e buscas em Lisboa, Odivelas e no Laranjeiro. O SEF passou a pente fino residências, carros e o escritório do advogado e apreendeu documentos que mostram transferências de vários milhares de euros entre o grupo. (ionline.pt)

por Rosa Ramos

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