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Suspeito britânico da máfia dos ingressos fugiu, diz polícia

Raymond Whelan teria fugido do Copacabana Palace para evitar a prisão (AFP)
Raymond Whelan teria fugido do Copacabana Palace para evitar a prisão (AFP)

O britânico Raymond Whelan, acusado de ser fornecedor do esquema da máfia dos ingressos da Copa, está foragido, informou nesta quinta-feira a polícia civil do Rio de Janeiro.

Whelan é executivo-chefe da Match Services, empresa parceira da Fifa que detém o direito de venda de ingressos e pacotes da federação. Segundo a polícia, ele fugiu para evitar a prisão, após a Justiça ter aceitado a denúncia contra o britânico e outros 11 acusados de integrar o esquema.

A polícia diz que, ao cumprir o mandado de prisão e buscar Whelan em seu quarto, no hotel Copacabana Palace, recebeu a notícia de que ele teria saído de lá uma hora antes. Suspeita-se que ele tenha sido avisado com antecedência.

Whelan nega ter participado da venda ilegal de ingressos. Ele havia sido detido na segunda-feira, mas solto com um habeas corpus.

Inquérito
No início do mês, a polícia do Rio afirmara ter desbaratado uma quadrilha internacional envolvida na venda ilegal de ingressos de quatro Copas do Mundo, que teria rendido até US$ 90 milhões por torneio.

Há suspeitas de que os envolvidos vendiam ingressos de cortesia dados pela Fifa a ONGs, federações e jogadores a preços que poderiam chegar a até R$ 35 mil. A polícia já apreendeu ingressos, máquinas de cartão de crédito, dinheiro e computadores – 12 pessoas já foram presas.

Segundo o inquérito, o grupo teria actuado em quatro Copas e poderia ter levantado até R$ 200 milhões por torneio.

Em comunicado, a Fifa disse que está colaborando plenamente com as autoridades brasileiras e fornecerá todos os detalhes solicitados para auxiliar nesta investigação em andamento.

“A FIFA gostaria de reiterar a sua posição firme contra qualquer forma de violação da lei criminal e dos regulamentos de emissão de ingressos. A FIFA está apoiando totalmente as autoridades de segurança nos nossos esforços conjuntos para reprimir todas as vendas de ingressos não autorizadas”, informa o órgão.

Fofana
Nesta semana, o delegado Fábio Barucke, responsável pelo inquérito, revelou que Whelan admitiu ter amizade com o franco-argelino Mahamadou Lamine Fofana, CEO da empresa Atlanta Sportif, uma cliente da Match, e que seria um dos suspeitos de chefiar a quadrilha.

Fofana foi preso na semana passada em um apartamento do ex-jogador Junior Baiano, na Barra da Tijuca.

Whelan, segundo o delegado, negou que tivesse feito negociações ilegais para Fofana. “O que não se sustenta (a negação de Whelan) porque temos muitas evidências que provam o contrário”, disse o delegado.

Questionado sobre o papel de Whelan como chefe da quadrilha, o delegado hesitou. “Nessa altura não dá pra falar nisso. Ele é o facilitador dos ingressos, é um elo importante entre a quadrilha e Fifa.”

Barucke confirmou ainda que o britânico seria acusado pelo artigo 41 do estatuto do torcedor, ou seja, fornecimento ilegal de ingressos para cambismo, que daria até 4 anos de prisão, além de associação criminosa.

Ligação
Whelan disse, segundo o delegado, que a Match vendeu ingressos para a empresa de Fofana, a Atlanta Sportif, mas de maneira totalmente legal.

Mais cedo, a Match Hospitality anunciou que iria bloquear os pacotes vendidos para a Atlanta Sportif, que incluem reserva em hotéis e ingressos VIP, e para outras três empresas.

“Em decorrência da prisão de Lamine Fofana, CEO da Atlanta Sportif, por ligação com revenda ilegal (de ingressos), a Match Hospitality está cancelando todos os pacotes de hospitalidade comprados pela Atlanta Sportif para os jogos remanescentes”, disse a empresa, em nota.

As outras companhias são Reliance Industries Ltd, Jet Set Sports e Padmodzi.

Em uma nota, o Grupo Match reconheceu que Whelam e Fofana discutiram a venda em dinheiro de ingressos para a final por US$ 25 mil, mas ressaltou que, no caso, o valor se referia não apenas a ingressos, mas a todo um pacote que incluía serviços VIP. A conversa, por telefone, foi flagrada em gravações da polícia do Rio.

“Os pacotes de hospitalidade foram negociados em dinheiro, o que é incomum, mas permitido”, diz a nota. “Mas é preciso salientar que o senhor Whelan não estava ciente do fato de que a Match havia proibido internamente as vendas ao senhor Fofana.”

Investigadores da polícia civil haviam revelado nesta segunda-feira que a polícia tem recebido ligações de vários países oferecendo ajuda nas investigações e dizendo que a Match já estava no radar dessas polícias.

Segundo eles, foram apreendidos nesta semana no quarto de Whelan telefones e cem ingressos. A polícia pediu imagens do circuito interno do Copacabana Palace. (bbc.co.uk)

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