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“Aqui estão uns doces porque o Hamas está a tornar a vida amarga”

(REUTERS)
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IDF faz chover chupa-chupas em cidades palestinianas com slogans contra o grupo islamita

O dia ontem raiou em Ramallah e noutras cidades da Cisjordânia com uma chuva de chupa- -chupas e caixas de fósforos com slogans anti-Hamas. À terceira semana do desaparecimento de três adolescentes israelitas de um colonato de Hebron, Israel juntou à sua ofensiva militar na Cisjordânia e aos bombardeamentos a Gaza uma campanha contra o grupo islamita que, desde 2006, domina a Faixa de Gaza e que Benjamin Netanyahu culpa pelo desaparecimento.

“Aqui estão uns doces, porque o Hamas está a tornar a vida amarga” foi uma das mensagens coladas nos produtos que o exército israelita distribuiu, por via aérea e terrestre, ao longo do dia, em pleno Ramadão.

Na semana passada, o Shin Bet, a secreta para os assuntos internos de Israel, acusou formalmente dois palestinianos de Hebron pelo rapto dos três jovens, ainda que não se conheça o paradeiro de nenhum deles (nem dos militantes do Hamas suspeitos, nem dos jovens desaparecidos), e apesar de nenhum grupo ou individualidade ter assumido, para já, a autoria do alegado sequestro.

Citando as mortes de palestinianos na Cisjordânia desde o início da Operação “Brothers’ Keeper”, até ontem mais de dez, a União Europeia veio pedir a Israel “contenção” nas suas acções. “A UE reitera a sua condenação ao recente rapto de três estudantes israelitas na Cisjordânia e pede novamente a sua libertação imediata e regresso às famílias”, disse o gabinete de comunicação de Bruxelas em comunicado divulgado no sábado. “A UE lamenta a violência que emergiu na Cisjordânia como resultado do rapto, em particular os homicídios de vários palestinianos, e pede a Israel que use meios proporcionais e apenas para resgatar os raptados.”

Um dia depois, ontem, começaram a surgir notícias dos efeitos do movimento de boicote a Israel que a semana passada, perante a ofensiva desmedida, ganhou novos adeptos de peso.

Depois de, em 2013, o Reino Unido e a Alemanha terem pedido aos seus cidadãos que não façam negócios com empresas dos colonatos – “ilegais” aos olhos da comunidade internacional -, os governos de França, Itália e Espanha emitiram avisos semelhantes às suas populações, pedindo o fim dos negócios com israelitas instalados na Cisjordânia, nos Montes Golã e em Jerusalém Oriental. E segundo o jornal israelita “Ha’aretz”, o aviso veio com uma ameaça de “riscos legais e financeiros” para quem não o respeitar.

Na sexta-feira, segundo dados divulgados por media israelitas e árabes, o Instituto de Exportações Israelitas e o Gabinete Central de Estatísticas indicou, em comunicado, que durante os primeiros quatro meses de 2014 as vendas para o estrangeiro cairam 35% em relação ao período homólogo do ano passado. Os números já estão a levar o governo israelita a aumentar a ajuda financeira aos colonatos e aos seus investidores.

Os bens exportados para a Europa são, sem surpresa, os mais afectados. Oficiais israelitas classificam a situação de “desastrosa” e culpam a UE pela perda de 10 mil postos de trabalho desde Janeiro e o custo de 20 mil milhões de dólares do boicote na economia israelita. (ionline.pt)

por Joana Azevedo Viana

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