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Ucrânia: Rússia fala em “consequências sérias” de tratado Kiev-UE

(Valentyn Ogirenko- Reuters)
(Valentyn Ogirenko- Reuters)

Acordo de Associação foi assinado ontem com a Europa, que deu “até segunda-feira” a Putin para contribuir para a paz ou enfrentar sanções

Milhares de cidadãos ucranianos do Leste começaram ontem a atravessar em massa a fronteira para a Rússia dizendo-se traídos por Kiev e prometendo nunca mais regressar ao país.

O relato da sua fuga foi publicado pela revista norte-americana “Time” ao final da manhã, à hora em que o governo ucraniano assinava partes do Acordo de Associação com a União Europeia em Bruxelas. Pouco depois, a ONU falou em mais de 54 mil deslocados dentro da Ucrânia e 110 mil refugiados na Rússia desde o início do ano.

O presidente eleito o mês passado nas eleições convocadas após a fuga do antecessor, Viktor Yanukovitch, classificou o acordo com a UE “histórico”. “Hoje é o dia mais importante [para a Ucrânia] desde a independência”, em 1991, declarou Petro Poroshenko. Em resposta à assinatura do tratado, ratificado também pelas ex-repúblicas soviéticas Geórgia e Moldávia, o governo russo disse que haveria “sérias consequências”.

A crise que a Ucrânia atravessa há vários meses tem por base este acordo, visto como um primeiro passo para a adesão da Ucrânia à UE e que Yanukovitch se recusou a assinar em Novembro, para reforçar as relações com Moscovo.

Essa recusa levou milhares de pessoas às ruas, exigindo a demissão do presidente pró-Rússia, cuja fuga para Moscovo em Fevereiro levou regiões do Leste, maioritariamente compostas por russos a declararem unilateralmente a sua independência. A região autónoma da Crimeia votou em referendo pela secessão com o país e a reunificação à Federação Russa, oficializada por Vladimir Putin em Março. Pouco depois, Donetsk proclamou a sua autonomia, com separatistas a lutarem pela descentralização do poder noutras províncias, como Luhansk.

Além de mencionar as “sérias consequências” do tratado, o governo russo frisou que a tentativa de forçar Kiev a optar entre a UE e a Rússia poderá levar à divisão da Ucrânia, dizendo que o país está a enfrentar uma “verdadeira catástrofe humana”.

“Um golpe anticonstitucional em Kiev e tentativas para impor ao povo ucraniano uma escolha artificial entre a Europa e a Rússia empurraram a sociedade [ucraniana] para a discórdia e uma dura luta interna”, declarou o presidente Putin. “A Ucrânia deve iniciar o caminho da paz, do diálogo e do acordo. A prioridade é conduzir conversações substanciais entre as autoridades de Kiev e o Sudeste.”

De regresso à capital ucraniana após a assinatura do tratado, Poroshenko disse estar a ponderar se alarga o prazo do cessar-fogo que impôs unilateralmente há uma semana e com o qual os separatistas do Leste concordaram dias depois, com a ressalva de que só o respeitariam até às 22h de sexta-feira.

Até ao fecho desta edição, nenhum anúncio oficial foi feito pelo governo ucraniano, com a UE a voltar a ameaçar a Rússia com mais sanções se não demonstrar, “até segunda-feira”, que está empenhada em implementar um plano de paz na região e evitar a chegada de mais armamento aos rebeldes. (ionlione.pt)

por Joana Azevedo Viana

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