InicioAngolaMaputo: EUA anunciam intenção de aderir ao tratado de minas terrestres

Maputo: EUA anunciam intenção de aderir ao tratado de minas terrestres

Os Estados Unidos anunciaram hoje em Maputo, na conferência de revisão da Convenção de Otava para a erradicação de minas terrestres, a intenção de aderir ao tratado internacional que vincula 161 países.

(Foto:Lusa)
(Foto:Lusa)

Dirigindo-se ao plenário da conferência em Maputo, perante cerca de 800 delegados, o embaixador norte-americano em Maputo, Douglas Griffiths, anunciou que os Estados Unidos “não vão produzir ou adquirir no futuro qualquer armamento antipessoal que não esteja de acordo com a Convenção de Otava, incluindo na reposição do armamento que entretanto expirar”.

“Estamos à procura entretanto de outras soluções compatíveis com a Convenção de Otava e que, no final, nos permitam aderir à Convenção”, declarou o diplomata, sem se comprometer com datas.

As autoridades norte-americanas estão a realizar estudos para encontrar alternativas e “reduzir o risco associado à perda de minas terrestres antipessoais”, disse Douglas Griffiths, acrescentando que outros aspetos da política sobre este armamento estão a ser considerados.

Embora não seja parte da convenção que entrou em vigor há 15 anos, “os Estados Unidos aplaudem os progressos significativos alcançados até à data pelos estados-membros na abordagem ao impacto humanitário das minas terrestres antipessoais”.

Falando aos jornalistas após a declaração do embaixador dos Estados Unidos, Steven Costner, vice-diretor do Escritório de Eliminação e Abate de Armas do Departamento de Estado, esclareceu que o seu país ainda não está em condições de aderir à Convenção de Otava, porque se reserva ao direito de usar minas terrestres e mantém este armamento nos seus arsenais, contrariando o texto do tratado.

“Não há prazo para fechar isto, será feito quando tiver de ser feito”, disse Steven Costner, garantindo que “é objetivo da administração [do Presidente norte-americano Barack] Obama concluir a revisão” da política de minas.

“O centro da questão está no desenvolvimento de novas tecnologias” para encontrar alternativas às minas terrestres, segundo o enviado a Maputo do Departamento de Estado, sem precisar o tipo de solução em análise, e depois na destruição dos seus arsenais.

“Mas para os Estados Unidos, a questão mais importante não é a dos ?stocks’, é a do uso ou não uso” de minas terrestres, acrescentou Steven Costner, lembrando que as forças armadas norte-americana não recorrem a este armamento há mais de 20 anos.

O enviado da diplomacia de Washington destacou ainda que “os Estados Unidos têm sido o ator humanitário mais importante” na erradicação de minas terrestres, tendo gasto 2,3 mil milhões de dólares (1,7 mil milhões de euros) desde 1993 em ações de desminagem.

Na quinta-feira, a ativista norte-americana e Prémio Nobel da Paz Jody Williams considerou “uma vergonha” a ausência dos Estados Unidos do tratado internacional sobre desminagem.

“Ainda são 36 países, incluindo o meu, Estados Unidos, China, Rússia, Índia, Paquistão, Cuba”, afirmou, em entrevista à Lusa, Jody Williams, referindo-se às ausências da Convenção de Otava.

“Claro que os Estados Unidos irritam-me”, admitiu a fundadora da Campanha Internacional para a Erradicação de Minas (ICBL, na sigla em inglês), com a qual partilhou o Prémio Nobel da Paz em 1997. “Dizer que isto é embaraçoso já é impróprio, acho que é uma vergonha”, lamentou.

A conferência de revisão da Convenção de Otava termina hoje em Maputo, ao fim de cinco dias de trabalhos, devendo ser adotado o compromisso pelos 161 estados-membros, incluindo Portugal, da erradicação total de minas terrestres antipessoais até 2025. (noticiasaominuto.com)

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