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Costa também já se demarca de erros de Sócrates

(António Rilo/Grande Porto)
(António Rilo/Grande Porto)

Não é só Seguro que aponta erros à era Sócrates. António Costa também já o fez. Ex-PM volta a ser arma de arremesso, agora na campanha PS

Mais uma campanha eleitoral, mais um rol de argumentos anti-Sócrates. Nada de novo, não fosse a mais recente campanha a apontar os erros da governação socialista, a interna do PS. E nem só da frente Seguro têm vindo achegas neste sentido. António Costa também já se demarcou do último governo socialista, com algumas pinças, mas a traçar a devida distância neste arranque da disputa interna.

“Havia coisas em que o PS devia ter-se demarcado do nosso último governo, que cometeu naturalmente erros.” A frase é do autarca de Lisboa, na entrevista anteontem à noite a Sic Notícias. É a primeira vez que isto acontece no discurso de António Costa, o opositor de Seguro nas primárias do PS e que conta com o ex-primeiro-ministro como seu apoiante. E Costa atirou precisamente a um ponto sensível da governação socialista ao dizer que Sócrates não devia ter “dispensado compromissos políticos que eram indispensáveis para os grandes projectos de obras públicas que, atravessando necessariamente várias legislaturas, vários anos, com consequências para décadas, requerem um consenso político alargado, sob pena de não serem sustentáveis”. Em 2007, as construtoras propuseram um pacto de regime nas Obras Públicas, mas foi um ministro de Sócrates que o rejeitou. Mário Lino, responsável pela área, foi claro quanto a um eventual pacto: “Não me parece que seja essa a grande necessidade.”

Na entrevista, Costa não chegou a dizer o nome “Sócrates” e até criticou António José Seguro por ter mantido uma “posição embaraçada” nestes últimos três anos “ao fingir que o passado não existe”. Mas também ele traçou a linha que o separa de um governo em que “houve muitas vezes excesso de voluntarismo, que prescindiu do consenso social para determinadas medidas. Por exemplo, a guerra que se abriu com os professores devia ter sido dispensada”. Recorde-se que no início de 2013, na primeira vez que Costa ponderou desafiar a liderança de Seguro, um dos principais argumentos usados era a falta da defesa da herança Sócrates por esta direcção. Ficou firmado em texto, no Documento de Coimbra, onde se proclamou a “unidade” do partido. Durou 13 meses.

Fora da gaiola A lembrança da governação de José Sócrates foi uma constante nas últimas europeias, com o PSD a trazê-la à arena política durante toda a campanha, aproveitando o facto de o ex–primeiro-ministro ter sido convidado no último almoço da caravana socialista. António José Seguro fintou o tema durante toda a campanha e cumpriu os mínimos, com um gélido e rápido aperto de mão, no dia do almoço da Cervejaria Trindade. Na leitura interna de resultados eleitorais, multiplicaram-se os dedos na direcção do PS a apontar a culpa àquela aparição. Mas sempre dentro de portas. Agora é como disse Seguro: “Habituem-se que isto mudou.”

Foi numa entrevista, também anteontem à noite, na Renascença, que Seguro deu início à tal nova era: “Eu tinha um cuidado na utilização das minhas palavras e do meu discurso público que hoje deixei de ter.” Disse sentir-se “um pássaro fora da gaiola” e avançou para o ajuste de contas que diz ter refreado nos últimos anos: “Se me disser, se eu negociasse o Memorando se era este o Memorando que tinha negociado… Claro que não era.”

Foi um secretário nacional do PS, Álvaro Beleza, que inaugurou esta frente de batalha. Numa entrevista ao i, um dos mais próximos de Seguro tentou a colagem entre Costa e Sócrates ao dizer que “António Costa representa o regresso de muito do que foi José Sócrates”. Nesta mesma linha, mas de forma menos directa, Seguro garantiu anteontem: “Eu não trago nenhum passado de volta, estou concentrado no futuro.”

Pelo meio, um grupo de militantes socialistas, entre os quais Henrique Neto, assinaram um texto em defesa de Seguro que classifica a governação Sócrates de “descalabro”. João Proença, outro secretário nacional do PS, também na edição de ontem do i, não poupou o ex-primeiro-ministro ao dizer que José Sócrates “não antecipou a gravidade da crise suficientemente para evitar sobreinvestimentos, nomeadamente em PPP”.

Proença foi ao nervo e fez disparar a reacção da outra frente de combate nestas primárias. Capoulas dos Santos falou nas duas entrevistas (do líder do PS e de Proença) para se dizer “indignado quer com as declarações de António José Seguro, quer com as declarações de João Proença, porque confirmam que o PS teve nos últimos três anos uma direcção que agiu com reserva mental face ao passado do partido. Esta confirmação torna ainda mais urgente a rápida substituição desta direcção”. Enfim, o dia em que a reflexão socialista sobre a era Sócrates começou. (ionline.pt)

por Rita Tavares

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