- Publicidade-
Smooth Jazz Rádio Calema
Inicio Crónicas e Artigos Estava a "esconfiaré" que o dólar estava a "acabaré"

Estava a “esconfiaré” que o dólar estava a “acabaré”

CARLOS ROSADO DE CARVALHO Economista e Docente universitário (Foto: D.R.)
CARLOS ROSADO DE CARVALHO
Economista e Docente universitário
(Foto: D.R.)

Não está fácil encontrar dólares, ou outra moeda estrangeira em Angola. No mercado formal simplesmente não há.

Nas kinguilas é muito caro. Quem viaja para o estrangeiro vê-se e deseja-se para obter as indispensáveis notas verdes, ainda que cumpra todos requisitos exigidos, nomeadamente bilhete de passagem e passaporte. Quem tem dólares no banco só lhe é permitido levantar a conta-gotas. Se o acesso aos dólares físicos “está malé”, parafraseando o cantor Puto Português, fazer uma transferência internacional não está melhor.

Os “expatriados” passam horas em bichas para enviar dinheiro para as respectivas famílias nos seus países de origem. Os residentes cambiais, angolanos e estrangeiros, esperaram uma eternidade para mandar dinheiro para o exterior.

As empresas não têm melhor sorte. Nos bancos amontoam-se as ordens de transferências de firmas angolanas para fornecedores estrangeiros. Segundo as minhas fontes, os atrasos nas transferências para o exterior rondam um mês.

Com tantas dificuldades, parafraseando de novo o Puto Português, estava a “esconfiaré” que o dólar estava a “acabaré” em Angola.

Digo estava, porque recentemente a situação deu mostras de se alterar, tendo-se assistido a um certo alívio na obtenção de dólares, ainda que a situação não esteja completamente normalizada.

A pergunta de um milhão de dólares é a que se deve ou deveu a falta de dólares e a dificuldade nas transferências? O Expansão tem avançado algumas explicações como as alterações nas regras de importação de moeda estrangeira, a queda das receitas petrolíferas e as restrições nas vendas de divisas pelo Banco Nacional de Angola (BNA).

Começando pela primeira, Angola era o país que mais dólares importava no mundo. Conhecedora da situação e receosa de que parte dos dólares importados por Angola acabassem na lavagem do dinheiro e no financiamento do terrorismo, a Reserva Federal norte-americana alertou as autoridades angolanas, “sensibilizando-as” para a necessidade de colocar algum travão nas importações de dólares. Assim, desde Janeiro que os bancos têm de pedir autorização ao BNA para importar dólares e o banco central tem estado a cortar nos pedidos. Uma explicação que ajuda a perceber, sobretudo, a escassez de dólares físicos e esteve na origem do disparo da nota verde no mercado informal. Em Dezembro de 2013, segundo dados do BNA, as kinguilas vendiam o dólar a 107 Kz. Nos finais de Maio/Junho a nota verde custava cerca de 120 Kz.

Quanto à quebra nas receitas do petróleo, sendo um facto que baixaram 12% nos primeiros quatro meses deste ano, o equivalente a 1.500 milhões USD, esta queda não foi de molde a secar o mercado, a ponto de provocar as dificuldades sentidas até recentemente.

Restam as restrições às vendas de dólares por parte do BNA, em meu entender a chave para compreender o que se passou no mercado cambial. Nos primeiros quatro meses do ano o banco central vendeu 4,9 mil milhões USD aos bancos, menos 21,5% do que em igual período do ano passado. As restrições foram particularmente violentas em Abril mês em que o BNA colocou no mercado apenas 950 milhões USD, cerca de metade dos 1,9 mil milhões colocados no mesmo mês do ano anterior.

No mês passado, as vendas de dólares pelo BNA voltaram aos níveis de 2013 – 1,6 mil milhões USD em Maio deste ano, contra 1,8 mil milhões no mesmo mês do ano passado – e o mercado aliviou.

A decisão do BNA de restringir a venda de dólares no mercado nos primeiros meses deste ano estará relacionada com a desdolarização da economia, em particular com nova lei cambial, que obriga as petrolíferas a efectuar pagamentos em kwanzas. Se as petrolíferas precisam de kwanzas vão ter de os comprar aos bancos, entregando dólares. Com os cofres “cheios” de dólares das petrolíferas, os bancos não precisam tanto do BNA para os obter, terá sido o raciocínio do banco central.

O raciocínio até pode estar certo, mas não foi confirmado pela realidade. Em geral, numa economia de mercado, quando um plano não se adequa a realidade é o plano que tem de se ajustar à realidade e não a realidade que tem de se ajustar ao plano. Se é verdade que plano de desdolarização da economia do BNA vai no bom sentido, não é menos certo que é preciso ouvir o povo, no caso os agentes económicos.

Como avisou o ministro das Finanças Armando Manuel, na abertura do seminário do BNA sobre a desdolarização da economia, “conclui-se pela relevância de gerir-se essa dualidade monetária com elevado sentido de responsabilidade fiscal, monetária e cambial, evitando-se a solução simplista de desdolarizar através de acto administrativo ou da imitação de experiências exóticas, importadas de países com especificidades diferentes e/ou vivendo momentos históricos distintos dos da nossa realidade.” Para com entendedor um parágrafo basta. (expansao.ao)

 

- Publicidade -
- Publicidade -

RDC: Em Lubumbashi, a população espera um melhor aproveitamento da realeza mineira

No segundo e último dia do Fórum Mineiro Indaba, encerrado no dia 19 de novembro, os funcionários das comunidades beneficiárias da realeza mineira tiveram...
- Publicidade -

Pena suspensa: Bispo e pastores da IURD condenados a 45 dias de prisão

O Tribunal do Benfica condenou, na segunda-feira, um bispo e dois pastores da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), a 45 dias de...

Gonzalo Plata testa positivo à Covid-19

Avançado do Sporting foi diagnosticado quando regressou a Portugal após representar a seleção equatoriana. Gonzalo Plata foi, este sábado, diagnosticado com Covid-19, depois de regressar...

Activistas marcam novo protesto na província angolana do Cunene contra a governadora

Na sábado, 21, apesar do forte aparato policial marcharam por sete quilómetros em protesto. Os jovens activistas que se manifestaram na cidade de Ondjiva, na...

Notícias relacionadas

RDC: Em Lubumbashi, a população espera um melhor aproveitamento da realeza mineira

No segundo e último dia do Fórum Mineiro Indaba, encerrado no dia 19 de novembro, os funcionários das comunidades beneficiárias da realeza mineira tiveram...

Pena suspensa: Bispo e pastores da IURD condenados a 45 dias de prisão

O Tribunal do Benfica condenou, na segunda-feira, um bispo e dois pastores da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), a 45 dias de...

Gonzalo Plata testa positivo à Covid-19

Avançado do Sporting foi diagnosticado quando regressou a Portugal após representar a seleção equatoriana. Gonzalo Plata foi, este sábado, diagnosticado com Covid-19, depois de regressar...

Activistas marcam novo protesto na província angolana do Cunene contra a governadora

Na sábado, 21, apesar do forte aparato policial marcharam por sete quilómetros em protesto. Os jovens activistas que se manifestaram na cidade de Ondjiva, na...

Huawei é a marca que mais representa a China

Huawei é a marca de consumo que melhor representa a China, de acordo com uma classificação de força de marca divulgada no fim de...
- Publicidade -

Deixe um comentário

Por favor insira seu comentário!
Digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.