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Iraque. Militantes sunitas controlam todas as fronteiras ocidentais

(Foto: Lusa)
(Foto: Lusa)

Jihadistas controlam já 90% da maior província do país e, após terem vencido alguns focos de resistência, prosseguem em direcção a Bagdade

Os últimos relatos da insurreição sunita no Iraque dão conta da captura de mais dois pontos–chave na travessia para as vizinhas Jordânia e Síria, na zona ocidental do território, com os rebeldes a controlarem assim três dos postos fronteiriços na província de Anbar, a maior província iraquiana. A ligação com o país onde os jihadistas do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIS) travam há três anos uma guerra civil contra as forças leais a Bashar al-Assad foi estabelecida este sábado, facilitanto a circulação de combatentes e armas entre os dois países – um desenvolvimento acompanhado com preocupação tanto pelas autoridades iraquianas como pelos governos ocidentais.

Em dois dias, os militantes alargaram o seu domínio, tomando para si mais quatro cidades naquela província onde predomina a comunidade sunita – Qaim, junto à fronteira com a Síria, e Rutba, Rawa e Anah. O recuo das forças governamentais, deixou ontem os postos fronteiriços de al-Waleed, na fronteira síria, e Turaibil, na fronteira jordana, nas mãos dos insurrectos, que passam a controlar todas as fronteiras ocidentais do país.

Assim, após um curto interregno na vertiginosa campanha sunita em direcção a Bagdade, tendo encontrado alguns focos de resistência numa faixa territorial que se estende por uns 70 quilómetros no norte e nordeste da capital, os sunitas continuam a avançar. Em muitos locais, para evitar mais derramamento de sangue, as forças sunitas deram ao exércio a oportunidade de abandonar os seus postos e fugirem em segurança.

Entretanto, multiplicam-se os relatos que afirmam que o ISIS assumiu o controlo do aeroporto da estratégica cidade de Tal Afar, o que, a confirmar-se, é mais um duro golpe para o governo de Bagdade, que planeava usá-lo como rampa de lançamento de uma operação para recapturar a segunda maior cidade do país, Mossul.

A recente investida por parte dos extremistas sunitas começou precisamente com a invasão daquela cidade no início do mês, vários analistas a afirmarem que os rebeldes parecem melhor treinados e equipados do que o exército iraquiano. O governo já confessou a sua incapacidade para travar sozinho os jihadistas, pedindo aos EUA, à Europa e às Nações Unidas que tomem de imediato medidas para resolver a crise, incluindo ataques aéreos a “alvos precisos”. O problema, segundo os especialistas, é que estes ataques iriam colocar em perigo civis, uma vez que o ISIS tem refúgios junto da população, tanto no Iraque como na Síria, e embora a Casa Branca tenha enviado 300 conselheiros militares para ajudar o exército iraquiano na luta contra os insurrectos, esta também já alertou que a crise não pode ser ultrapassada recorrendo a uma solução puramente militar. O “New York Times” avançou recentemente que políticos norte-americanos se encontraram com líderes das facções xiitas e sunitas do país para discutirem a substituição de Nouri al-Maliki, primeiro-ministro xiita acusado de ter aumentado as divergências políticas entre sunitas e xiitas. (ionline.pt)

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