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O fim de uma era: O banqueiro do regime sai do BES sem glória

 Ricardo Salgado (Nelson D'Aires)
Ricardo Salgado
(Nelson D’Aires)

A lista de possíveis sucessores na liderança do banco, que representa 1/5 do sistema financeiro português, é infindável. Paulo Macedo, ministro da Saúde, também lá está

Este é o fim de uma era. Ricardo Salgado, presidente do Banco Espírito Santo, demite-se depois de duas décadas à frente do BES, um ano antes do final do seu mandato, com o anúncio da assembleia geral que irá eleger a nova administração.

Uma saída precoce e imposta pelo Banco de Portugal depois de uma série de erros, alguns – como o não reconhecimento de provisões/prejuizos de 700 milhões de euros em 2013 por dívidas emitidas pelo próprio grupo -, revelados por uma auditoria externa exigida à ESI e admitidos por Ricardo Salgado, administrador da empresa.

Carlos Costa chamou ontem ao Banco de Portugal o Conselho Superior do grupo Espírito Santo, no qual estão representados os cinco ramos da família e de que fazem parte Ricardo Salgado, José Manuel Espírito Santo, Fernando Espírito Santo e Manuel Fernando Espírito Santo, António Ricciardi e José Maria Ricciardi e Pedro Mosqueira do Amaral, uma notícia avançada pelo “Expresso”.

Também a CMVM – Comissão do Mercado de Valores Mobiliários veio pedir esclarecimentos sobre a saída de Ricardo Salgado da liderança do BES, embora esta informação tivesse sido avançada há várias semanas pelo jornal i.

O futuro A escolha está nas mãos dos accionistas, mas terá de passar pelo crivo apertado do supervisor, que já mostrou não estar disposto a deixar passar mais escândalos e a fazer tudo para evitar situações como as que aconteceram no BPN e no BPP, que acabaram por custar milhões aos portugueses e abalar a confiança no sistema financeiro.

Até hoje, várias listas com nomes de possíveis sucessores têm chegado ao Banco de Portugal, mas o supervisor apenas poderá validar aquela que for entregue pelo órgão competente.

As sugestões integram nomes tão diferentes como o do actual ministro da Saúde, Paulo Macedo (ex-vice-presidente do conselho de administração executivo do BCP), ou Amílcar Pires, actual administrador financeiro do banco, ou José Maria Ricciardi, presidente do BESI – soluções pouco prováveis, uma vez que ambos são arguidos em processos a correr nos tribunais.

Mas há outros: Joaquim Goes, administrador executivo do BES, Bernardo Espírito Santo, director-geral, António Mexia, CEO da EDP, António Horta Osório, presidente do Lloyds Bank, Vítor Bento, presidente da SIBS, ou José Honório, ex-presidente da Portucel e que tem assessorado Ricardo Salgado na reestruturação e revolução que se tem vivido dentro do grupo Espírito Santo.

Seja quem for o escolhido, a Assembleia Geral vai marcar o início de uma nova era para o BES e para o grupo Espírito Santo. A apenas alguns dias de completar 70 anos, Ricardo Salgado será o primeiro presidente do Banco Espírito Santo a deixar o cargo vivo (todos os anteriores, enquanto a instituição foi privada, mantiveram-se na liderança até à morte). Mas quer manter-se por perto, através da criação de um novo comité estratégico, segundo o “Expresso”.

Amanhã deverá ser convocada a assembleia geral, na sequência do aumento de capital do banco em 1045 milhões de euros, que levou um dos accinistas de referência, o Crédit Agricole, a baixar a sua participação de 20,1% para 14,64%.

Esta, de resto, será a primeira de muitas mudanças anunciadas, com a venda de activos à cabeça. A fragilidade não está no BES, os problemas estão acima, na holding ESI, que controla 45% da Espírito Santo Financial Group (que, por sua vez, tem o controlo do BES).

Morais Pires e Ricciardi fragilizados por investigações do MP

Banco de Portugal está a acompanhar caso BES e não quer que haja dúvidas sobre idoneidade

José Maria Ricciardi, presidente-executivo do Banco Espírito Santo Investimento (BESI), e Amílcar Morais Pires, chief financial officer do BES, são dois dos nomes mais fortes para suceder a Ricardo Salgado, mas para o Banco de Portugal estão numa situação fragilizada por estarem sob investigação do Ministério Público. O regulador do sector bancário quer certificar-se de que os próximos elementos da administração do BES cumprem os critérios de idoneidade exigidos pela lei que regula as sociedades financeiras.

Ricciardi e Morais Pires foram constituídos arguidos por suspeitas do crime de abuso de informação privilegiada num inquérito do DIAP de Lisboa relacionado com a transacção de acções da EDP entre o BES e a BES Vida (seguradora do grupo liderado por Ricardo Salgado) durante Janeiro de 2008 e entre 15 de Maio e 2 de Junho de 2008 – altura em que decorreu a oferta pública de subscrição (OPS) de acções da EDP Renováveis e que foi assessorada pelo BESI liderado por Ricciardi. As aquisições do BES Vida, onde Morais Pires era administrador, terão tido influência na formação de preços da OPS da EDP Renováveis.

Morais Pires, considerado o braço-direito de Salgado e o preferido do ainda líder do BES para seu sucessor, foi também indiciado em 2012 pelo Departamento Central de Investigação e AcçãoPenal por alegadamente ter comprado acções da EDP e da REN através de sociedades offshore disponibilizadas pela Akoya Asset Management e com fundos que não tinham sido declarados ao fisco. Depois de ter sido confrontado, a 16 de Julho de 2012, com estes indícios, Morais Pires fez rectificações ao seu IRS de 2011 que o levaram a pagar, entre Agosto e Outubro, mais 1,1 milhões de euros de imposto.

O DCIAP tem a convicção de que mais administradores do BESI terão adquirido acções da EDP e da REN nos dias anteriores à decisão final do Conselho de Ministros sobre a privatização das duas empresas que ocorreram no último semestre de 2011 (no caso da EDP) e em Fevereiro de 2012 (no caso da REN). O procurador Rosário Teixeira, que investiga o caso, tem a convicção de que foram utilizados fundos depositados no estrangeiro e que nunca tinham sido declarados às Finanças e suspeita da prática dos crimes de fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais, tráfico de influências, corrupção e abuso de informação privilegiada. O BESI foi assessor financeiro das empresas vencedoras dessas operações:as chinesas China Three Gorges e State Grid. Existem ainda indícios recolhidos contra José Maria Ricciardi e Paulo Lameiras Martins, administrador do BESI, de que terão tido acesso às propostas dos concorrentes dos seus clientes chineses antes da decisão final do governo de Passos Coelho. (ionline.pt)

por Carlos Diogo Santos

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