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Iraque. Facções xiitas e sunitas discutem com EUA como afastar Maliki

Obama envia 300 conselheiros militares para ajudar a travar ISIS. EUA estudam “alvos precisos” para “eventual necessidade” de acção militar

(Foto: Reuters)
(Foto: Reuters)

Nouri al-Maliki não vai demitir–se como condição para os Estados Unidos ajudarem as tropas iraquianas a travar os militantes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIS). A garantia foi dada ontem por um porta-voz do primeiro-ministro do Iraque, acusado de sectarismo por vários senadores e pelas tribos sunitas que apoiam a tomada do Norte pelos insurrectos, que já dominam grande parte do Norte do país.

A recusa chegou à hora em que o ministro iraquiano dos Negócios Estrangeiros, Hoshyar Zebari, reforçava na televisão Al-Arabiya os pedidos aos EUA para que lancem uma ofensiva aérea na região para travar os avanços dos extremistas sunitas, que ontem continuavam em lutas com as enfraquecidas tropas do Iraque na principal refinaria do país, Baiji.

Várias fontes dizem que Barack Obama está a ser pressionado por políticos norte-americanos para persuadir o xiita Maliki a assumir que a insurreição é em parte culpa sua e a abdicar do poder.

“[O governo de Al-Maliki] tem de acabar se querem algum tipo de reconciliação”, disse Dianne Feinstein, líder do comité de espionagem do Senado. “[Obama] tem de deixar claro a Maliki que o seu tempo acabou”, acrescentou o senador John McCain.

Nos últimos dois dias, avançou o “New York Times”, o embaixador americano em Bagdade, Robert Beecroft, e Brett McGurk, responsável do Departamento de Estado por Iraque e Irão, encontraram-se com o líder do maior contingente sunita do Iraque, Usama Nujaifi, e com Ahmad Chalabi, um dos potenciais candidatos xiitas ao governo.

Num artigo intitulado “Facções iraquianas em manobras para depor Maliki com o apoio dos EUA”, o diário nova-iorquino citou Nabil al-Khashab, conselheiro político de Nujaifi, dizendo que “Brett e o embaixador [Beecroft] se encontraram com o Sr. Nujaifi e foram bastante específicos quanto a não quererem que Maliki fique no poder”.

Numa conferência de imprensa muito esperada, Obama repetiu as palavras de Carney e sublinhou que a solução para o Iraque não é militar, é política. O presidente anunciou ainda o envio de 300 conselheiros militares para apoio ao exército iraquiano e explicou que para já não será enviada ajuda, mas que a CIA está a reunir informações para identificar “alvos precisos” e estudar uma eventual ofensiva aérea. “Estaremos preparados para uma acção militar se concluirmos que a situação no terreno assim o exige. Os EUA não vão voltar a enviar tropas de combate para o Iraque.”

Aviso à Europa O Reino Unido e a Alemanha lançaram entretanto alertas para o “perigo mortal” de a insurreição sunita no Iraque se estender à Europa, sublinhando que os extremistas pretendem levar a cabo ataques em solo europeu. David Cameron diz que os sunitas a actuar no Iraque estão a planear atacar o Reino Unido, ideia repetida pelo ministro alemão do Interior. Esta semana, a polícia espanhola desmantelou uma rede de nove elementos que recrutava europeus em Madrid para se juntarem às lutas armadas sunitas no Iraque, no Afeganistão e na Síria. (ionline.pt)

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