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Exportação forçada de democracia para o Iraque resultou em guerra interconfessional

(Foto: REUTERS/Alaa Al-Marjani)
(Foto: REUTERS/Alaa Al-Marjani)

Os peritos estão seriamente preocupados com a crescente tensão na região do Oriente Médio. O início de uma guerra em larga escala está cada vez mais próximo, devido aos êxitos militares dos islamitas, cuja pressão faz o Iraque pós-Saddam se desmoronar como um castelo de cartas.

Os combatentes da formação Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) estão se aproximando cada vez mais da capital do país. Na opinião dos militares, seu objectivo final é Bagdad, de onde os estrangeiros estão sendo rapidamente evacuados. Das regiões já ocupadas pelos islamitas é a população civil que foge.

A situação no Iraque se agravou bruscamente no princípio da semana passada depois de os combatentes sunitas do EIIL, e das formações radicais locais que lhes são leais, terem iniciado uma ofensiva contra uma série de cidades no norte do Iraque, tendo conquistado completamente a província de Ninawa e o seu centro administrativo Mossul. A entrega das posições foi favorecida pela completa inacção das forças de segurança e do exército, que abandonaram a cidade, com seus paióis de armamento e habitantes, à mercê dos radicais.

Ao desenvolver sua ofensiva, os combatentes se aproximaram da cidade de Kirkuk (no nordeste do país). No entanto, aí eles esbarraram com a milícia curda Peshmerga e os islamitas foram travados. Na prática, os curdos acabaram por ser a única verdadeira força no Iraque capaz de se opor a uma ameaça séria. Mas Bagdad não deve contar realmente com eles, considera o presidente da Academia de Problemas Geopolíticos Konstantin Sivkov:

“Os curdos querem criar um Estado próprio e por isso eles aproveitam a ocasião e a posição a que assistimos. Além disso, esse cenário é útil para os Estados Unidos, os quais estão realmente por trás dos curdos iraquianos. Ao se separarem do Iraque, os curdos tentarão arrancar uma série de territórios à Turquia, ao Irão e à Síria, o que irá enfraquecer todos esses países.”

Entretanto, ninguém poderá se manter à margem da crise, refere o presidente do Centro Iraquiano para o Desenvolvimento de Mídia, Adnan al-Sarraj:

“A posição dos curdos causa estranheza. Ela não corresponde nem aos princípios de unidade do Iraque, nem à constituição iraquiana. Seria ingénuo supor que o EIIL se fique pelas regiões ocupadas. Numa perspectiva a curto prazo, os extremistas dessa formação podem também visar o Curdistão. Não podemos esquecer que esses combatentes divulgaram um mapa com a marcação das fronteiras do Estado que eles querem criar. Elas incluem tanto o Curdistão, como a Jordânia e a Palestina.”

Por enquanto, e tendo em consideração a neutralidade curda, não parece possível para o agrupamento Estado Islâmico do Iraque e do Levante sem recurso a forças externas. Tudo indica que essas forças existem e que elas são o Irão e os EUA. Unidades de elite do Exército dos Guardiães da Revolução Islâmica e drones estadunidenses seriam capazes de virar o andamento desta guerra a favor do governo iraquiano. Mas isso apenas iria proporcionar uma vitória táctica.

A intervenção militar dos EUA no Iraque, levada a cabo em 2003, sob um falso pretexto e contra as normas jurídicas internacionais, iniciou um processo de desmembramento desse país e esse processo se tornou irreversível. Uma década depois o país se está dividindo em três partes: uma parte curda, outra xiita e outra sunita.

Mas isso é apenas parte do problema. A verdadeira tragédia é que a guerra interconfessional pode alastrar a toda a região, declarou numa entrevista à Voz da Rússia o perito militar e ex-presidente do Conselho de Veteranos da Turquia Korai Gurbuz:

“Na região já há muito tempo que decorre a confrontação entre sunitas e xiitas. Se se recordam, ainda em 2006 o actual primeiro-ministro do Iraque, o xiita Nouri al-Maliki e o antigo vice-presidente do país Tariq al-Hashimi, que representava os interesses sunitas, tiveram problemas sérios. Já nessa altura entre os sunitas iraquianos e os xiitas ocorriam regularmente confrontos sangrentos.

“Aquilo que se passa hoje é uma continuação desses acontecimentos. Hoje o Estado Islâmico do Iraque e do Levante está realizando uma chacina da população xiita. Infelizmente, também a Turquia está indirectamente envolvida. O EIIL não surgiu do nada e de repente, e não obteve este poderio apenas graças às suas próprias forças. Na minha opinião, o EIIL é um dos instrumentos de execução do projecto do Grande Oriente Médio que está sendo realizado por etapas na região pelos Estados Unidos.”

Os acontecimentos que decorrem neste momento no Iraque demonstram que a democracia não pode ser exportada através da guerra. Isso foi um erro evidente dos EUA que é muito difícil corrigir, senão mesmo completamente impossível. (ruvr.ru)

por Serguei Duz

 

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1 COMENTÁRIO

  1. Pois eh, isso é só mais uma e simples prova que os americanos fazem o que querem, onde e como querem, sem darem cavaco a ninguem e da forma mais irresponsavel que se possa imaginar, sem considerarem as realidades proprias dos povos (tradicionais, culturais, etc) tudo pela pseudo democracia que se alimenta de petroleo e dominio geopolitico, derrubando governos e colocando no lugar autenticos fantoches, enfim… e ha quem acha que eles (americanos) sao as melhores pessoas do mundo, sempre bem intencionadas bla bla bla, o pior, e isso me entristece muito, é que temos uma comunidade internacional completamente a mercê dos interesses americanos, cito a ONU, NATO e todas “alianças” feitas por esse mundo afora, que alias, é apenas um mundo, atenção.

    De tudo que vemos acontecer nos ultimos tempos, o que paises como o nosso fazem para contrariar ou precaverem situações identicas? Nada! Somos mais uma cambada de lambe botas, e garanto-vos angolanos, que se as Chevrons, Texacos e Companhia nao estivesses a sugar bem o nosso petroleo, de certeza que o Tio Sam viria aqui com uma guerrazinha pela democracia e fim da ditatura e correr com o Ze Eduardo e colocarem lá um Ze de pau (nao o nosso músico pois esse é Zé do Pau) e por ai, alias, fizeram e fazem por muito menos em outros sitios, exemplo recente: Ucrania, mas isso nao acabou, com os americanos nunca se está garantido, estejamos preocupados que algum dia ainda nos vem aqui com uma dessas guerras, e como os nossos digirentes e responsaveis pela defesa sao todos uns lambe botas e empresarios, entao… pois eh!

    Despois espantam-se com o radicais islamitas, que, vejam só, eram os mesmos que os americanos queriam apoiar e apoiam na Siria, so que lá sao guerreiros para libertação do ditador Assad, mas quando vem tocar na galinha dos ovos de ouro (Iraque), sao terroristas, uh… entendi nada, mas esperar o que dos EUA? O pais mais militarizado do mundo, onde a policia agora anda com tanques e blindados dentro do proprio pais para combater a deliquencia, deliquencia que eles proprios fomentam com lobby das armas, da liamba e companhia, a eles interessa que as coisas continuem assim, pois é mais “kumbu” para alguns la dentro, pois eh!!!

    Consequencia para isso tudo?
    – Um mundo da porcaria;
    – Fluxo migratorio e emigratorio maluco, vamos todos fugir para Europa e os EUA um dia, porque ninguem foi feito para viver mal;
    – Refugiados em todo o lado, etc etc etc etc e tal…

    Ah vejam o seguinte: visita do John Kerry ao Egipto levando ajuda, sim USD 500Milhoes em armamento, ahahahaha, acham mesmo que depois do que o Egipto passou é desse tipo de ajuda que necessita? Vindos dos EUA esperava-se o que?

    E um dia ainda se perguntam “Porque que nos odeiam?”

    Nao vejo o dia dessas “maracutaias” se virarem contra eles, quero ver sim, como se eles nao tivessem ja tantos problemas internos para resolverem, divida elevada, pobreza, sociedade doente, drogada e por ai… mas sao os Estados Unidos da America e os seus capachos, grande a filme!!!! Pois eh

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