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Rússia fala em “fracasso total” da política dos EUA

(D.R).

A Rússia considerou ontem que o avanço dos rebeldes islamitas no Iraque ameaça o país e ilustra o fracasso total da intervenção militar norte-americana e britânica.

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“O que está a acontecer no Iraque ilustra o fracasso total da aventura que empreenderam em especial os Estados Unidos e o Reino Unido, e na qual perderam o controlo definitivamente”, declarou o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, em declarações à agência Itar-Tass.

“Há 11 anos, o Presidente dos Estados Unidos anunciou a vitória da democracia no Iraque e, desde então, a situação deteriorou-se de forma exponencial. Há tempos que advertimos para o facto de a aventura lançada pelos norte-americanos e ingleses ir acabar mal. Hoje, os prognósticos cumpriram-se”, acrescentou.

Dois anos e meio depois da retirada das tropas norte-americanas que entraram em 2003 no Iraque, os combatentes jihadistas apoderaram-se de partes do território do noroeste do país ante a impotência do exército nacional e encontram-se a menos de 100 quilómetros da capital.

Os rebeldes sunitas estão a caminho de Bagdad, depois de se terem apoderado de extensas áreas do noroeste do Iraque.

O Parlamento iraquiano reuniu-se ontem de emergência e decidiu decretar, a pedido do governo do primeiro-ministro xiita Nuri al-Maliki, o estado de emergência no país.

Os combatentes do grupo radical islâmico do Estado Islâmico no Iraque e no Levante (EIIL), ligado à Al-Qaeda, ocuparam nos últimos dias as regiões de Siniyah e Suleimane-Bek, a província iraquiana de Ninive e parte de duas províncias vizinhas, Kirkuk e Salaheddine, incluindo a cidade de Tikrit, terra natal do falecido Presidente Saddam Hussein, entretanto já retomada.

Os combatentes islâmicos tomaram na quarta-feira à noite Dhuluiya, de acordo com um coronel da Polícia e habitantes contactados por telefone pela agência France Press.

Além dos territórios do norte, os combatentes do EIIL, considerado como um dos grupos “mais perigosos do mundo” pelos Estados Unidos, já controlam regiões da província ocidental de Al-Anbar, incluindo a cidade de Fallujah, desde Janeiro.

Para travar a ofensiva islâmica, os Estados Unidos, que retiraram os seus militares do Iraque no final de 2011, oito anos depois, estão a considerar várias opções, mas excluem o envio de tropas terrestres.

A ajuda a Bagdade pode ser dada através de ataques realizados por “drones” (aviões não tripulados), segundo um responsável norte-americano. O EIIL, que pretende a instauração de um Estado islâmico, conta com o apoio de tribos antigovernamentais e de grupos da minoria sunita, que se considera marginalizada pelo poder xiita. A ofensiva islamista já provocou a fuga de meio milhão de habitantes.

ONU pede solidariedade

O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu à comunidade internacional que se una pelo Iraque, numa altura em que rebeldes jihadistas avançam para Bagdad.

“O Secretário-Geral pede à comunidade internacional que se una e mostre solidariedade para com o Iraque, que enfrenta esse grande desafio de segurança”, disse o seu porta-voz, Stéphane Dujarric, em comunicado.

O chefe da ONU pediu que “sejam respeitadas as leis humanitárias internacionais e os direitos humanos nas acções para combater a violência e o terrorismo no Iraque”, acrescentou o porta-voz. Além disso, Ban Ki-moon “condena fortemente o aumento da violência de grupos terroristas no Iraque, como o Estado Islâmico no Iraque e no Levante (Eiil), que assumiu o control o de Mossul, Tuz Khurmatu, Baiji e Tikrit”.

“O terrorismo não tem o direito de romper o caminho para a democracia traçado pela vontade do povo iraquiano”, frisou.

Ajuda do Irão

O Irão vai “lutar contra a violência e o terrorismo” dos rebeldes jihadistas sunitas que lançaram a ofensiva na terça-feira no noroeste do Iraque, afirmou ontem o Presidente iraniano, Hassan Rohani.
No discurso transmitido pela televisão, Rohani não forneceu pormenores sobre o que o Irão, de maioria xiita, pode fazer para apoiar o vizinho Iraque.

Os rebeldes “consideram-se muçulmanos e chamam à sua luta guerra santa”, afirmou o Presidente iraniano, ao denunciar os actos selvagens contra a população realizados por “um grupo de extremistas e terroristas”. “Pela nossa parte, o Governo vai lutar contra a violência, o extremismo e o terrorismo na região e no mundo”, disse Rohani, que presidiu a uma reunião do Conselho Superior de Segurança Nacional, o órgão encarregado de determinar as políticas de defesa e de segurança da república islâmica.

Na quarta-feira, o chefe da diplomacia iraniana, Mahmud Javad Zarif, condenou “o assassinato de cidadãos iraquianos” e expressou o apoio do Irão “ao Governo e ao povo iraquiano para lutar contra o terrorismo”. O Irão reforçou, nos últimos anos, as relações políticas e económicas com o seu vizinho Iraque dirigido por aliados xiitas.

Intervenção dos EUA

Os Estados Unidos prometeram na quarta-feira ajudar o Iraque, inclusive com força militar, perante a ofensiva de radicais islâmicos face à debilidade do Exército iraquiano criado e equipado por Washington, dois anos e meio depois da saída das tropas norte-americanas do país.

Além disso, Washington vendeu equipamento militar ao Iraque por 14 mil milhões de dólares, e 24 helicópteros Apache, centenas de mísseis Hellfire e 36 bombardeiros F-16 que deviam ser entregues no “Outono”, entre outros contratos importantes de venda de armas. Os Estados Unidos excluem, no entanto, enviar tropas terrestres para o Iraque, segundo Psaki, após a saída do seu Exército a 31 de Dezembro de 2011, depois de ter mantido uma forte presença militar no país durante oito anos.

Em 2011, Bagdad e Washington não tinham conseguido chegar a um acordo sobre a manutenção de tropas norte-americanas no Iraque e muitos temiam na altura um ressurgimento da violência, sem a ajuda dos Estados Unidos.

Em seguida, Washington investiu dezenas de milhões de dólares para formar e equipar as forças armadas iraquianas, as mesmas que aparentemente fugiram com a chegada dos jihadistas. O Departamento de Estado evitou comentar esta última reacção e recusou críticas sobre a política dos países ocidentais no Iraque durante mais de uma década.

“Se queremos procurar erros, não devemos esquecer a catastrófica decisão de iniciar a guerra em 2003”, disse, em declarações à AFP, o especialista Bruce Riedel, da Brookings Institution. “Faz meses que estamos preocupados com a violência e, por isso, aumentamos o nosso apoio”, justificou Psaki.

Durante a conferência de imprensa, perante as câmaras, o porta-voz da Casa Branca agitou o relatório mundial de 2013 do Departamento de Estado sobre “terrorismo”, que já destacava a “ameaça do EIIIL para a Síria e o Iraque”.

O EIIIL tem uma forte presença na Síria, onde combate o governo do Presidente Bashar al-Assad e pretende criar um Estado islâmico entre o Iraque e a Síria. O grupo jihadista já foi expulso da rede Al-Qaeda na Síria e enfrenta outro grupo islamita rebelde no país, a Frente Al-Nosra.

O EIIIL constitui “um dos mais perigosos grupos terroristas do mundo” e “a violência no Iraque alcançou níveis inéditos desde 2007”, disse Stuart Jones, nomeado para representar os Estados Unidos em Bagdad.

Este avanço do EIIIL ameaça mergulhar este país rico em petróleo no caos. A última conquista foi Tikrit, a 160 quilómetros a norte de Bagdad, num avanço simbólico, já que é a região natal do ex-presidente sunita Saddam Hussein, deposto e executado após a invasão norte-americana de 2003.

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