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Mundial: Holandeses voadores humilham Espanha

(Fabrizio Bensch- Reuters)
(Fabrizio Bensch- Reuters)

Será que o tiki-taka morreu? A Roja saiu humilhada na estreia em solo brasileiro. A Laranja começou a vingança num voo magistral de Van Persie

Holandês Voador é o nome de um lendário navio-fantasma que nunca pode aportar e fica condenado a navegar os oceanos para sempre. Um mito que se aplica bem aos acontecimentos no relvado de Salvador da Bahia. Primeiro, porque a campeã mundial Espanha parecia estar dentro do navio: saiu perdida e condenada aos pés da Laranja Mecânica. Segundo, porque quando ainda estava por cima no jogo, apareceu um holandês voador, Robin Van Persie (RVP), que iniciou a fria e cruel vingança da Holanda – o jogo era uma reedição da final do Mundial-2010, ganho pela Roja.

Robben foi o melhor em campo e, tal como Van Persie, bisou. O antigo jogador do Real Madrid estilhaçou por completo a defesa contrária. A Holanda, que saíra do Euro-2012 com três derrotas, foi renovada por Van Gaal. A Laranja Mecânica não tem tantos tecnicistas como habitual mas compensa com organização e um contra-ataque fatal. A Espanha não sofria golos há quatro jogos em fases finais e o que aconteceu parece quase inexplicável numa equipa que domina o futebol mundial desde 2008, quando venceu o Europeu na Áustria-Suíça.

Porém, a humilhação sofrida volta a levantar uma questão que começou a surgir com mais frequência no último ano: acabou a era do tiki-taka? O Barcelona teve uma época para esquecer, o Real esmagou o tiki-taka do Bayern de Guardiola na meia-final da Champions e Xavi, o mais inteligente médio do futebol moderno, aos 34 anos já não é o que era. A derrota na final da Taça das Confederações em 2013, contra o Brasil de Scolari, já fora um prenúncio. Del Bosque e seus ‘chavales’ têm mais dois jogos para provar o mundo do contrário.

promissor O seleccionador espanhol optou por um 9, Diego Costa, em vez de um “falso” 9, Fàbregas. O avançado do Atlético, assobiado pelo público brasileiro sempre que tocava na bola (nasceu no Brasil mas escolheu a selecção espanhola), até esteve no lance do primeiro golo. Na Holanda, Van Gaal mudou o 4x3x3 utilizado na qualificação para um 5x3x2. A perda de Strootman fez o holandês mudar os planos e apresentar uma equipa mais pragmática. A pressão alta e o poderio físico do meio campo conseguiram dificultar a Espanha no primeiro quarto de hora: Sneijder isolado frente a Casillas falhou a primeira ocasião do jogo (8′).

Depois os castelhanos implementaram em força o chip do tiki-taka e os holandeses foram perdendo força, com Xavi e Iniesta a mexer os cordelinhos. Aos 26 minutos, Diego Costa caiu na área num lance duvidoso com De Vrij; o árbitro assinalou penálti e Alonso não falhou. A partida caía cada vez mais para o lado espanhol. Silva falhou o 2-0 após uma assistência do outro mundo de Iniesta. E já se sabe como é o ditado no futebol: “Quem não marca…”. Blind também parecia ter olhinhos nos pés quando colocou a bola nas costas da defesa espanhola. Van Persie fez o resto com um voo e uma cabeçada do outro mundo, o melhor golo da prova até ao momento. Tornou-se o primeiro holandês a marcar em três fases finais e foi dar um ‘high five’ a Van Gaal, o seu próximo treinador no Man. United.

humilhante O que aconteceu depois foi totalmente imprevisto. Robben fez o 2-1 aos 53′, De Vrij o 3-1 (falta sobre Casillas no lance) e subitamente o tiki-taka transformou-se numa espécie de baratas tontas. A Espanha não tinha rumo. RVP matou o jogo num erro inacreditável de Casillas (qué pasa?) e a partir daí só faltava perceber por quantos a Espanha iria perder. Robben fez gato sapato do guardião no 5-1 (igualou RVP com golos em três mundiais) e até final o jogo foi um festival holandês de oportunidades falhadas. A Espanha desintegrou-se e podia ter saído de campo igualando a pior derrota de sempre em Mundiais, sofrida em 1950 com o Brasil (6-1). Em 2010 a Roja entrou a perder no Mundial da África do Sul e foi campeã, algo inédito na história da prova. Quatro anos depois, alguém acredita – incluindo os próprios jogadores – que isso pode acontecer? (ionline.pt)

por Pedro Miguel Neves

 

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