- Publicidade-
InicioMundo LusófonoBrasilBrasil. Polícia usa gás lacrimogéneo em dois protestos anti-Mundial

Brasil. Polícia usa gás lacrimogéneo em dois protestos anti-Mundial

Início do Campeonato do Mundo de futebol ficou marcado por protestos de milhares e confrontos violentos em várias cidades brasileiras

(Foto: Ricardo Moraes)
(Foto: Ricardo Moraes)

Jornalistas da estação televisiva norte-americana CNN foram duas de entre quatro repórteres e, pelo menos, outros três civis vítimas de ferimentos nos confrontos ontem registados entre manifestantes e a polícia, durante protestos anti-Mundial que precederam a inauguração do campeonato de futebol 2014.

Para dispersar um dos dois maiores protestos em São Paulo contra o Mundial de futebol, a polícia usou gás lacrimogéneo e granadas de fumo contra os manifestantes. Segundo colegas das jornalistas – uma delas identificada como Barbara Arvanitidis, produtora da CNN em São Paulo, de nacionalidade canadiana -, enquanto cobriam o protesto ambas foram atingidas por fragmentos destas granadas disparadas pela polícia militar (PM).

Durante as horas que antecederam o início do campeonato, a cidade-sede do primeiro jogo foi palco de alguns dos piores confrontos registados durante o dia de ontem. Durante a manhã, a polícia lançou bombas de gás lacrimogéneo contra os milhares de manifestantes pelo menos três vezes, tentando dispersar a multidão que se aproximava do cordão de isolamento que protege a Arena Corinthians, onde ontem a selecção do Brasil se defrontou com a da Croácia no primeiro dos jogos.

Noutra zona de São Paulo, na Radial Leste, uma das principais estradas de acesso ao estádio, um segundo protesto começou a organizar-se após os confrontos na Arena Corinthians, desta feita em frente à sede do sindicato dos trabalhadores do metro. A avenida foi fechada ao trânsito pela polícia e os manifestantes terão desobedecido à ordem para se afastarem, tentando ocupar a via e potenciando novas reacções antimotim por parte da polícia militar.

Em imagens transmitidas pelas televisões era possível ver, ao longo do dia, grupos de manifestantes a atear fogo a caixotes do lixo e a destruir sinais de trânsito e cabinas telefónicas, havendo até registo de discussões entre moradores e manifestantes. Pelo menos um manifestante foi detido pelas autoridades brasileiras.

Já no Rio de Janeiro, e por razões distintas, um protesto dos trabalhadores do aeroporto complicou o trânsito perto do aeroporto internacional António Carlos Jobim, originando atrasos e remarcações de voos. A paralisação de 24 horas convocada pelo sindicato foi cancelada pelo mesmo ao final da manhã. Um outro protesto contra o campeonato reuniu cerca de mil pessoas e ocupou o centro da mesma cidade, perto do bairro da Lapa, durante toda a manhã, sem que se tenham registado confrontos.

Há vários meses que este Mundial está a mobilizar brasileiros e outros cidadãos em manifestações contra a organização do campeonato num dos países com as maiores discrepâncias sociais a nível mundial. Pelo menos 11 mil milhões de dólares estão a ser gastos pelo governo brasileiro na organização do evento desportivo, sem que os gritantes problemas sociais sejam respondidos, dizem os manifestantes. O movimento dos trabalhadores sem-tecto também tem organizado manifestações a que chama “Copa do Povo”, um mundial alternativo que os activistas prometem manter em marcha nas várias cidades que albergam jogos até ao fim deste campeonato. (ionline.pt)

- Publicidade -
- Publicidade -
- Publicidade -

Notícias relacionadas

- Publicidade -

Deixe um comentário

Por favor insira seu comentário!
Digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.