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O farol de esperança da economia africana

(Foto: Arquivo/Agência Brasil)
(Foto: Arquivo/Agência Brasil)

Os tempos estão muito difíceis para o Presidente Jacob Zuma neste seu início do segundo mandato, sobretudo no que respeita ao sector económico que nos seis primeiros meses deste ano registou uma recessão de 0,6 por cento.

Esta situação resultou, sobretudo, das consequências provocadas pela contínua greve dos mineiros, que estando paralisados desde o início do ano impediram o país de colher os benefícios das exportações de platina, causando prejuízos acumulados já calculados mais de dois mil milhões de dólares.

Num a altura em que o Presidente Jacob Zuma abandonou o hospital onde esteve internado vários dias para recuperar de uma situação de “stress”, o anúncio destes números revelam a incapacidade que o executivo sul-africano tem tido em lidar com as reivindicações dos mineiros e, ao mesmo tempo, constitui uma responsabilidade acrescida para o novo executivo poder dar início ao prometido programa de recuperação económica.

Uma das primeiras decisões que Jacob Zuma mal acabou de tomar posse foi convocar os sindicatos em que os trabalhadores em greve se encontram filiados, no sentido de tentar obter um entendimento que pudesse fazer com as minas voltassem à sua produção normal.

Aquilo que se adivinhava ser uma missão difícil para o novo Governo tornou-se mesmo impossível face à intransigência dos sindicatos em abdicar das suas principais reivindicações: aumento salarial de 80 por cento e melhores condições de trabalho.

Deste modo mantém-se a paralisação de 80 mil trabalhadores mineiros, o que afectou em 45 por cento a distribuição mundial de platina, habitualmente utilizada em joalharia e na industria automóvel.

Especula-se na África do Sul que este foi o factor principal a motivar a crise de “stress” que levou o Presidente Jacob Zuma ao leito do hospital, mas outros referem que isso se deveu às dificuldades que teve em formar o novo Governo e às críticas que sofreu por parte de numerosos responsáveis do ANC ao deixar de fora elementos históricos que aspiravam a um lugar na governação.

Outra das críticas que é feita à liderança de Jacob Zuma prende-se com o facto de o seu actual gabinete ser composto por 36 ministros e 37 vice-ministros, havendo quem satirize dizendo que o Governo cresceu mais rapidamente que a economia do país.

Esta opção por aumentar o número de ministros, que contradiz as promessas eleitorais, fica a dever-se, de acordo com observadores locais, à necessidade que o Presidente sentiu em acomodar algumas das sensibilidades mais fortes no seio do ANC, em detrimento de alguns históricos que sempre o apoiaram e que pensaram haver chegado a sua vez de chegar ao poder.

É evidente que num pais em crise, com uma economia em recessão – o que perspectiva uma política do “mais do mesmo” para a população – a vida do Presidente Jacob Zuma é tudo menos fácil, sendo de referir que, para agravar a situação, aumentam cada vez mais as fugas de investimento estrangeiro.

Nem mesmo a escolha do milionário e histórico do ANC Cyril Ramaphosa para o cargo de Vice-Presidente conseguiu convencer os investidores estrangeiros de que a situação económica da África do Sul pode voltar em breve aos recentes anos doirados que a catapultaram para a mais importante no continente.

A forma repetida como não se consegue resolver a greve dos mineiros dá do Governo e do Estado uma imagem de fragilidade no que toca ao exercício pleno do poder.

Para agravar a situação, três das principais empresas proprietárias das minas de platina afectadas pela greve, uma inglesa e duas norte-americanas, resolveram negociar directamente com os trabalhadores, podendo causar estragos ainda maiores no difícil relacionamento que o Governo vem tendo com os protagonistas do sector.

Na eventualidade destas conversações terem sucesso é dado como adquirido que a África do Sul entra numa crise ainda maior com a perspectiva de trabalhadores de outros sectores recorrerem ao mesmo tipo de luta, como forma de verem satisfeitas as suas reivindicações.

Os problemas laborais na África do Sul, sobretudo as condições de trabalho e vencimento auferido, não se restringem ao sector mineiro, havendo queixas e críticas da generalidade dos trabalhadores. Outro dos problemas que a África do Sul tem que vencer prende-se com a necessidade urgente de convencer os seus parceiros internacionais a financiarem o seu défice orçamental, de modo a permitir um crescimento de cinco por cento, que possibilitaria a criação de novos 7,4 milhões de postos de trabalho, sobretudo entre a camada jovem.

Para que isso suceda, é indispensável que a África do Sul dê sinais, no mínimo, de poder resolver os seus actuais problemas sociais, que tornam o país um dos mais perigosos do mundo, com um elevadíssimo índice de criminalidade.

O chamado “benefício da dúvida” que, habitualmente acontece nos primeiros 100 dias de governação de um novo Governo, no caso concreto da África do Sul necessitava de um arranque mais forte e actuante que desse a perspectiva de capacidade e de autoridade para intervir na solução dos problemas.

Ao mesmo tempo, a novo Governo sul-africano precisa de definir claramente uma nova política de alianças externas, ligando-se mais aos seus parceiros continentais, convencendo-os de que está em condições de vencer os enormes desafios do futuro.

Sem estas referências claramente definidas, será muito difícil a Jacob Zuma encontrar os mecanismos que possam recolocar o seu país na rota do crescimento e do desenvolvimento, de modo a voltar a ser o “farol” de esperança para todo o continente africano. (jornaldeangola.com)

por Roger Godwin

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