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Governo de Cabo Verde admite presença de radicais islâmicos no país

Imagem de militantes islamitas (AP)
Imagem de militantes islamitas (AP)

O Governo de Cabo Verde admite presença de radicais islâmicos em Cabo Verde, entre eles elementos ligados aos grupos terroristas AQUIM (Al-Qaeda do Magrebe Islâmico) e do Boko Haram, que aterroriza a Nigéria. A notícia é avançada hoje, 4, pelo semanário cabo-verdiano Expresso das Ilhas que cita fontes governamentais.

Até agora o Executivo de José Maria Neves não reagiu à notícia.

Cabo Verde pode estar a ser usado como zona de “trânsito, refúgio, recrutamento e para o próprio treinamento de grupos terroristas”, reconhece o governo no Boletim Oficial publicado no dia 2 de Junho.

Apesar de o país nunca ter tido registo de qualquer situação de actividade terrorista, a “situação geográfica e a fraca capacidade institucional de Cabo Verde no combate a este fenómeno, a manifesta invisibilidadedo país” nesta matéria, aliada a outros factores de risco internos e ‘externos” tornam Cabo Verde vulnerável à entrada de elementos ligados a grupos terroristas vindos da região do Sahel, como é o caso
QIM e do Boko Haram.

“Do ponto de vista interno”, refere o Boletim Oficial, a instalação e o crescimento da comunidade islâmica no país, “constituída tanto por estrangeiros como por cidadãos nacionais que estão a converter-se ao Islamismo, constitui uma preocupação, na medida em que sempre existe a possibilidade de alguns aderirem e promoverem a ideologia radical”. “Existem alguns indícios a respeito, transmitindo mensagens ofensivas à cultura ocidental”, lê-se no Expresso das Ilhas que refere o Boletim Oficial do Governo cabo-verdiano.

Hotéis de Cabo Verde podem ser alvo

O Expresso das Ilhas escreve também que, embora Cabo Verde nunca tenha sido confrontado com ataques terroristas, “existem indícios de possíveis ameaças resultantes de grupos radicais que operam no país e que foram detectadas deficiências em matéria de monitorização de acesso e circulação em território cabo-verdiano de indivíduos que poderiam estar ligados ao terrorismo (incluindo AQIM e Boko Haram)”.

O mesmo boletim a que o Expresso das Ilhas teve acesso, refere que o financiamento terrorista não é crime autónomo em Cabo Verde e que apesar dos principais bancos comerciais terem tomado “medidas para integrar as listas de indivíduos e entidades que estã sujeitos ao regime de congelamento de bens nos seus sistemas de monitorização” ainda não existe um quadro jurídico “específico ou abrangente, que regule o cumprimento das Resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas nºs 1267 e 1373”.

O Boletim confirma indícios de fluxos de dinheiro nacional e internacional que poderá ser proveniente de actividades ilícitas, que poderão estar relacionadas com o terrorismo, mas segundo o semanário cabo-verdiano a Polícia Judiciária disse não haver actividades de elementos pertencentes às organizações citadas. (voa.com)

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