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Crise no Bloco: Louçã já admite saída do euro e defende aproximação ao PCP

(Rodrigo Cabrita)
(Rodrigo Cabrita)

Ex-coordenador do Bloco de Esquerda pôs pela primeira vez em cima da mesa a possibilidade de saída do euro

Francisco Louçã admitiu pela primeira vez, na Mesa Nacional do BE do último domingo, a possibilidade de Portugal sair do euro. O ex-líder bloquista sempre afastou este cenário, defendendo que traria mais prejuízos que benefícios ao país. Mas agora, perante o resultado das últimas eleições europeias, Louçã considera que a reestruturação da dívida – essencial para o a economia portuguesa – não terá condições para avançar. O que pode deixar ao país, como única hipótese, a saída do euro.

As palavras do antigo coordenador do BE surpreenderam muitos dos presentes na Mesa Nacional, até porque a saída do euro é um tema discutido internamente – e com vozes a favor dentro do BE – mas sempre foi recusada por Louçã. Mas as eleições europeias de 25 de Maio terão tornado este horizonte mais próximo. Ao que i apurou, o ex-coordenador do Bloco defendeu que a União Europeia se tornou num entrave à democracia nos Estados membros (situação a que não é alheio o Tratado Orçamental, que o ex-líder do partido também referiu). Numa intervenção de cinco minutos, Louçã não aprofundou muito, mas defendeu que, no contexto europeu que agora se desenha não haverá mutualização da dívida nem condições para que se consiga impor uma reestruturação. É neste contexto que a saída do euro se pode tornar na última solução.

Francisco Louçã sempre se manifestou contra a saída de Portugal do euro, por considerar que “as consequências dessa retirada seriam terríveis”. Em 2011 alertava, num debate em Coimbra: “Cuidado com o monstro. A dívida pública portuguesa é grave e perigosa, e a dívida dos bancos é igual à divida do Estado. Nesse dia duplicamos a dívida pública portuguesa com a nacionalização dos bancos”.

No livro “A Dividadura – Portugal na crise do euro”, que escreveu com Mariana Mortágua, os autores afirmam que a saída do euro “precipitaria uma desvalorização agravada dos salários e um aumento suplementar dos impostos e da dívida, ao mesmo tempo que desencadearia inflação e mais desemprego”.

Aproximação à CDU Admitir a possibilidade de saída do euro aproxima o Bloco de Esquerda da CDU e esse foi também, de acordo com vários bloquistas contactados pelo i, a linha de argumentação de Louçã. O ex-deputado foi uma das vozes que se pronunciou contra a proposta apresentada por Ana Drago, de abertura de um diálogo à esquerda com o Livre, o movimento 3D (que foi criticado por Louçã) e o PAN. Para o ex-líder bloquista, a aproximação ao PS já deu provas de não resultar. E o Tratado Orçamental (que o PS votou favoravelmente) vem impor um espartilho às opções políticas, dado que o documento não permite outra política que não a da austeridade.

O i contactou ontem Francisco Louçã, que não quis fazer qualquer declaração. (ionline.pt)

por Susete Francisco

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1 COMENTÁRIO

  1. Saída do euro é a coisa mais certa que ouvi nos últimos anos vinda da Europa. Apoio 100% porque quem não tem condições de arcar com suas dívidas deve sair ou ser saido do Euro. Por outro lado acho que não vão sair, INFELIZMENTE.

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