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Informalidade: A prática da “kixikila”

ANDRADE ANTÓNIO AMBRÓSIO Gestor (Foto: D.R.)
ANDRADE ANTÓNIO AMBRÓSIO
Gestor
(Foto: D.R.)

A ausência de filas de espera, dos processos burocráticos, do favorecimento, da corrupção, assim como a não existência e a não dependência de sistemas de comunicação bancários ou dos sinais da internet, constituem também elementos que motivam as pessoas a aderirem à “kixikila”. Os exemplos do dia-a-dia levam-nos a crer que a “kixikila” tem sido uma “espinha dorsal” das actividades económicas informais da maior parte das famílias.

Porquanto, como nenhum estabelecimento bancário ainda que suficientemente líquido, está disponível em sacar do seu bolso, os kwanzas a favor de um agente informal, por não possuir estatuto jurídico-económico legal; por não pôr em papéis A4 o “hoje” e o possível “amanhã” do seu negócio, é o mesmo dizer da elaboração e análise do projecto empresarial e por ser portador de elevados riscos de vencimento de crédito bancário.

Por conseguinte, como a necessidade de reiventação é inevitável nas actividades comerciais as pessoas apercebendo-se das suas limitações bancárias jogam a “kixikila”, ou seja, acorrem à sua prática. Não obstante a sua informalidade e de constituir passos em falso para a sustentabilidade de quaquer economia, tem de facto adiado a aposentadoria das cozinhas.

A prática da “kixikila” é um termómetro que pode ser usado para avaliar o grau de competitividade e de credibilidade das nossas instituições bancárias e o nível de educação e saúde fi nanceira dos cidadãos.

Tal como sabemos, erradicar qualquer problema, não pressupõe acautelar-se das suas consequências ou eliminá-las, mas sim banir as causas do problema, depois de identificadas e analisadas. Embora a “kixikila” não contribua para o desenvolvimento macro-económico do país, não é de mais lembrar que ela tem sido alternativa para muitas pessoas e ponte para o financiamento de curto prazo, de modo a que as pessoas, sobretudo as mais carenciadas possam reinventar as suas carteiras de negócio e poderem sobreviver.

Não é menos importante, evidenciar a si, prezado leitor, que o artigo em questão, está longe de ser uma ferramenta de incentivo à “kixikila”, pois é um convite à reflexão sobre o fenómeno, através dos cenários causais e consequências da sua prática.

As necessidades básicas quando são urgentes e sob pena de perigar a nossa existência asfixiam o ideal e a alternativa, vulgo opção B, corrompe a opção A e ganha a aderência.

Suponhamos que todos nós decidamos abraçar a prática da “kixikila” em detrimento dos créditos bancários, os bancos não teriam razão de ser e fechariam as portas. As instituições financeiras são, de facto, os lugares ideais para a conservação e gestão de moedas, por via das quais, o dinheiro cresce e as suas características físicas são melhor acauteladas.

A prática da “kixikila” é um instrumento fi nanceiro que acarreta altos riscos frequentes de retorno, pois, poupar dinheiro fora da rede bancária acarreta um alto grau de incerteza, na medida em que são criadas através de contratos informais. O mesmo instrumento motiva a redução ou abrandamento dos depósitos à ordem e, essencialmente, à prazo, incentiva a redução da demanda de produtos e serviços bancários e reduz a capacidade de liquidez dos bancos. Diante destes cenários, os bancos não poderão financiar investimentos e a taxa de desemprego poderá acelerar esse nível, e neste caso, a economia não tem pernas para andar! (jornaldeeconomia.ao)

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