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Rafael Massanga Sakaíta, filho de Jonas Savimbi, ao SA: «Posso vir a ser o presidente da UNITA se os militantes assim o entenderem»

Rafael Massanga Sakaíta, um dos filhos de Jonas Savimbi. (Foto: D.R.)
Rafael Massanga Sakaíta, um dos filhos de Jonas Savimbi.
(Foto: D.R.)

Ele diz, no entanto, que ainda é muito cedo para pensar já em algo que não é sua prioridade do momento. «Um passo de cada vez», sublinha.

Rafael Massanga Sakaita Savimbi, um dos filhos do malogrado Dr. Sa­vimbi, que, apesar de adoentado, acedeu falar ao Sema­nário Angolense, a propósito da sua morte, faz 12 anos precisa­mente neste sábado (22), confes­sou que, embora seja muito cedo para pensar nisso, se um dia os militantes do partido assim o de­sejarem, pode muito bem assumir o cargo de presidente da UNITA, posto ocupado pelo seu falecido pai desde a fundação do então mo­vimento do Galo Negro em 1966 até Fevereiro de 2002.

«Não diria sim ou não. Mas não é o que me interessa agora. Neste momento, interessa-me trabalhar e singrar para que um dia então, se for a vontade dos militantes, eu chegar onde quiserem», disse o filho de Jonas Savimbi que está mais lançado na política, pois é o actual secretário nacional para a mobilização urbana da UNITA, desde princípios do ano passado, no quadro de uma ascensão que pode ser tida como meteórica, tendo em conta a sua ainda muito curta trajectória política.

«Fui nomeado secretário na­cional para a mobilização urbana e estou a dar os primeiros passos na política, apoiado pelos mais velhos. Quero dar um passo de cada vez, para poder alcançar outros patamares», disse Rafael Massanga Sakaíta

Reitera, no entanto, que essa intenção não é sua prioridade do momento. «O presidente do partido eleito é o senhor Isaías Samakuva e o que interessa nes­te momento é trabalharmos to­dos unidos para tornar a UNITA num partido forte e coeso em prol do desenvolvimento e bem-estar de Angola. Se um dia tiver que ser será, mas, neste momento, não é minha prioridade. Sou bastante jovem e ainda tenho muito que aprender», reiterou.

Com essas palavras, Rafa­el Massanga Sakaíta parece ter feito uma inflexão em relação a posicionamentos anteriores, em que não escondia a sua desilusão pela forma como Isaías Samaku­va estaria a conduzir a UNITA, alegadamente a leste da projecção que o seu pai tinha feito para o partido. Ele chegara mesmo a di­zer que se tivesse sido cumprido o testamento político do seu pai, o Galo Negro seria um partido mais coeso , tendo referido ainda o actual líder do partido sequer constava entre os predilectos de Jonas Savimbi para um dia o su­cederem.

Dizia também que a actual cúpula do partido não é muito favorável à ascensão de quadros jovens, algo que a sua condição de secretário nacional, no entan­to, contraria.

Deixando estas considerações de lado, dizer que foi ele quem revelou ao Semanário Angolen­se que a UNITA está a preparar, para este sábado, em Cacuaco, uma grandiosa homenagem a Jonas Savimbi, em alusão ao 12.º aniversário sobre a morte do líder-fundador do Galo Negro. «Será uma grandiosa homenagem com cariz africano, para agrade­cer tudo quanto ele (Jonas Savim­bi) fez», anunciou.

E Cacuaco porquê?, arrisca­mos. Na resposta, Rafael Massan­ga Sakaíta Savimbi explica que foi escolhido este município (nas instalações da Cefopesacas), em jeito de retribuição à boa parte dos eleitores dessa circunscrição pelos bons resultados que pro­porcionou ao Galo Negro no plei­to de 2012.

«A actividade será para ho­menagear o Dr. Savimbi, para dizermos a ele ‘muito obrigado’, mas também servirá para agrade­cermos à população de Cacuaco por ter votado massivamente na UNITA nas eleições passadas», sublinhou.

Conforme disse, além da acti­vidade de Cacuaco, o partido vai levar a cabo outros eventos em diversos pontos do país. «Só que este ano, as actividades serão de cariz marcadamente africano, ao estilo do que se fez com Nelson Mandela. Vamos deixar de lado as cerimónias clássicas, como pa­lestras, encontros, etc., para que a homenagem seja uma festa. Já vi­vemos este dia com muita triste­za, mas, pela dimensão histórica do homenageado, passaremos a lembrá-lo de forma mais festiva», realçou Massanga.

Relativamente à transladação dos restos mortais do seu pai do Moxico para o Bié, referiu que, desde finais de 2012, altura em que aconteceram as últimas con­versações entre o Governo e a UNITA, apesar de se ter chega­do a um entendimento, até agora as autoridades recusam-se a dar «luz verde» para que se complete o processo. «A família deu plenos poderes ao partido para resolver essa questão. O último encontro foi em finais de 2012 e desde essa data que aguardamos por um ges­to do Governo. Infelizmente, até hoje não temos autorização para fazê-lo. Continuamos a aguardar que isso se resolva o mais rapida­mente possível», lamentou.

Na passada, Massanga Sakaíta zproveitou lançar um apelo ao povo angolano, para que, inde­pendentemente da raça, etnia ou cor partidária, prime pela união e harmonia nacionais. «Deixemos para trás as questões menos boas do passado e trabalhemos unidos para elevar o nosso país, porque, enquanto angolanos, estamos condenados a viver todos juntos. E a preservação das nossas tradi­ções, da nossa cultura e da nos­sa história devem fazer parte das nossas preocupações. Apelo prin­cipalmente à juventude, de que faço parte, a empenhar-se na sua formação e no engrandecimento da sua personalidade, porque so­mos nós os futuros dirigentes do país», rematou.

Rafael Massanga Sakaíta Sa­vimbi não aceitou dizer exacta­mente quantos anos tem. «Estou na faixa dos 30, mas muito abaixo dos 40», disse simplesmente.

ONDE ESTÁ REALMENTE O SEU CORPO?

A questão da exumação e transladação dos restos mortais do velho guer­rilheiro do local onde foi enterrado para o Andulo, na província do Bié, continua a apo­quentar não só a direcção do par­tido, mas também (e sobretudo) a família de Jonas Savimbi, que pretende realizar um funeral se­gundo a tradição bantu, em que o óbito só acaba depois de haver um velório de corpo presente.

Após alguns encontros en­tre delegações do Governo e da UNITA, em finais de 2012, era já ponto assente em como a trans­ladação aconteceria o mais bre­ve possível, esperando-se então pela «luz verde» das autoridades. Contudo, mais de um ano se pas­sou e nada aconteceu.

Este impasse começa a confir­mar algumas suspeitas que têm sido levantadas há vários anos segundo as quais os restos mor­tais de Jonas Savimbi não jazem no Cemitério Municipal do Lue­na, como sustenta a versão oficial do Governo.

Para a direcção da UNITA, há uma contradição quanto ao enterro por ter sido sepultado em duas localidades distintas, sendo primeiro no local em que foi morto, no Lucusse, de forma simplória, e dois dias depois, no Cemitério Municipal do Luena, já mais decentemente.

Por este motivo e porque o Governo não esclarece, a UNITA diz que não sabe ao certo o para­deiro do corpo de Jonas Savimbi. «As duas cerimónias para uma só pessoa levantam suspeitas, por não se saber ao certo onde o mesmo terá sido sepultado efec­tivamente», dissera em tempos o presidente do «Galo Negro», Isa­ías Samakuva.

A UNITA tem dito, de uns tempos a esta parte, que está pre­parada para transladar os restos mortais do Cemitério do Lue­na para o município do Andulo (Bié), onde se pretende enterrá­-los condignamente à moda afri­cana, obedecendo ao desejo da família. Ainda segundo Isaías Samakuva, em declarações pres­tadas já há algum tempo, para que tal cerimónia aconteça, é preciso descobrir onde está na verdade o corpo de Jonas Savim­bi.

Esta situação assemelha-se ao dos outros dirigentes da UNI­TA mortos em Luanda durante o conflito pós-eleitoral de 1992, casos do antigo vice-presidente, Jeremias Chitunda, do então se­cretário-geral, Mango Alicerces, de Salupeto Pena, representante na Comissão Conjunta Políti­co Militar (CCPM) e de Eliseu Chimbili, que era o coordenador do «Galo Negro» em Luanda.

«A realização de funerais con­dignos para estes dirigentes ti­nha sido tratada a seu tempo na já extinta CCPM, mas até agora «os corpos não apareceram, nem foram entregues»´afirmara en­tão Samakuva. «É preciso que nos digam onde estão os corpos, se foram ou não enterrados ou saber para onde foram levados. Enquanto se está num processo de reconciliação nacional, pen­dentes como estes não devem ficar sem respostas, porque os fa­miliares, os parentes e os amigos precisam saber a verdade, para depois fechar-se este capítulo», sublinhara o presidente da UNI­TA.

Jonas Malheiro Sidónio Savimbi nasceu a 3 de Agosto de 1934, em Munhango, uma pequena localidade na província Moxico (há quem fale em Bié), de pais originários de Chilesso, na província Bié, pertencentes ao gru­po bieno da etnia Ovimbundu.

O seu pai era funcionário do Caminho de Fer­ro de Benguela e também pastor da Igreja Evan­gélica Congregacional em Angola (IECA).

Jonas Savimbi passou a sua juventude em Chi­lesso, onde frequentou o ensino primário e parte do ensino secundário em escolas da IECA. Como naquele tempo os diplomas das escolas protes­tantes não eram reconhecidos, repetiu a parte se­cundária no Huambo, numa escola católica man­tida pela Ordem dos Maristas. A seguir, ganhou uma bolsa de estudos providenciada pela IECA nos Estados Unidos da América, para concluir o ensino secundário, e estudar Medicina em Portu­gal. Em Lisboa, concluiu de facto o ensino secun­dário, com excepção da matéria «Organização Política Nacional», obrigatória durante o salaza­rismo, não chegando por isso a iniciar os estudos universitários. Entretanto, tinha tomado contac­to com um grupo de estudantes angolanos que, em Lisboa, propagavam em segredo a descoloni­zação e discutiam a fundação de uma organiza­ção de luta anticolonial. Perante a ameaça de uma repressão por parte da PIDE, a polícia política do regime fascista português de então, Jonas Savim­bi refugiou-se na Suíça, valendo-se de contactos obtidos por intermédio da IECA, que, inclusive, lhe conseguiu uma segunda bolsa. Como a Suí­ça reconheceu os seus estudos secundários como completos, iniciou os estudos universitários em Ciências Sociais e Políticas, em Lausana e Gene­bra, obtendo provavelmente um diploma nestas matérias. Savimbi aproveitou a sua estadia na Su­íça para aperfeiçoar o seu domínio do inglês e do francês, línguas que chegou a falar fluentemente.

Morreu a 22 de Fevereiro de 2002, perto de Lu­cusse, na província do Moxico, após uma longa perseguição efectuada pelas Forças Armadas An­golanas (FAA). (semanarioangolense.com-ao)

Por: Kim Alves

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