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Três poemas de J.A.S. Lopito Feijóo K.

(D.R.)
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KURTA ÁFRICA

Não passeia e nunca desce o sol

ilumina alumia e brilha

dá-nos de njamba a ancestral robustez e

o dinamismo de kandimba sempre no auge.

Argumentados com um funge de kandumba

o calculismo e a tranquilidade dos kilambas

os azares dos capazes e a sorte dos audazes rapazes.

Turbulenta auto-estrada e fértil fragrância

alimento sem o qual hoje e depois

não somos o mesmo igual.

Autocratas burocratas tecnocratas ou democratas

aristocratas de sumaúma ou mesmo artistas de rua

com a turva suruma de repetentes olhares!

 

PURA & MADURA

(D.R.)
(D.R.)

Para Aminata Goubel

I

Chamam-me África

pari bastardos e bastantes

que mesmo sofrendo além-mar

seu berço pode e significa.

II

Ncundi ou Npangui são tão filhos quanto tu

do Burundi ou Ruanda

tenho-os tão bem em Luanda [no Kwanda ou na Ganda].

III

– Oh feitiço de carne e ossos:

Sincroniza-te

em razão dos nossos

e como sempre imenso multiplica-te-me.

IV

Sou mulher/mãe entre Yorubas e Bambaras

entrego-te-me pouca, louca e madura

PURA ÁFRICA PURA!

 

 

POEMA PRIMEIRO DA CAUSACapa Jor Cultura

Não importa a cor não importa a dor

– viva a maciez do oiro.

Não importa a voz não importa a foz

– viva o caudal do riso.

Não importa o berço não importa a bênção

– viva a escavação do incauto.

(Extrair do humano o jorro bicôncavo do bicho-da-seda.

Assumir a sede de um outro irmão. Canalizar o milho

Entre nós abundante reconduzindo a lavoura à idade leal)

Não importa a malha não importa a falha

– importa a função do lema.

Não importa o galardão não importa a geração:

–       importa a assumpção da causa. ÁFRICA!

(CULTURA-Jornal angolano de Artes & Letras-edição XXXI)  

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