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    Bairro de Luanda sem água há meses

    Fotografia: Kindala Manuel
    Fotografia: Kindala Manuel

    Ruas do Bairro Mártires de Kifangondo, em Luanda, estão, há mais de um ano, privadas de água potável da rede pública. Estão nesta situação os moradores de 12 ruas que, como alternativa, recorrem à compra de água em bidões e através de camiões cisterna, a preços exorbitantes.
    A água deixou de jorrar nas torneiras desde as últimas obras de requalificação do bairro Mártires de Kifangondo, concluídas há um ano.
    A requalificação resultou na melhoria da qualidade de vida das populações da área. As ruas foram asfaltadas e foram instaladas condutas de águas e a rede doméstica. Mas as torneiras ficaram secas, depois de concluídas as obras.
    “Para nós é uma miragem ver jorrar água nas torneiras, por isso a solução é comprar aos camiões cisternas a preços altos”, desabafou Filomena Arlete, que considera a situação difícil. Para cada bidão de 25 litros os moradores pagam 150 kwanzas. O número de bidões sobe nos dias em que há necessidade de lavar roupa.
    Hilário Garcia, morador na Rua Cinco há mais de 28 anos, nunca passou por situação semelhante. “O Mártires, tal como qualquer outro bairro, já teve carência de água, mas a situação actual é muito mais grave”, disse Hilário Garcia. Interrogado se já tinha participado a ocorrência à EPAL), respondeu que o fez, mas que, até ao momento, a situação mantém-se e sem solução à vista. “Um ano sem água é muito tempo e isso é revoltante. Quando tínhamos as condutas antigas, a água jorrava todo o dia, excepto quando havia corte geral”, afirmou Hilário Garcia.

    Novas escavações

    A necessidade de água é tanta que os moradores estão a fazer escavações no interior dos quintais para a conseguirem a todo o custo pelo menos água salobra.
    Embora já tenha um tanque de 15 mil litros no quintal, Graça Ondina teve de cavar um poço para que ter água no quintal.
    “Nós não sabemos exactamente o que se passa, porque ninguém diz nada mesmo com as reclamações feitas”, disse Graça Ondina.
    Com a escavação de poços quem ganha é Paulo Domingos. Pedreiro de profissão, ele é o pronto-socorro para muitas famílias que recorrem à alternativa dos poços. “Por semana vou a duas ou três casas, onde faço pequenos tanques”, contou.
    Para o trabalho, Paulo Domingos cobra entre 10 e 15 mil kwanzas, dependendo da profundidade. “Às vezes também cobro um pouco a mais, depende da profundidade que os donos solicitarem”, explicou, acrescentando que, embora faça dinheiro, vê com muita pena a aflição dos moradores, visto que nem todos os poços dão água. A requalificação do Bairro Mártires de Kifangondo foi feita pela construtora Odebrecht. O Jornal de Angola contactou a empresa, que disse ter apenas tomado ontem conhecimento da falta de água em algumas ruas do bairro Mártires de Kifangondo. Uma funcionária da Odebrecht garantiu que uma equipa ia ser enviada ainda ontem ao local para apurar as razões da falta de água nas torneiras de 12 das 20 ruas do Bairro Mártires de Kifangondo. O chefe do Gabinete de Comunicação e Imagem da Empresa Provincial de Água de Luanda, Domingos Paciência, também contactado pelo Jornal de Angola, remeteu o assunto para a área de reclamações da subestação localizada no distrito urbano da Maianga. Até à hora do fecho desta edição, não conseguimos estabelecer esse contacto.

    (jornaldeangola.com)

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