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ARTIGO: Alguns factores de dinamização da economia

Gonçalves pereira sinaseA economia angolana está focada, essencial­mente, no sector petrolífero, o que gera uma situação de imprevisibilidade constante, face às oscilações do mercado.

Embora o petróleo vá continuar a ocupar um lugar estratégico na reconstrução nacional e no crescimento da economia angolana, há que mudar este paradigma, no­meadamente na dependência das importações, sendo mui­to importante que a agricultura venha a expandir-se através de projectos privados agrícolas e pecuários de grande di­mensão, permitindo que o país aproveite o potencial deste sector de actividade económica.

Com vista ao relançamento da economia não petrolífera têm sido lançadas iniciativas que promovem e fomentam a actividade empresarial, através de instituições financeiras especializadas em micro-crédito e outro crédito bonificado, com vista ao desenvolvimento de projectos de apoio à agro- -indústria, pesca, restauração e outras produções de bens e serviços, o que é economicamente saudável.

Também, alguns países industrializados têm vindo a dis­ponibilizar crédito directo e em parcerias, em condições financeiras favoráveis, naturalmente, para projectos que garantam viabilidade económica.

Actividades como a construção civil, manutenção, meta­lomecânica, restauração, produção agrícola, avícola, rações animais, produtos frescos, etc. são relativamente fáceis de desenvolver, desde que haja um pequeno incremento finan­ceiro, com impacto positivo no emprego e minimização da dependência exterior.

O Programa de Desenvolvimento das Micro, Pe­quenas e Médias Empresas (PDMPME) é um instrumento de promoção e suporte ao de­senvolvimento da actividade empresarial no país, bem concebido para apoio aos empreen­dedores nacionais, desde que utilizado de forma racional e proporcional.

Ultimamente, há vários bancos facilitadores de crédito às PME em condições mais fáceis e a menor custo, o que é eco­nomicamente favorável.

Salienta-se, também, a importância do Instituto Nacional de Apoio às Pequenas e Médias Empresas, no sentido de colocar em prática a estratégia definida.

Face a este contexto, há que acarinhar as empresas com criatividade e com sentido de investimento, bem como os cidadãos com princípios de empreendedorismo, responsa­bilidade e cidadania, na promoção de postos de trabalho, criação de riqueza e minimização das importações.

Apesar dos apoios financeiros serem muito importantes, é decisivo o capital humano no seu todo, habilitado com formação a todos os níveis de responsabilidade, como for­ma de responder com sustentabilidade às necessidades do mercado, reduzindo os níveis de desemprego.

Os quadros angolanos devem ser mais valorizados e direccionados para as suas áreas de competência pro­fissional, para evitar a problemática de termos quadros fora da sua zona de conforto criando, assim, ineficiên­cias na produtividade.

O Executivo angolano tem vindo a empenhar-se na di­versificação da produção nacional e na criação de emprego, através da formação, entre outras, em artes e ofícios, minis­tradas por centros do Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social (MAPESS).

As medidas que estão a ser postas em prática são coerentes, embora careçam sempre de ajusta­mento, essencialmente, a formação no posto de trabalho que permita habilitar os jovens a tra­balhar em diferentes empresas do país enqua­drando-os na cadeia produtiva de crescimento económico, cada vez mais complexa.

Certamente que, no futuro próximo, as duas grandes potências económicas e agrícolas serão Angola e a África do Sul. Angola tem riquezas agrícolas, terra, sol e água, que não tem a maior parte dos países do mundo. Dispõe de mais de 40 bacias hidrográficas em todo o país, que facilmente e sem grandes investimentos podem servir a agricultura nos mais diversificados produtos agrícolas e produção de gado.

O novo quadro legal do investimento admite a realização de operações por entidades com capacidade técnica e finan­ceira e com idoneidade reconhecidas, desde que os projec­tos se coadunem com a prossecução do desenvolvimento económico do país, permitindo o incremento da economia angolana, num país em crescimento significativo.

Contudo, o crescimento não chega porque cada vez mais os consumidores são mais exigentes devido ao seu nível mais elevado de formação, capacidade económi­ca, conhecimento dos seus direitos e produtos e serviços disponíveis no mercado.

Assim, é muito importante a qualidade dos produtos e serviços a disponibilizar ao consumidor, através da imple­mentação de um sistema de gestão, baseado nos normativos internacionais da ISO 9001, permitindo às empresas uma correcta gestão por processos, onde todas as actividades se encontram bem definidas, acabando por acrescentar valor à produção de bens e serviços.

Por outro lado, a gestão por processos utiliza ferra­mentas em que os diversos processos se relacio­nam e interagem entre si, reflectindo-se no cum­primento de acordos e contratos em tempo útil como, por exemplo, na indústria petrolífera que apresenta requisitos muito exigentes para selecção e avalia­ção dos seus fornecedores.

Como forma de dar a conhecer estes procedimentos e contribuir para a divulgação de boas práticas das Normas Internacionais da Qualidade (ISO) – International Organi­zation for Standardization, numa óptica de competitivida­de e sustentabilidade, realizou-se em Luanda em Março de 2012, a I Edição da Conferência sobre Certificação de Empresas em Angola, promovida pela Sonangol e Instituto Angolano de Normalização e Qualidade (IANORQ).

No programa que incluiu um vasto conjunto de temas, participaram vários oradores nacionais e internacionais, com elevado sentido prático ajustado à realidade do sector empresarial angolano, enfatizando, por exemplo, a indús­tria petrolífera que tem vindo a realizar uma selecção e ava­liação exigente dos seus fornecedores, dando preferência a empresas certificadas pelos normativos ISO.

GONÇALVES  PEREIRA (Sócio fundador SINASE em 1968)

(Jornal de Economia & Finanças)

 

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