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Número de alunos sem sala preocupa autoridades

20130220130323escolaO governador provincial do Uíge, Paulo Pombolo, afirmou segunda-feira estar preocupado com o elevado número de crianças fora do sistema normal de ensino e disse que as autoridades estão a estudar estratégias para evitar que, nos próximos tempos, mais crianças fiquem sem matrícula, como aconteceu este ano, com cerca de 1.200.
Para discutir estes e outros assuntos que afectam o sector, o governador manteve um encontro com os directores e subdirectores das instituições escolares, do ensino primário, do I e II ciclos do ensino secundário. Paulo Pombolo referiu que esta situação tem de acabar na província e defendeu a necessidade de serem encontrados soluções o mais depressa possível, tendo em conta as metas de erradicação do analfabetismo e as políticas relacionadas com a necessidade de formação de mais quadros no país.
O governador apontou a insuficiência de salas como o principal factor que concorre para a existência de muitas crianças fora do sistema de ensino e de alunos que não conseguiram renovar as suas matrículas, devido à obrigatoriedade do Ministério da Educação, que regula a existência de apenas 45 por turma.
Para minimizar a situação, anunciou a entrada em funcionamento, ainda este ano, de mais de 120 novas salas no município do Uígen e a construção de mais escolas em toda a província, para garantir a inserção destas crianças e jovens no sistema normal de ensino.
“Não possuímos, ainda, dados exactos sobre o número de crianças em idade escolar que não frequentam as escolas. Estamos a aguardar que seja feito o censo populacional para termos as estatísticas”, notou. O desenvolvimento social, económico, político e agro-industrial da província passa pela formação qualitativa e quantitativa de quadros, que assegurem o funcionamento destes sectores, defendeu o governador, referindo ser importante o redobrar de esforços por parte dos funcionários do sector da Educação, para que o sistema educativo na província atinja níveis qualitativos equiparados aos de outras regiões do país.

Combate à corrupção

O governador disse também estar preocupado com alguns aspectos que dão conta da existência de actos de corrupção nos mais diversos escalões hierárquicos do sector da Educação na província. Paulo Pombolo admitiu a existência de professores que permitem a transição de classe de muitos alunos, mesmo sem estes terem assimilado quase nada durante o ano lectivo, em troca de dinheiro.Denunciou também o apuramento fraudulento de candidatos que concorrem aos concursos públicos de ingresso no sector da educação. Estas práticas têm contribuído de forma negativa para o normal funcionamento do sector na província, realçou.
“Ouvimos vários relatos de que existem alunos que transitam para as escolas do segundo ciclo do ensino secundário e para as instituições do ensino superior que não sabem escrever e ler correctamente, tudo porque o processo de transição de classes sempre foi facilitado pelo pagamento das chamadas ‘gasosas’, ao invés do conhecimento das matérias que aprenderam durante o ano lectivo ou académico”, criticou. Paulo Pombolo frisou que muitos destes alunos e estudantes levam com eles os maus princípios da corrupção para serem admitidos como professores nos concursos públicos de ingresso, que são facilitados, também, por funcionários corruptos, o que tem provocado a existência de professores sem capacidades e qualificações académicas e pedagógicas nas escolas.

Reforma Educativa

O enquadramento de professores sem qualidades no sector da Educação pode comprometer o sucesso do Programa de Reforma Educativa em curso no país, alertou o governador Paulo Pombolo.
O responsável disse que estes funcionários, cujo ciclo de formação teve suporte na corrupção, não possuem um domínio profundo dos conteúdos que transmitem aos alunos. Ao referir-se ao processo de Reforma Educativa como aposta do Executivo para a erradicação do analfabetismo em Angola, garantiu o reforço das acções de fiscalização e inspecção do sector pelo Governo Provincial, direcção provincial da Educação e departamento de inspecção escolar.
“Os directores das escolas devem saber identificar onde estão as falhas nas suas instituições para as corrigir. Não é benéfico que o gestor de uma instituição de ensino permita que um professor permaneça muito tempo fora do seu local de serviço. Quem vai então ensinar as crianças?”, indagou.

Mais salas de aulas

Para diminuir o número de crianças que se encontram fora do sistema normal de ensino na província, principalmente no município do Uíge, destacou a construção de três complexos escolares, com 24 salas cada, nos bairros Culu, Cocole e Tange, dois com 19 salas cada, no Bem-vindo e Candombe Nove, e de 18 salas no Mbemba Ngango.
A par destas, há a perspectiva da entrada em funcionamento de uma outra de 12 salas, no Candombe Novo, e duas de seis salas, em Quigima e GAI.
A directora provincial da Educação, Ermelinda Samuel, disse que o município do Uíge é o que apresenta um maior défice, em termos de infra-estruturas escolares, e um grande excedente de crianças em idade escolar, que não vai à escola.
Disse que, além do Uíge, o município do Quimbele precisa de mais 292 novas salas, para poderem albergar todas as crianças em idade escolar.
Milunga necessita de 111 novas salas, Mucaba mais 85, Maquela do Zombo 48, e os demais municípios mais 13 salas.

(jornaldeangola.com)

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