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Eckhard Stiller director da PTA-Águas: “Fazer negócios em Angola é muito difícil”

PCASAUDABEA marca Saudabel é o rosto visível do negócio, mas foi no factor inovação (com a entrega porta a porta) que a PTA-Águas se afirmou no mercado. Inicialmente direccionado a um nicho específico de mercado, a empresa começa a ganhar fôlego para novos investimentos. Tudo começou com 200 mil.

Porquê a aposta na entrega de produtos porta a porta?

Porque é um sistema eficiente. Começou nos Estados Unidos, mas tivemos que refiná-lo e adaptá-lo para o mercado angolano. Até porque o sistema de pagamento tinha que ser adaptado devido aos constrangimentos na circulação de dinheiro pelas ruas. Optámos por uma facturação mensal, o que não acontece nos Estados Unidos onde o pagamento é feito na entrega.

Também fornecem máquinas para a colocação da garrafa?

Também. Mas quem quiser pode comprar fora. Fornecemos apenas se o cliente quiser comprar na PTAÁguas.

Mas pode optar por outro fornecedor.

Quanto é que o cliente gasta para ter este serviço?

Depende do consumo. Mas a nossa garrafa de oito litros custa 12 dólares. E inclui o líquido e a entrega à porta.

Investir neste segmento específico, com entrega à porta, exigiu alguma preparação da vossa parte?

Fomos os primeiros a implementar este sistema, em Angola, com a água Saudabel. É uma das águas mais antigas da “nova” Angola. Na altura só havia a Água da Chela, que fornecia água em garrafas descartáveis.

Optámos por este sistema por razões financeiras. O investimento para montar uma linha destas parecia ser inferior a uma linha de garrafas descartáveis. A intenção era limitar o nosso risco antes de investir mais.

Demos conta que era um produto inovador e o mercado aceitou com muita rapidez.

Hoje temos uma reputação alta em termos de certeza, pontualidade e popularidade dos nossos serviços e conseguimos nos estabelecer no mercado com alguma facilidade.

Só que o crescimento da empresa consumia todos os recursos e isso condicionou de certa forma o nosso crescimento e a aposta num segundo produto.

Crescemos de uma empresa pequena com três trabalhadores, em 2000, para hoje termos mais de 200 trabalhadores.

Quanto é que investiu no arranque deste projecto?

Começámos com 200 mil dólares.

E hoje qual é a realidade?

Em termos de património é muito difícil dizer, mas deve estar avaliado entre seis a oito milhões de dólares.

Qual é a facturação média da empresa?

Facturamos acima de dez milhões de dólares só com um produto. A parte que subestimámos foi a dos transportes.

Da entrega porta a porta, que consome muitos recursos. Os custos mais altos são com certeza dentro da área de transportes, manutenção de viaturas, reparação de viaturas, combustíveis, consumíveis…

Com as estradas que temos e com uma frota de 55 viaturas os custos de manutenção são muito altos.

Numa cidade como Luanda como é que se faz do transporte porta a porta um sucesso?

Não funcionamos à base de uma chamada. Por exemplo, o que pode acontecer é recebermos dez chamadas de diferentes pontos da cidade. Neste caso precisaríamos de dez viaturas para satisfazer cada um deles.

Por causa da imprevisibilidade destas chamadas o sistema de distribuição é muito difícil. Optámos por um sistema de distribuição regular em que os clientes têm locais de entrega com planos de entrega semanais, em diferentes dias, e desta maneira conseguimos agendar as voltas.

Cada carro tem a sua rota. Assim podemos evitar que um carro, no mesmo dia, tenha que ir até Viana, depois ao Talatona ou a outro ponto da cidade. Isso permite o agendamento das rotas.

Só estão em Luanda?

Temos uma fábrica no Soyo. E estamos com a intenção de expandir para outras províncias ainda este ano. Vamos ter uma presença em algumas províncias, ainda não sabemos quais, mas é lógico que a aposta vai recair para aquelas cidades com maior população e dinamismo e com maior alcance logístico.

Como é que olha para o nosso mercado em termos de negócio. Fala-se que o mercado angolano apresenta muitas deficiências e irregularidades. Qual é sua percepção?

Posso confirmar que fazer negócios em Angola é muito difícil. Muito complicado. Com muitas limitações, directivas, que em muitos casos não têm lógica e atrapalham a velocidade e o dinamismo do negócio. Mas também temos constatado que ao longo dos últimos anos tem havido um aumento de profissionalismo relativamente às instituições públicas.

O segmento destas instituições está a ficar cada vez mais profissional e ao longo dos anos as coisas vão melhorando aos poucos. Mas ainda há muito por fazer.

Para um pequeno empresário se estabelecer num mercado como o nosso é um inferno.

É uma aposta ganha?

É. Sempre quis ser empresário, mas nos países desenvolvidos os mercados estão saturados embora se consiga desenvolver alguns nichos de mercado. Mas, chegando aqui em 1997, vi logo que Angola era o país ideal.

Com muitas oportunidades. E que mais cedo ou mais tarde o esforço do empresariado iria se tornar uma aposta ganha, embora na altura não soubesse as dificuldades que iríamos enfrentar. Se soubesse acho que não teria coragem para arrancar.

Os vossos recipientes são feitos localmente ou são importados?

Os recipientes são importados e recicláveis. Penso que existe já uma empresa que está a pensar fazer os garrafões aqui e se a qualidade estiver de acordo com os nossos padrões de exigência poderemos deixar de importar. Enquanto isso não acontecer vamos continuar a importar.

SAUDABEL ÁguaOs nossos garrafões são feitos de policarbonato, é um plástico muito resistente e duro e até agora não existe ninguém no mercado local que produza este produto.

Como é que olha para os constrangimentos na importação?

Eu penso que nesta fase a indústria nacional devia ter uma protecção nos impostos e nas taxas aduaneiras.

Mas o que complica bastante são as limitações para fazer transferências financeiras para o estrangeiro.

Em termos de produtos e mercadoria física não temos grandes complicações. O que complica são os serviços. Porque temos uma grande variedade de serviços que contratamos no estrangeiro. Com as dificuldades nas transferências fica muito complicado.

A nível de capital humano começaram com três funcionários e agora têm mais de 200 trabalhadores. Como é que foi esta experiência de crescimento?

Crescemos constantemente durante os últimos dez anos. Nota-se que o mercado angolano tem um défice de recursos humanos qualificados e também com uma certa attitude que o mercado já exige.

Passámos por muitos erros. Temos um índice de rotatividade de trabalhadores significativa, de forma a escolher os melhores. É um processo contínuo. Mas, apesar do que disse, Angola também tem recursos humanos excelentes. É como em todos os países: há bons e maus.

A satisfação do cliente é muito importante. Por isso fazemos tudo para que se sintam satisfeitos. Para este tipo de dedicação precisamos de pessoal com um certo espírito. A sociedade já começa a entender que a qualidade de serviço é imprescindível e necessária para a satisfação de um cliente.

Como é que olha para o sector das águas?

Ainda estamos em fase de crescimento. Temos muitos anos de crescimento à nossa frente. Em termos demográficos Angola está a crescer, o poder de compra da população também está a crescer e cada vez mais a população consegue comprar produtos de qualidade.

Pensamos que ainda podemos crescer mais, não com os índices de crescimento de alguns anos, mas temos margens de crescimento. E o crescimento do país tem que se reflectir no mercado. A indústria de bebidas ainda tem muitos anos de crescimento pela frente.

Quais são os próximos desafios da PTA-Águas?

Recentemente lançámos um novo produto. A água Saudabel em garrafas “pet”. Descartáveis. Em 2013 vamos apostar na consolidação deste produto. E temos outras ideias para produtos relacionados com a nossa água.

PERFIL

Eckhard Stiller é alemão e tem 55 anos. Engenheiro

de petróleos de formação, chegou ao país em 1997, pela mão de uma empresa petrolífera de onde saiu para criar a PTA-Águas. É casado e pai de dois filhos. Nos tempos livres gosta de fazer exercício físico e praticar ciclismo de montanha.

EMPRESA FAMILIAR

Porquê a escolha do nome PTA Águas?

É uma empresa dedicada à produção, tratamento, purificação e engarrafamento de água. O nosso produto está a ser engarrafado neste momento em garrafões de cinco galões, ou seja, 18.9 litros, com a água Saudabel. Somos uma empresa familiar onde todos se sentem em casa.

Porque decidiram começar com recipientes de cinco galões?

Porque é um sistema que foi implementado nos Estados Unidos e eles usam a medida imperial em vez da métrica.

Desde quando é que estão no mercado?

A empresa foi estabelecida em 1998. A primeira garrafa saiu em Março de 2000.

Só fornecem esta garrafa de 18 litros?

Posso dizer que sim, porque a nossa garrafa descartável ainda está a dar os primeiros passos.

Mas futuramente o mercado vai ver outros produtos da nossa empresa.

De onde vem a vossa água?

A nossa água bruta vem do rio Bengo. É uma água de superfície e tem muitas impurezas microbiológicas.

Esta água passa por um processo de nove fases de purificação industrial onde transformamos a água bruta numa água de altíssima qualidade.

Esta purificação é feita nos vossos laboratórios?

É feita nas nossas instalações industriais que estão na zona do Kifangondo.

A nível da qualidade, quais são os padrões?

Trabalhamos com os padrões da comunidade europeia.

Em termos de qualidade e pureza, por causa do processo que estamos a utilizar, ultrapassa qualquer “standard” internacional de pureza. Utilizamos os laboratórios de uma empresa alemã, para onde enviamos as nossas amostras. As análises são muito completas.

Têm alguma certificação internacional de qualidade ISO?

Não. Estamos a trabalhar no sentido de poder cumprir com a norma ISO. Temos o projecto montado e estamos no bom caminho para futuramente poder cumprir com estas normas internacionais de qualidade. O nosso produto é a qualidade da água em si, a qualidade da aparência da garrafa e também a qualidade da distribuição.

Quais são os vossos principais clientes?

O nosso público-alvo está focalizado nas residências com uma ou duas pessoas, empresas familiares, multinacionais e estruturas públicas. Instituições com um consumo de mais de três mil garrafas de água. Temos um leque diversificado de clientes.

FAUSTINO DIOGO (Novo Jornal)

 

 

 

 

 

 

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