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O Fortim e a Fortaleza do Kikombo: Duas cargas históricas sob os olhos do mar

Fortim2Dos registos encontramos a denominação de Baía do Kikombo, mas dos próprios moradores a preferência é a de que a zona seja chamada de Ilha da Madeira. Entretanto, unânime é a situação geográfica: Kikombo, uma das comunas do município do Sumbe, capital do Kwanza-Sul.

O bairro mudou bastante; ganhou luz eléctrica, cantinas, casas de cimento, parabólicas aqui e acolá, mercado, as crianças passam a sorrir e os mais velhos vão livremente à pesca e à lavra, tudo fruto da independência social e ideológica, que o Fortim e a Fortaleza são parte da história.

Fazem cerca de 365 anos desde que o Fortim foi edificado e 155 anos da Fortaleza. Muito se passou. Ambas vizinhas do mar, construídas aí por motivos estratégicos naquelas épocas negras da história: a colonização, o tráfico negreiro, o racismo e a sobreposição de um ser sobre o outro lhes são parte, juntamente com pedras, cimento e canhões, marcas que as identificam e que nos dias de hoje, com o avanço mental das sociedades, se desfazem em histórias.

Ficou registado que o Fortim foi refeito em 1648, com argamassa e pedra. É um imóvel de arquitetura militar, um dos mais antigos monumentos de Angola, serviu para a revolta contra a defesa dos nativos que resistiam à ocupação do território e se opunham ao tráfico de escravos.

Esta fortificação está ligada ao período de ocupação holandesa e consequente conquista portuguesa, erguida pelas forças da esquadra de Socorro do Governador de Angola (1645-1646) e possuía quatro canhões direcionados ao norte, sul, este e oeste da província. Outro registo é o da Fortaleza, construída pelos portugueses em 1858 para fins de defesa contra os nativos, situada a 15 km da cidade do Sumbe.

Serviu, um pouco depois, para conservar escravos que eram transportados para a Europa e a América. Os escravos eram provenientes do Kwanza-sul e de outras províncias vizinhas.

FortimFoi construída com cimento, pedra e areia. Os escravos eram mantidos dentro da fortaleza e a mesma possuía um túnel que dava para o mar, utilizado para facilitar a evacuação dos escravos na calada da noite.

Hoje, ao contemplar estas eternas apreciadoras da maresia do Sumbe facilmente nos vem à cabeça uma rajada de perguntas insubmissas: que imagens dissecariam nas suas memórias?

Que histórias escolheriam contar-nos se lhes caísse por instantes o poder da fala? Quanto viram?

Quanto cochicham com o mar? Por mais que nos tente tentar, a dura e imutável verdade é a de que hipótese e animismos não bastam para quebrar o silêncio e que talvez o próprio silêncio seja a pegada mais acertada para encontrar os seus corações repletos de cargas históricas, oradoras silenciosas da construção material de nós, o Fortim e a Fortaleza do Kikombo continuam prostrados e absortos ante as aceleradas mudanças de tudo à volta.

Matadi Makola  (Jornal CULTURA)

 

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