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Porque é que o dinheiro custa dinheiro?

RuiMalaquiasEfectivamente, o dinheiro tem custos para quem necessita dele e não tem, portanto, que pagar por ele e ao mesmo tempo quem o tem e decide abdicar ou emprestar também tem que ser pago.

Ora vejamos, se alguém se propuser a entregar o seu dinheiro a outrem, este tem de obrigatoriamente pagar um percentual X do dinheiro emprestado, tendo em con­sideração que este percentual X tem de ser igual ou su­perior ao que o dono do dinheiro receberia caso empres­tasse a outra entidade, caso contrário não seria racional.

Obviamente, estamos a falar da taxa de juro da eco­nomia, que é nada mais, nada menos, do que o preço do dinheiro, ou seja, o preço que o dono do dinheiro exige para emprestar e, por outro lado, o preço que o devedor tem de pagar para poder ter acesso ao capital.

Mas a própria taxa de juro tem um limite inferior, ou seja, um limite mínimo praticável que está ligado à taxa de inflação, que é a taxa que mede a subida do nível geral de preços da economia.

Portanto, a taxa de juro deverá ser sempre superior à taxa de inflação, pois se a taxa de infla­ção for de 10 por cento ao ano, quer dizer que o dinheiro perde 10 por cento do seu poder de compra ao ano, então a sua remuneração deve ser sempre superior a este per­centual, para que o mesmo capital investido possa no pró­ximo ano comprar a mesma quantidade de bens que com­prava no ano transacto. Pode-se ainda concluir que quanto mais baixa for a taxa de inflação, menor será a taxa de juro da economia e maior será o acesso ao financiamento.

O preço do dinheiro não é constante para todos que dele precisam, pelo facto de serem devedores com característi­cas específicas diferentes e com risco diferente. Entenda-se por risco em finanças a probabilidade do retorno es­perado ser diferente do retorno efectivo. Neste contexto, quem tem mais risco paga mais pelo dinheiro do que o que apresenta menos risco. É mesmo que afirmar que o credor que apresentar mais incerteza quanto ao pagamen­to do capital, deve pagar mais por este mesmo capital.

Temos o exemplo dos Estados que recorrem à emissão de dívida pública para se financiar. Aqui, o Estado a pe­dir dinheiro emprestado à economia, e para isso tem de pagar por este dinheiro, em caso de emissões internas como as que acontecem com o Tesouro Nacional. O Esta­do, por ser o Estado, paga a menor taxa de juros existen­te no mercado, ou seja, aquela imediatamente acima da taxa de inflação para o mesmo período, de outra forma os títulos por si emitidos não seriam atractivos.

Ao passo que se outra entidade pedir dinheiro em­prestado terá de pagar sempre um percentual adicional em relação ao que o Estado paga, porque esta entidade, diferentemente do Estado que é considerado sem ris­co, apresenta risco específico. Este percentual adicional chama-se prémio de risco que corresponde ao prémio ou remuneração adicional que o proprietário do dinheiro exige por emprestar aquele que não é o Estado e portan­to detém risco. Assim, a taxa de juros paga pelo Estado, serve de referência e todos outros devedores que, de fac­to, devem pagar mais do que o Estado.

O mesmo acontece nas praças internacionais em que os Estados vão financiar-se, na medida em que o preço do dinheiro varia de Estado para Estado, pois uns apresen­tam mais risco ou incerteza do que outros. Neste caso, o mundo financeiro tem como referência as taxas de juro impostas aos títulos de dívida pública dos Estados Uni­dos da América, tido como o verdadeiro “risk free”. Por conseguinte, países como Angola e outros ser-lhes-á co­brado um adicional, ou prémio de risco, de acordo com o seu risco específico.

Naturalmente, o prémio de risco no caso do Estados vê-se agravado quando estas atravessam dificuldades orçamentais com défices fiscais crescentes, de ano para ano. Tal facto transmite ao mercado a ideia de descon­trolo financeiro e indicia uma potencial incapacidade de pagar as dívidas, o que imediatamente acrescenta à sua incerteza e a incerteza é a fonte de todos os males dos mercados financeiros.

RUI MALAQUIAS, Mestre em Finanças e docente universitário.

(Jornal de Economia & Finanças)

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