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da Igreja Universal não fica por aí’

‘Acredito que a questão 
da Igreja Universal não fica por aí’

opais_221_35O que estamos a viver hoje com o caso da Igreja Universal do Reino de Deus e as consequências da actividade do Dia do Fim não terá sido fruto de algumas brechas abertas pelo próprio Estado?

Este acontecimento que nós presenciamos, quer através dos médias quer mesmo alguns pessoalmente porque grande parte da nossa população aderiu à Igreja Universal do Reino de Deus, não posso atribui-lo ao próprio Estado, mas a Igreja mesmo em si. Porque a Igreja é uma instituição socializadora. Nós temos três instituições socializadoras por excelência: temos a família que é principal, na medida em que o indivíduo nasce no seio de uma família; depois da família o indivíduo vai imediatamente para uma sociedade, uma vez que a escola é transmissora de valores. Digamos que é a continuadora e complementar da família e, lógico, temos também a Igreja. A Igreja é a família doméstica, lá estão todos os cidadãos de várias etnias, classes sociais, precisamente à busca do alimento espiritual. Ora, se a Igreja é este instrumento moralizador, é a família doméstica, é ela que se quer o elo de ligação para a formação integral do homem, então é uma instituição idónea para poder rodear-se de mecanismos, estratégias, doutrinas, no sentido da formação integral do Homem. Quando nós acompanhamos este último acontecimento da Igreja Universal do Reino de Deus, vulgarmente conhecido por IURD, em que convida os seus fiéis e toda a sociedade praticamente, porque aquele convite foi geral para uma temática que quanto a mim foi extremamente apelativa e que levou as pessoas a interpretar cada um como convinha o último Dia do Fim. E nós não nos podemos esquecer – e já disse isso à comunicação social em Dezembro – que neste mês houve um alarido que iria chegar o fim do mundo. As pessoas ainda não tinham digerido esta questão do fim do mundo. Ora, aparece um tema apresentado pela Igreja, por uma instituição de moral que em princípio tem uma das funções a salvação da pessoa humana a dizer o último Dia do Fim. O fim de quê? O fim do mundo? Era logo o que a pessoa interpretava. Lógico que toda aquela avalanche que nós verificámos ou presenciámos depois da televisão, aquelas imagens, significa que as pessoas estão imbuídas do medo. E a maior parte da nossa população sabia que são vulneráveis, porque vivem em situações delicadas como a pobreza, sobretudo, dificuldades várias de estruturação da família, desemprego e as pessoas procuram sempre uma solução. E as igrejas hoje oferecem soluções, mas muitas delas são soluções enganosas. São soluções muito manipuladoras em benefício não do individuo, da pessoa humana, mas sim da própria igreja.

O comunicado do Executivo fala em publicidade enganosa.
Mas é uma situação que se vive há vários anos. Temos as manhãs do crescimento financeiro, as tardes do amor e tantas outras promessas. Era necessária a morte de 16 pessoas para se tomar uma medida como a que tivemos em relação à IURD, por exemplo?

Sem dúvidas que o Dani tem toda a razão. O fenómeno religioso é extremamente delicado, a igreja, a religião, tem muita influência no indivíduo e na sociedade. Tendo em conta que temos uma sociedade que relativamente há pouco tempo saiu de uma guerra civil brutal, que grande parte da nossa população não é letrada, atendendo também a este aspecto da imigração em que cada um traz consigo o peso cultural, as experiências vividas, e isto é reportado para Angola. Todos estes factores, a imigração, a guerra e a pobreza, levam com que as pessoas procurem estas soluções. E nós acompanhamos aos poucos que a questão da religião em Angola hoje nos faz dizer que temos um país com diversidade religiosa. Não encontramos apenas uma única cor de religião. É um povo maioritariamente cristão, mas também nós temos não cristãos. Ora, quando começa toda esta proliferação das igrejas e atendendo todos estes constrangimentos sociais e económicos que temos, devíamos ter uma instituição que se dedicasse única e exclusivamente para o estudo do fenómeno religioso.
Mas o Instituto Nacional para Assuntos Religiosos (INAR) não faz isso?

Não posso atribuir estas culpas ao INAR, porque é uma instituição que depende de um departamento ministerial. Não temos quadros com formação diversa sobretudo a nível das ciências sociais. Hoje já encontramos um leque de sociólogos, psicológos, economistas, médicos, juristas, que são áreas sociais que podem debruçar-se sobre a questão do fenómeno religioso. É multidisciplinar e não está encarado só na área da sociologia. Era necessário criar-se uma comissão de técnicos especialistas que pudessem fazer um estudo do fenómeno religioso. Houve várias tentativas e eu falo por experiência própria na medida em que como vocês sabem exerci por duas ou três vezes a função de directora. E como docente e investigadora procuramos sensibilizar os melhores estudantes que nós tínhamos na universidade na área da sociologia, antropologia e história aliciar-lhes mesmo no sentido do fenómeno religioso. Isto encontramos, mas claro que a investigação implica não só a vontade mas também a vertente económica. E aí por vezes não temos encontrado este apoio e tendo em conta toda a explicação que estou a dar, o instituto também não teve um peso para poder fazer trabalhos. Houve trabalhos pontuais que merecem uma certa continuidade. Nós hoje, por exemplo, falamos que aproximadamente temos mil igrejas à espera do reconhecimento jurídico. Estatisticamente até é incorrecto falarmos disso. Isso falo com propriedade, não existem estudos verdadeiramente feitos para nós falarmos do universo de igrejas que aguardam.
Até à altura em que saiu do Instituto Nacional para os Assuntos Religiosos quantas igrejas aguardavam legalização?

O último inventário que nós fizemos – e digo que não foi fidedigno – estavam 900 igrejas. Depois fizemos um balanço, vimos que havia algumas repetidas e eram 800 igrejas. Isto foi em 2010, nós estamos em 2013, apesar de estarmos em meia-dúzia de dias. Significa que já se passaram dois anos, o fenómeno religioso é veloz, evolui todos os dias. Em cada rua, esquina ou praça, encontramos alguém a anunciar a palavra de Deus. Alguém a dizer que é profeta, pastor, evangelizador, que faz milagres. Repare que o que aconteceu com a Universal, uma igreja reconhecida e que o Estado impede que no prazo de 60 dias faça os seus cultos, muitas igrejas reconhecidas dentro do neo-pentecostalismo, fazem esta publicidade enganosa como dizia. Constantemente vimos grandes dísticos anunciando que “hoje vai ser o milagre não sei de quantos”. Cristo nunca anunciou milagres. Se verificarmos na Bíblia, Cristo nunca publicitou milagres. Ele até dizia aos seus apóstolos: não digam o que viram.
Acha que a medida tomada em relação à Universal é a mais adequada e devia ser extensiva às demais igrejas neo-pentecostais?

Penso que sim. Foi uma medida bastante correcta precisamente porque atingiu-se retirar a vida a muitos inocentes, que dentro da sua vontade e daquilo que a igreja propagava levou a encontrar aquele lugar como um espaço de salvação. Mas eu penso que trabalhos deste género o Executivo deve ter a coragem de o levar avante. Não é apenas a Igreja Universal do Reino de Deus e algumas também que foram apontadas, quando temos igrejas com personalidade jurídica, o que significa dizer um parceiro social do Estado. Como parceiro natural do Estado, ele tem como substrato comum os cidadãos, a sua segurança e formação. Então é importante que começamos a não autorizar estes cultos em grandes espaços, a questão dos milagres que se realizam, amanhã vai haver um culto da prosperidade, do arranja marido e não sei quanto. Isto são problemas e necessidades reais que as pessoas vivem e que as igrejas vão manipulando. E esta necessidade, como sempre, nós procuramos soluções, acho que isso também é uma questão de pouca fé. Eu com fé não preciso saltitar de igrejas em igrejas. Porque se tenho fé em Deus encontro-o em minha casa, falo com ele em minha casa e na igreja onde estou. A nossa sociedade está de tal maneira que hoje não há quase indivíduos que esteja numa instituição religiosa que foi iniciado. Hoje as pessoas saltitam. Fui baptizada na Igreja Católica e amanhã me dizem que a Igreja Pentecostal Evangelizadora de Cristo faz milagres, aconteceu isso, aquilo e eu vou. Isso só significa falta de fé. Então é importante na verdade que se tome medidas, que se faça um estudo do fenómeno religioso e que se olhe para ele como um fenómeno social total. Porque o fenómeno religioso mexe com a vida das pessoas. Nós temos duas grandes vertentes: a material e a espiritual. Esta vertente espiritual assenta essencialmente na religião, na moral. Onde está esta religião ou moral? Está precisamente nesta fonte socializadora que é a Igreja. E quando nós brincamos com a função espiritual da Igreja, estamos a brincar com a dignidade da pessoa humana. E aí, repito, é importante que se tome medidas, que se dê um peso maior às instituições, mas credibilidade aos técnicos e especialistas do fenómeno religioso, porque existem neste país, e não são às vezes nem tidos nem achados. Não sou apologista que tenhamos que recorrer constantemente a estrangeiros, porque felizmente ainda temos quadros que possam fazer, o que não significa dizer que a gente não possa trocar impressões. Em primeiro lugar temos que fazer estudos no nosso país, com os nossos técnicos. Temos hoje teólogos que são formados em ciências sociais, portanto têm o peso da formação teológica e o das ciências sociais, quer na Sociologia, Antropologia e História. Tenho trabalhado com muitos deles.
Não estaremos perante uma situação de dois pesos e duas medidas, tendo em conta a penalização da Igreja Universal e o que aconteceu com a Maná Igreja Cristã, que acabou por ser banida?

Não vou para dois pesos e duas medidas porque aquilo que ouvi no comunicado diz que o caso da Igreja Universal do Reino de Deus não terminou por aqui. Ela está proibida de fazer os cultos, mas a situação criminal continua. Significa dizer que o Ministério da Justiça está a estudar estes casos e daí vai-se tirar as últimas conclusões. Penso que daquilo que ouvi, o caso da IURD não terminou, foi apenas uma medida no prazo que foi estipulado pelo nosso Presidente da República em que o povo tem de saber foi retirar a possibilidade de realização de cultos e foi muito esclarecedor quando diz que a parte penal ou criminal vai prosseguir.
Que tipo de métodos acha que são utilizados por estas pessoas quando vemos cenas praticamente de exorcismo, xinguilamentos e convencem até as pessoas a retirarem darem à igreja o último tostão que têm nos bolsos, supostamente porque verão os seus problemas ultrapassados?

Como disse de início, não há dúvidas de que existem igrejas que exploram até a vulnerabilidade dos indivíduos. E como nós vimos, há pessoas carentes, que têm problemas diversos e a Igreja que é conhecedora, porque existe sempre um diálogo entre o fiel e um determinado pastor. Quantas vezes a vertente psicológica pesa bastante; outras a pessoa fragilizada até inclusivamente vai exteriorizando o problema que vive, começa a nascer uma relação de confiança tão forte entre o pastor e a Igreja. E isso é explorado. A grande estratégia é precisamente explorar até ao máximo a psique da pessoa. É psicológico, as pessoas estão fragilizadas, não estão informadas e quantas vezes até dissemos que perdeu o juízo, sentido e são levadas. Quando nós tocamos nesta vertente económica, que muitos não têm e põem esta figura divina como uma figura interesseira em que tu só recebes se deres até ao último tostão. As pessoas vão dizendo que tens que entregar este ou aquele bem senão Deus não te vai atribuir o que tens, isto é uma manipulação. São atitudes enganadoras que levam as pessoas às vezes a ficarem frustradas porque não conseguem atingir este objectivo e aí leva-lhes a sair desta igreja para outra ou a odiar a própria igreja porque sentiu-se enganada. É a igreja que tem seu papel, quer espiritual como social, compenetrar-se que ela é uma instituição de bem, de formação integral da pessoa e portanto o ser pastor não é uma profissão qualquer. É uma profissão que está muito ligada à pessoa humana, que diariamente tem que encarar a pessoa e formá-la. Então ser pastor não é a bel-prazer, não tem de modo algum esta vertente económica, mas tem acima de tudo esta vertente social.
Sabemos que é socióloga e não jurista, mas pode  dizer-nos se é possível um crente que se tenha sentido enganado solicitar de volta os seus bens?

Acho que aqui está uma questão jurídica e acho que só a Polícia ou a Justiça é que pode efectivamente. Se houve burla, acho que a Justiça tem os mecanismos jurídicos suficientes para poder punir, atribuir uma pena porque a pessoa foi enganada.
O que é que se podia fazer com os cultos que entram pelas nossas casas através dos canais de televisão por satélite utilizados pelas igrejas Universal e Mundial, que se encontram proibidas?

Acho que aí é uma questão da fiscalização porque há órgãos específicos para poder ver até que ponto esta orientação do Executivo tem que ser cumprida. Houve uma ordem e os órgãos adstritos devem fazer cumprir.
Encerrar os canais?

Efectivamente. Encerrar e para já devem ser publicitados em jornais, rádios, dísticos, editais porque às vezes há pessoas que não vêem a televisão. Recordo-me que no dia seguinte acho que a TV Zimbo fez uma certa sondagem e houve uma jovem que disse que continuava na Igreja a fazer cultos até o Executivo lhe mandar o documento, o que revela uma certa ignorância. Como nós sabemos, o nosso povo não é suficientemente informado, é importante que se publicite, dê maior visibilidade a estas questões. E o caso que aconteceu com a IURD, todo o processo que está a decorrer, é importante que as pessoas tenham conhecimento para que as igrejas que assim procedem começam a ser mais cautelosas. Acho que esse trabalho do fenómeno religioso merece um estudo profundo e medidas, porque está a atingir situações muito alarmantes que muito de nós desconhecemos assim publicamente. Há pessoas às vezes que não denunciam para salvaguardar o seu bom nome e a sua própria pessoa, mas quantas vezes elas desabafam que foram enganadas, exploradas sexualmente. Há pastores que violam os seus fiéis porque dizem que espiritualmente receberam estas orientações. Está a ver o quanto é grave esta questão, então é importante que haja uma relação harmoniosa, solidariedade e cooperação entre o Estado e a Igreja. Isto não implica de modo algum que o Estado desempenhe o seu papel. O Estado é laico, está na nossa constituição desde 1975, continuamos na Constituição de 2010, mas sabemos que a sociedade não é laica. É importante que se faça sentir à sociedade o peso da religião e vice-versa. E a igreja também em relação à sociedade.
O que dizer o facto de muitas destas igrejas ou seitas expandirem as suas actividades para outros sectores. Alguns querem ter rádios e canais de televisão e outros investem em supermercados e outros negócios retalhistas. Não é perigoso?

Eu penso que sim e merece uma reflexão profunda. A experiência de alguns países, falamos por exemplo da África do Sul que é um país vizinho ao nosso, a igreja reconhecida paga imposto.

Aqui não pagam imposto. Aquele que se diz pastor, que provoca conflitos na sua igreja para poder formar uma outra, já pensa duas vezes porque vai pagar um imposto. E pela experiência de outros, há realidades que são muito próximas à nossa, embora cada um tenha a sua realidade. Podemos ver a experiência de uns e de outros e em função da nossa realidade, se se coaduna, tomarmos algumas medidas. Tudo isto está dentro desta questão que todos nós estamos preocupados, que é o resgate dos valores. Estão em jogo os valores morais, sociais, o amanhã deste país, porque nós os educadores sociais, dirigentes, responsáveis, não nos preocupamos com o dia de hoje apenas. O maior problema está precisamente no amanhã e para que nós tenhamos um amanhã desenvolvido e próspero é importante que se forme hoje esta juventude, que se olhe para estas famílias cuja violência doméstica vai aumentando, a delinquência vai galopando, a falta de respeito é assustadora. Hoje ninguém respeita ninguém, então é importante começarmos a olhar – e tenho falado às vezes “com olhos de ver”- a este indivíduo ou pessoa humana. E para isso é importante que a família, escola e a Igreja estejam de mãos dadas. Cumpram o seu papel e a sua responsabilidade social para que o nosso país se orgulhe amanhã.

O Estado autuou as igrejas neo-pentecostais, mas observamos o crescimento assustador do islão no país, mesmo sabendo que é uma religião tida como ilegal no nosso país. O que é que se passa?

Eu penso que este estudo do islamismo enquanto religião está a ser feito e o islão está dentro do pacote de instituição religiosas não reconhecidas. Todos nós falamos que existe um número considerável de instituições religiosas não reconhecidas, a liberdade de culto, e todas aquelas que atentam contra a ordem pública, as leis do Estado, lógico que são punidas. O Estado laico, no seu artigo 1º e 2º, está assim estipulado. Mas é importante começarmos, por um lado, a encarar esta diversidade religiosa, até que ponto traz vantagens para a sociedade angolana. Por outro lado, temos que encarar o aspecto da globalização sem perder de vista a nossa realidade.
Mas os muçulmanos continuam a construir mesquitas em Luanda e no interior. Não é desrespeito?

Há como disse a liberdade de culto, mas penso que o Executivo tem as suas medidas, estratégias, mecanismos e procedimentos para a questão do fenómeno religioso. E quanto ao islão encaro-a como outra religião qualquer nesta situação, em termo de falta de personalidade jurídica. Acho que o próprio Estado vai dar solução e neste último despacho ouvimos que vai haver a revisão da Lei 2/04 que atribui personalidade jurídica às igrejas. É uma lei que não tem razão de ser, ela não se coaduna mesmo com a realidade.
O que pensa que deve ser alterado nesta lei?

Neste momento não tenho a lei presente, mas posso lhe dizer que há um dos requisitos que fala da proveniência da igreja, se é nacional ou internacional, o número de crentes, até que ponto estes 100 mil crentes poderão pesar no reconhecimento. A questão da representatividade da própria igreja. É uma lei que não se aplica à nossa realidade, é muito  permissível efectivamente na questão da proliferação da religião e até a estes desacatos da ordem pública. É importante dar-se mais peso à lei e criar uma instituição que tenha capacidade e autoridade para se poder analisar essa questão do fenómeno religioso, que é extremamente importante na nossa sociedade.
A religião pode ou não ser um perigo social?

A religião não é um perigo social. Nós temos vários perigos sociais e não vamos atribuir à religião como sendo um. Ela pode tornar-se um perigo social se cair por exemplo na questão do extremismo como qualquer outro fenómeno. O importante é que saibamos encarar o que é a religião, a sua influência na sociedade e no indivíduo, e vê-la como um fenómeno social como qualquer outro que temos, como a saúde, educação, a cultura. Evidentemente não vamos ver o aspecto patológico que podem levar a religião, porque às vezes são meros oportunistas que levam a esta patologia da religião por fins inconfessos. Não vou de modo algum com esta tendência de que a religião é um perigo social.
Tem conhecimento que as Testemunhas de Jeová não cantam o hino nacional, não recebem e nem doam sangue, assim como se recusam a prestar o serviço militar. O que pensa disso?

São questões que a própria lei e a Constituição respeita, como a liberdade de consciência e de culto, mas desde que não atentem a pessoa humana e a ordem pública. E a religião é este aspecto que atribui as liberdades de expressão. Penso que há questões muito mais profundas do que a actuação de algumas igrejas, apesar de termos de ter alguma preocupação de não cairmos em aspectos que vão ferir a dignidade da pessoa humana. Em primeiro lugar está a pessoa humana e aí é que temos de salvaguardar e zelar pela sua segurança. Daí é que está a importância do Estado em ter aplicado estes 60 dias à Universal e outras igrejas, decorrendo este processo porque esteve em causa a segurança das pessoas, algumas das quais perderam a vida. O Estado não pode de modo algum ficar com os braços cruzados e estou convencida que este processo não vai ficar por aí. São medidas que se tem de tomar porque está em causa a pessoa humana e não podemos de modo algum tirar com leviandade introduzir milhares de pessoas num espaço em que cabia um número exacto. Qual foi o objectivo que os levou a encher o estádio com aquelas milhares de pessoas? Houve um objectivo. E as pessoas que estiveram no terreno a estudar detectaram qual foi o objectivo que levou a igreja…
Pode nos dizer?

Posso fazer as minhas análises, apresentar hipóteses, mas não posso fazer afirmações na medida em que não fiz trabalho de campo. Neste aspecto gosto de ser cautelosa.
O MPLA está ciente do perigo que pode representar este fenómeno religioso?

Está. O MPLA respeita a liberdade de culto e de religião, procura condições que possam melhorar a condição da pessoa humana e daí a criação deste Gabinete para Cidadania a Sociedade Civil, atendemos todo e qualquer cidadão que a nós recorre à procura de solução. Quando não temos solução para este caso encaminhamos para as instituições devidas que possam dar solução aos problemas que possam surgir nas pessoas. E a questão do fenómeno religioso tem sido trabalhada pelo nosso partido juntamente com o Executivo. Por isso não está à parte, indiferente a esta questão.
Fala-se que muitas destas igrejas estabelecem-se no país com um braço político, que pode ser um dirigente ou responsável partidário. Nunca ouviu falar nisso?

Não. Qualquer pessoa é livre de se filiar num partido político e daí as liberdades individuais existirem. E o facto de pertencer a uma filiação religiosa não significa dizer que ele não pode filiar-se a um partido político. As pessoas são livres.

Dani Costa
(opais.net)
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