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Angola inteira unida contra a violência

20101231082030vioA violência é inadmissível em toda a sua dimensão e característica, sendo um recurso permanentemente condenável. Nada justifica o uso da violência para atingir determinados fins, na medida em que contraria todos os fundamentos em que assentam a vida tranquila e sossegada.
Não é exagero dizer que grande parte da sociedade angolana ficou chocada com os actos bárbaros de violência de que foram vítimas duas mulheres suspeitas de terem furtado uma garrafa de champanhe francês num supermercado.
A reacção pública de repúdio compreende-se naturalmente porque Angola é um país onde se respeita a dignidade da pessoa humana, como manda a Constituição da República. Todo e qualquer acto de violência gratuita é, em qualquer circunstância, inaceitável e inadmissível. Não acho que os angolanos tenham sido e sejam parte de uma sociedade violenta. O legado da guerra que o país viveu não justifica a onda de violência em que são vítimas, na maioria das vezes, mulheres e crianças. Tão pouco me parece que a herança cultural fundamente boa parte dos actos de sevícias e maus-tratos em que são vítimas pessoas indefesas.
O recurso à violência é a todos os títulos reprovável e inaceitável. É verdade que ainda existem situações de justiça pelas próprias mãos, mas as autoridades têm feito um esforço notável para acabar com esses actos de barbárie. Estou a lembrar-me de homicídios praticados numa província e que foram punidos severamente pelos Tribunais. Nessa altura, alguns intelectuais defenderam a inocência dos autores desses crimes hediondos com o “direito costumeiro”. Felizmente deixaram de ter espaço nos Media, para bem de todos, a começar por eles próprios.
A cultura da violência entra pelas nossas casas dentro através da televisão, que passa em horário nobre programas especialmente violentos. Se as famílias não forem capazes de “filtrar” essas mensagens, rapidamente a sociedade do espectáculo ganha terreno e as crianças e jovens são influenciados de uma forma negativa. Daí à violência gratuita, vai um passo muito curto. O que existe na televisão é para imitar, seguir e levar a sério. O mundo está a ser submerso em mensagens que instigam à violência e desvalorizam a vida humana. Basta ver o conteúdo de alguns filmes onde por nada o “herói” mata rapidamente os todos os que lhe atravessam à frente.
O mundo está, hoje, cada vez mais interligado. Os Estados promovem os direitos humanos, as liberdades fundamentais, a dignidade e o valor da pessoa humana, a igualdade de direitos dos homens e das mulheres.
Em Angola, o desenvolvimento e o progresso que se registam, estão intrinsecamente ligados à observância do respeito mútuo, da promoção da tolerância, do cultivo de valores como a fraternidade, a solidariedade e a justiça social. Claro está que os casos pontuais de ­violência que se registam são actos e comportamentos em que a maioria dos angolanos não se revê e prefere deles se distanciar. Basta ver a onda de repúdio que ecoou por toda a Angola quando as bárbaras agressões contra duas mulheres no escritório de um supermercado foram tornados públicos.
O diálogo ganhou forma e raiz no convívio social, cultural e político, ao ponto de se privilegiar sempre a concertação em detrimento da justiça pelas próprias mãos.
No capítulo da protecção dos direitos, liberdades e garantias fundamentais dos cidadãos estamos ao nível do que melhor existe no mundo. É impensável, alguém ficar impune se comete um crime. Já lá vai o tempo e esperamos que nunca mais volte, em que atiravam mulheres e crianças para as fogueiras ou se assassinavam médicos e cientistas na cidade do Huambo, como aconteceu com o Dr. David Bernardino ou o engenheiro Marcelino. Mas não podemos meter a cabeça debaixo da areia e pensar que esses crimes hediondos não deixaram marcas e não estão na origem da justiça pelas próprias mãos. Nada na vida acontece por acaso.
Ainda bem que a sociedade despertou para estes casos, mostrando predisposição imediata para colaborar com as autoridades.
O país aprovou legislação que combate energicamente todas as práticas que coloquem em causa os fundamentos da liberdade, da justiça e da paz entre os angolanos. Angola é signatária de várias Convenções Internacionais que proíbem práticas que atentam contra a dignidade humana. Internamente, a aprovação da Lei Contra a Violência Doméstica contribuiu para a tomada de consciência sobre os problemas relacionados com a violência dentro do lar. A sociedade angolana caminha para declarar tolerância zero a todas as formas de violência, porque há muito que deu conta que o desenvolvimento e o progresso só são possíveis com a observância plena dos direitos e liberdades. (jornaldeangola.com) Afonso Mbumba

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