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Pela morte de João Van-Dúnem: DEIXEM CAIR AS LÁGRIMAS

joaovandunemMorreu João Van-Dúnem! A notícia deixou-me desconcertado, à noite, cerca das 23.30, quando um telefonema do director do Portal de Angola, Jorge Monteiro põe-me ao corrente da situação. Foi um choque brutal!

Não estávamos à espera, nem sequer preparados para aceitar a notícia. Quem pode acreditar numa coisa destas, quando há dias comentávamos o facto de não atender o telemóvel, sem vislumbrarmos os motivos para tal? Era seu hábito atender ao primo Jorge Monteiro, com quem partilhava grande amizade, a ponto de um acolher outro em sua casa. “Acho estranho, o João não atender às minhas chamadas, há vários dias. Normalmente faz-me o retorno logo a seguir. Quero falar com ele sobre o acordo de colaboração com o Portal de Angola e ele não dá qualquer sinal de vida”, dizia-me Jorge Monteiro em jeito de desabafo. Na realidade, travava na Alemanha, o último combate pela vida, segundo informação que me foi fornecida ontem à noite por Filipe Correia de Sá, administrador executivo da Medianova, ao confirmar o desaparecimento físico de João Van-Dúnem. O colega e o amigo de todas as horas não conteve a emoção e pela sua trémula voz pude render-me à evidência e também deixar-me levar pela dor de ter perdido um amigo, um colega, um camarada. Veio-me a lembrança os anos 80, altura em que na diáspora, sob o manto da emigração, recordávamos e vivíamos Angola com saudade e a promessa de um dia regressarmos e ocuparmos o nosso lugar, na comunicação social. O João, o Filipe e o saudoso Ricardo de Melo eram amigos  inseparáveis e acolheram o colega, que era eu, com o maior apreço. Procuraram ajudar na minha inserção nos medias portugueses, que admitiam a colaboração de jornalistas angolanos. Não foi fácil encontrarmos caminhos, pois as feridas da separação política entre Portugal e Angola, não estavam suficientemente saradas, para permitir o acesso ao emprego a emigrantes angolanos. Para mais num ramo, como a comunicação social, marcado por acentuadas diferenças ideológicas. O processo teria desfecho feliz, quando o João Van-Dúnem assumiu o cargo de Chefe de redacção do semanário África, do falecido Leston Bandeira. Estava eu a frequentar o curso de licenciatura em Economia e o João convida-me a colaborar no semanário, com direito a tratamento especial, dada a minha condição de estudante universitário, chefe de família e a necessitar de um apoio material. Os meus honorários eram pagos na hora e mais só tive a agradecer o gesto  do camarada e amigo, que nutria grande apreço aos profissionais angolanos da comunicação social. O trio de amigos desfizera-se, mas os laços perduraram. O Filipe partiu para Cabo Verde e o Ricardo de Melo regressaria a Angola, tempos depois, para abraçar dois projectos que considerava inadiáveis: o relançamento do semanário “A Palavra”, e a newsletter “Imparcial Fax”, que veio inspirar novos conceitos no panorama da media angolana. Infelizmente o seu protagonismo resultou no brutal assassinato da sua pessoa, até hoje por esclarecer. Os dois, Filipe e João iriam mais tarde compor o desk África da BBC, onde exerceram com mérito, a sua profissão.

João Van-Dúnem aguentou enquanto pôde, as rédeas do “África”, que viria impor  regras de comportamento, sobretudo na forma depreciativa, como os portugueses viam África e as suas ex-colónias em particular.

O seu nome, associado a figuras históricas da revolução angolana (era irmão de José Van-Dúnem, uma das vítimas do processo 27 de Maio), impunha uma certa contenção na apreciação e tratamento do ser angolano, pela mídia portuguesa.

De trato afável, era um cavalheiro e sabia incutir confiança na amizade ao próximo, amigo dos seus amigos e com muita mágoa, que sinto o seu desaparecimento prematuro. Por isso digo e convido a todos aqueles que nutrem estima ao carácter e personalidade de João Van-Dúnem: deixem cair as lágrimas!

DIAS DOS SANTOS

 

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12 COMENTÁRIOS

  1. A Nação Angolana vai perdendo o melhor dos seus filhos. E uma Nação, qualquer que seja, precisa de homens e mulheres que pensem e amem a terra. E a Angola não deveria escapar a essa regra. E o João Van-Dunem deixa essa saudade de pensamento e de intelectualidade que tanta falta faz em Angola. Recentemente, o Presidente José Eduardo dos Santos referiu na reunião do Comité Central que não basta ser militante do MPLA. É preciso quadros que saibam e tenham cultura e visão estratégica. A perda do João Van-Dunem, é mais uma perda de inteligência angolana. Este é um exemplos entre outros quadros angolanos dentro e fora do País. Maria Pimentel Guerra Muxima

  2. Deixo Cair as minhas lágrimas sim! Pelo bom amigo, sempre amável, simpático, carinho no jeito de falar, um verdadeiro gentleman; sempre pensando nos outros; atento aos seus problemas e disposto a ajudar, cuidadoso no trato com crianças; um verdadeiro padrinho (pai), sempre presente, acolhedor em sua casa, bom conselheiro…
    Meu compadre, tão cedo nos deixaste, tantas saudades deixaste, faltam as palavras nessa hora…
    Vais estar sempre guardado nos nossos pensamentos e nos nossos corações.
    Meu maior desejo é que estejas ao lado de Jesus Cristo, em sua Glória. Que quando Jesus volte e a trombeta soe, tu te levantes para a eternidade ao lado do Senhor.
    Que a tua alma descanse em Paz!

  3. Subscrevo tudo que fói aludido anteriormente:
    – Bom amigo – um Homem Superior,dos melhores filhos de Angola – um verdadeiro pai e gentleman, um Eminente intelectual.
    É repugnante testemunhar que um Angolano com uma biografia notável e, um curriculum extraordinário, tenha passado grande parte da sua vida refugiado do País, acabando por falecer refugiado, mesmo trabalhando na Média-Nova e vivendo em Talatando.
    Não consigo mais chorar de tanto sofrer neste País.
    Honremos a sua memória, combatendo a Cleptocracia reforçando a Democracia e a liberdade de imprensa.

  4. muita tristeza sim pela noticia da partida do Joao!
    ainda em tempos estive com ele, sempre tao doce e querido,
    como foi isso acontecer?!!
    ainda me custa acreditar… as minhas condolencias à familia, descansa em paz Joao!

  5. Conheci-o algures neste mundo cada vez mais globalizado. Conversamos por pouco tempo. Muitopouco tempo mesmo. Mas foi suficiente para descobrir nele a alma de um GRANDE HOMEM! May his soul rest in peace in the grace of the LORD.

  6. lamento muito mestre porque ainda tinhamos muito que aprender com tigo pois quero que a sociedade saiba que pelo teu historial é um enorme vazio no seios da massa juvenil que tua alma descança em PAZ e que o senhor nosso DEUS te proteja seja aonde fores.

  7. Assisti hoje à missa de corpo presente, na Basílica da Estrela, em Lisboa. A abarrotar de gente, surpreendente até para mim, que sei quão aglutinador o João foi
    As palavras ditas pela irmã, a Francisca, foram de uma lucidez comovente.
    Encolhia as minhas lágrimas. Há quanto tempo não te via João? Que afazeres nos impediram de dar as mãos e sorrir-nos, com o sorriso largo que sempre nos demos?
    Beijos até ao fim do mundo, Amigo..

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