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A Língua Portuguesa na Era Digital

No âmbito das novas tecnologias de informação e da atual Sociedade de Informação, questões como o património imaterial e património documental digital fazem parte de um conjunto de questões que vão reunindo em diferentes lugares do mundo, especialistas das áreas do património, da história, da sociologia e da comunicação, para em conjunto, pensarem nos desafios múltiplos que se colocam face ao património cultural em várias regiões do mundo ou às línguas.

Recentemente, um estudo publicado sobre “A Língua Portuguesa na Era Digital “, título da obra bilingue, organizado pelos editores alemães Georg Rehum e Hanz Uszkorei e vários coautores das Universidades de Lisboa, de Évora e do Instituto Superior Técnico, refere no sumário executivo da obra e cito que a “ linguagem humana é uma porta para o mundo que nos rodeia. É usando a linguagem no dia-a-dia que comunicamos, que aprendemos, trocamos informação, planeamos o nosso futuro, nos coordenamos uns com os outros para melhor agirmos em conjunto, efabulamos ou nos comprazemos com a leitura de um história ou de um poema.”

E acrescentam os autores que “ na era digital e num mundo globalizado, a linguagem humana é também uma das maiores barreiras comunicacionais com que nos deparamos. As novas tecnologias da informação e da comunicação colocam ao nosso alcance pessoas de todo o mundo com quem será possível interagir, assim como um acervo ilimitado de informação a que será possível aceder”.

Mas a esta pertinente análise, os autores não deixam de referir uma outra problemática e que decorre como afirmam no facto de “ cada um de nós, este novo universo, na sua quase totalidade continua inacessível e fechado, encerrado nas fronteiras invisíveis das línguas que o dividem.” Dividido em quatro capítulos e vários subtemas, o estudo “A Língua Portuguesa na Era Digital”, centra-se nas “ Línguas em Risco: um Desafio para a Tecnologia da Linguagem”, “ O Português na Sociedade de Informação”, a “ Tecnologia da Linguagem para o Português” e por último explica o que é a META-NET que consiste numa rede financiada parcialmente pela Comissão Europeia e que em Novembro de 2011, integrava 54 centros de investigação de 33 países europeus. Curiosamente, destacam os autores deste trabalho cientifico que a “ Europa será talvez um caso paradigmático do impacto resultante das barreiras linguísticas “, porque apesar da imensa diversidade cultural e linguística que caracteriza o continente europeu como salientam os investigadores deste estudo, também dizem que “ da língua portuguesa à polaca ou da italiana à islandesa, os cidadãos europeus são confrontados com a dificuldade de comunicar entre si em diferentes línguas, tanto no dia-a- dia, como na esfera dos negócios ou da política.”

Salienta o professor António Horta Branco da Universidade de Lisboa e coautor da publicação “ A Língua Portuguesa na Era Digital” num artigo de opinião que “das mais 6000 línguas existentes no planeta, o português encontrase entre as cinco com maior número de falantes, o que lhe dá a oportunidade, rara e feliz, de ser um idioma de comunicação internacional com projeção global.

Acresce que a tecnologia que permite a um falante de português usar o Facebook é a mesma que permite a um falante de outra língua usar essa rede social.” Sendo curiosa esta comparação, será interessante perceber como no futuro, mesmo com o recurso às novas Tecnologias de Informação e Comunicação, coabitará o universo da Língua Portuguesa com as Línguas nacionais dos países africanos que integram a CPLP e as restantes línguas por exemplo de Timor- Leste, país membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

No texto que sintetiza este recente e útil instrumento de trabalho não só para a comunidade científica como para outros estudiosos, destaca a equipa de investigadores que “ a tecnologia da linguagem e a investigação científica sobre as línguas naturais podem dar um contributo decisivo para se ultrapassarem estas barreiras linguísticas” e demonstram que “ no futuro, quando combinada com dispositivos e aplicações inteligentes, a tecnologia da linguagem ajudará falantes de diferentes línguas a comunicar naturalmente entre si.

Preservando o multilinguismo, permitirá derrubar as fronteiras linguísticas que bloqueiam o acesso ao conhecimento, ajudando assim a concretizar todo o potencial da sociedade da informação.” O futuro da diversidade cultural, linguística e patrimonial do mundo e em particular com os Estados membros da CPLP, não deixa de ser um grande desafio.

Porque se é pelas línguas em que nos expressamos que estabelecemos pontes de comunicação com o que nos rodeia, será pela diversidade das mesmas que fortaleceremos o conhecimento e o domínio de outras aprendizagens. O estudo enuncia vários caminhos e preocupações e apela também ao reforço de cooperação entre as diferentes universidades e centros de investigação dos países onde a Língua Portuguesa se fala. Afinal, cada vez mais somos solicitados a participar em diferentes sociedades multilingues. (opais.net)

Gabriel Baguet Jr

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