- Publicidade-
Smooth Jazz Rádio Calema
Inicio Economia Hidroeléctrica de Capanda abandona crise?

Hidroeléctrica de Capanda abandona crise?

Muita tinta já correu sobre o desempenho do sector eléctrico e quiçá do Aproveitamento Hidroeléctrico de Capanda, caracterizado por insuficiências gritantes no fornecimento de energia eléctrica à capital angolana, Luanda. Tais anomalias fizeram com que aquele empreendimento fosse alvo de sucessivas incursões, incluindo de jornalistas, no sentido de se inteirarem “in loco” sobre os maus momentos vividos.

Contas feitas, o baixo nível da albufeira decorrente da estiagem que então se fez sentir, foi o principal “leit motiv” para as irregularidades constatadas.

Mas com as enxurradas que nos últimos tempos se abatem sobre o país e especialmente na província central do Bié, por sinal a nascente do rio Kwanza, novos ventos sopram para o retorno à normalidade no funcionamento do gigante eléctrico.

Dado adquirido é que o abastecimento de energia eléctrica, antes tido como um cancro sem cura, parece ter voltado à normalidade, aliás as constantes interrupções já não se fazem sentir com tanta intensidade – e entretanto entraram em funcionamento diversas centrais térmicas.

Daí que o Novo Jornal foi ao Gabinete de Aproveitamento do Médio Kwanza (GAMEK), órgão que tutela o Aproveitamento Hidroléctrico de Capanda (AHC) para assinalar a viragem ocorrida, junto do director geral da AHC, o engenheiro Eurico Ferreira Mandslay.

A Central do Aproveitamento Hidroélectrico de Capanda já está a funcionar com todas as turbinas?

A Central Hidroeléctrica está, desde 22 de Dezembro de 2012, a funcionar com os 4 grupos geradores que dispõe (também podemos dizer em linguagem corrente, turbinas ou geradores).

Com que potência está a fornecer energia neste momento?

A potência, ou produção (geração, no léxico brasileiro) está intimamente ligada, numa hidroeléctrica, com a altura da queda de água, que é definida pela diferença entre o nível (ou cota) da albufeira (ou reservatório) e o nível do canal de restituição (cota do nível da água na restituição da mesma ao rio, a jusante da barragem – água que é devolvida após “passar” pela turbina).

Assim, à medida que o reservatório vai tendo mais água (subida do nível) a produção de cada grupo (ao todo quatro grupos) também vai aumentando.

No caso de Capanda, os valores de projecto de cada grupo, no que toca a valores de produção, são: Valor mínimo de 80 MW (Mega Watts) e, valor máximo de 130 MW.

A capacidade instalada em Capanda é de 520 MW (resultante de 4 x 130 MW).

Neste momento, como o nível do reservatório já estabelece uma altura de queda da água (útil) superior a 84 metros (valor nominal como projectado), cada um dos 4 grupos de Capanda pode produzir até 130 MW.

Entretanto, como o valor de produção de cada central é definido pela demanda da rede de distribuição, a produção em Capanda ronda hoje os 90 a 100 MW por cada grupo, uma vez que há uma grande contribuição das centrais térmicas recentemente instaladas nos consumos/demanda da rede de distribuição.

Então como está o nível de albufeira actualmente. Desde a última visita que fizemos tem vindo a subir?

O nível da albufeira (reservatório) de Capanda é de 937,29 metros (às 8 horas de 11/01/2013). Desde a última visita a Capanda (7/12/2012) continua a subir, representando uma subida global de cerca de 10 (dez) metros – em 7/12/2012 tínhamos 927,38 metros. Correspondendo a um crescimento médio diário de 28,3 centímetros, nos últimos 35 dias.

A quantidade de água armazenada até ao momento, na cota/nível 937,29 metros, representa 61,60% da capacidade total de armazenamento de água do reservatório de Capanda.

Quer dizer que AHC está mais perto de fornecer a energia pela qual foi concebida?

Tendo atingido um nível no reservatório que permite a produção de cada grupo no valor nominal de projecto (aos 936,00 metros), no dia 7/01/2013, já se produz a energia eléctrica para a qual Capanda foi projectada/concebida;

O ano passado foi bastante negro, ou nem tanto assim?

O ano passado (2012) foi o pior de todos os anos da vida da central de Capanda, como resultado de um ano hidrológico seco agravado de estiagem prolongada (em que, por exemplo, em Abril 2012 não ocorreram chuvas – e o mês de Abril é, por norma, um mês de grande pluviosidade) e, ainda, devido ao facto de termos iniciado/partido, em Setembro de 2011, com uma cota/nível do reservatório situada nos 940,00 metros, 10 metros abaixo do NPA – Nível de Pleno Armazenamento (o NPA é 950,00 metros). De salientar que, com o nível em 940,00 metros, o volume total de água acumulada no reservatório representa cerca de 70 por cento da sua capacidade.

Em caso de interesse, porque é um tema actual no Brasil, alerto que foram recentemente publicadas várias matérias sobre o assunto, com os títulos: “Reservatórios voltam a baixar e nível fica abaixo do préracionamento – Represas do sudeste e centro-oeste estão com 28,43% da capacidade. Índice é inferior aos 28,52% registados em Dezembro de 2000”; “Nível dos principais reservatórios é o mais baixo dos últimos dez anos”;

A diferença entre a época do racionamento, no Brasil, e agora é que o país conta com mais do dobro de centrais térmicas para sustentar o consumo de energia. Elas são normalmente accionadas durante a estiagem para poupar água dos reservatórios e ajudá-los a encher novamente.

Podemos concluir que, quando estamos em presença de estiagens, os reservatórios das barragens ficam afectados e é necessário possuir capacidade de produção térmica (ou outra que não hídrica) para colmatar essa baixa de produção de origem hídrica.

Mesmo assim Capanda ainda gera lucros ou só acumula prejuízos?

Capanda, como central de produção de energia, insere-se no início/ montante da cadeia de produção -transporte – distribuição de energia eléctrica. Como produtora, Capanda factura toda a energia/produção entregue ao operador do transporte e, este, por sua vez, à entidade distribuidora. É na distribuição que ainda se verificam hoje substanciais perdas comerciais pelo que, não podemos inferir/concluir/referir que uma central hídrica origine prejuízos.

A título de exemplo, apresentamos alguns dados: em 2012, Capanda produziu menos 27,33 por cento de energia eléctrica, comparada com 2011.

O valor médio de produção dia, em 2012, foi de 265,14 MW por hora, representando cerca de 51% da sua capacidade instalada (que é de 520 Megawatts (MW).

Que balanço se pode fazer em relação à actividade desenvolvida no ano findo?

O balanço de 2012, em termos de produção de energia eléctrica em Capanda, não foi o melhor, e a sensação abeira-se da prestação negativa.

Se tiver que lançar um apelo aos trabalhadores de Capanda e consumidores qual seria o repto?

Empenhar, perseverar e dedicação, como apelo aos trabalhadores. Ao cliente único, a Unidade de Negócio de Transporte da ENE E.P., apela para a manutenção da coesão e entrosamento no seio do sector eléctrico.

Que outros constrangimentos foram sentidos em 2012?

O principal constrangimento de 2012 foi mesmo a falta de água para a produção de energia eléctrica.

E como espera ultrapassá-lo este ano?

Esperamos ter bastante chuva em 2013.

DADOS TÉCNICOS DA BARRAGEM DE CAPANDA

Potência total instalada:  520 Mega Watts

Comprimento da barragem:  1.470 metros

Altura da barragem:  110 metros

Bacia hidrográfica:

Volume útil acumulado (volume útil do reservatório é aquele que é utilizado para produção de energia:  3.561.000 metros quadrados

Hortênsio Sebastião (Novo Jornal)

 

- Publicidade -
- Publicidade -

Ainda sobre os enganos do discurso sobre o Estado da Nação: JLo atribui mais 6,1 mil milhões USD às RIL

ESTATÍSTICAS. Economistas consideram difícil entender lapso do Presidente da República que, ao invés de 9,3 mil milhões de dólares, disse que as Reservas Internacionais...
- Publicidade -

Activistas angolanos não cedem: Nova marcha a 11 de Novembro

Activistas culpam o Presidente João Lourenço pelos incidentes de sábado, durante a marcha em Luanda por melhores condições de vida. Segundo os organizadores, duas...

Vítimas em Cabo Delgado têm direito a ter uma história, diz Mia Couto

O escritor moçambicano Mia Couto apelou hoje à humanização do relato sobre o conflito armado em Cabo Delgado, norte do país, destacando a história...

Notícias relacionadas

Ainda sobre os enganos do discurso sobre o Estado da Nação: JLo atribui mais 6,1 mil milhões USD às RIL

ESTATÍSTICAS. Economistas consideram difícil entender lapso do Presidente da República que, ao invés de 9,3 mil milhões de dólares, disse que as Reservas Internacionais...

Activistas angolanos não cedem: Nova marcha a 11 de Novembro

Activistas culpam o Presidente João Lourenço pelos incidentes de sábado, durante a marcha em Luanda por melhores condições de vida. Segundo os organizadores, duas...

Vítimas em Cabo Delgado têm direito a ter uma história, diz Mia Couto

O escritor moçambicano Mia Couto apelou hoje à humanização do relato sobre o conflito armado em Cabo Delgado, norte do país, destacando a história...

Rui Pinto e Júdice? “Ladrão que rouba a ladrão tem cem anos de perdão…”

"Já lá diz a sabedoria popular: ladrão que rouba a ladrão tem cem anos de perdão..." Foi desta forma que Ana Gomes reagiu, no Twitter,...
- Publicidade -

Deixe um comentário

Por favor insira seu comentário!
Digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.