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Entre um desporto sem norte e as palancas (ainda) ameaçadas de morte

Depois do que aconteceu às nossas “anémicas” palancas na África do Sul (por sinal todas elas machos), ficamos a saber que o estado de saúde das outras palancas negras, as originais, que nunca saíram do país para “dar bandeira” e muito menos gastar largos milhões de dólares, também continua a inspirar sérios cuidados.

Efectivamente as coisas não andam nada bem com estas últimas, ao ponto de alguém esta semana já ter pedido a intervenção salvadora dos militares das FAA, num verdadeiro e preocupante SOS, diante da ameaça dos caçadores furtivos numa vastíssima região que os olhos não alcançam, localizada entre Malange e o Bié.

Caso contrário, dramatizou o especialista, as coisas  podem ficar ainda “mais pretas” que o próprio animal que se pretende retirar da zona de perigo/ameaça de extinção.

As últimas contas feitas, depois de todo o tempo que já leva o projecto salvador iniciado em 2005, numa iniciativa do CEIC da Universidade Católica de Angola (UCAN), salvo erro, apontam para a existência confirmada de cerca de cem animais da família, entre as reservas de Cangandala e do Luando.

Em termos de perspectiva, a chapa cem ainda é considerado um número muito pouco animador e que vem contrariar de algum modo as primeiras estimativas, segundo as quais haveria a circular na região entre 300 a 400 animais, depois do fim da devastadora guerra.

Para quem, eventualmente, estaria a pensar que o bicho já estava fora da ameaça que pesa sobre a espécie no seu conjunto, é bom tirar o cavalinho da chuva, pois a referida cifra mantém efectivamente a palanca negra na zona vermelha.

Isto quer dizer, que a angolaníssima”Hippotragus niger variani”, que é o nome científico da palanca negra gigante, mantém-se um sólido membro da Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN) das espécies ameaçadas, também conhecida como Lista Vermelha da IUCN.

Depois de termos voltado a gastar tanto dinheiro com apenas 23 palancas do futebol sénior, sem qualquer retorno, é altura de quem de direito, isto é, de quem gere a “massa” que é de todos nós, olhar com mais atenção para todas as outras palancas que andam por aí a saltitar em todos os campos e becos deste país.

A saltitar e a pedir um pouco mais “generosidade” e racionalidade na hora de se fazer a distribuição do milionário bolo, que nunca ninguém sabe exactamente como é gasto, “através” da já endémica não prestação de contas, que acaba por ser  uma das imagens de marca dos “bosses” que mandam no desporto nacional.

Chamou por isso a atenção de todos nós que vamos ouvindo as notícias do país e que ainda somos mais do que as mães, as afirmações feitas esta semana pelo Secretário de Estado dos Desportos, o “eterno” Albino da Conceição (AC), para o facto do país estar sem norte, ou seja, mais ou menos desnorteado, apesar de todos pensarem que têm o seu próprio norte.

Para quem pensava que o país já tinha rumo neste domínio, as palavras do Secretário de Estado foram (e vão continuar a ser ) uma verdadeira pedrada no charco.

Os principais e grandes salpicos desta pedrada têm, entretanto, de molhar e sujar primeiro os fatos dos próprios dirigentes políticos do sector, a começar pelo autor da “descoberta”, tendo em conta o longo tempo de serviço público que Albino da Conceição já leva nos ombros.

E parece que foi isso mesmo que ele fez, ao apontar para a necessidade, esperamos todos que urgente, do país parar, para pensar sériamente na  adopção de um novo e consensual norte para a gestão do fenómeno desportivo no seu conjunto.

Como não fazemos parte do grupo de pessoas que passa a vida a bater palmas a tudo quanto o Governo faz, não faz e não deixa fazer, não vamos como é evidente felicitar a “coragem” de AC, pois a conclusão a que ele chegou só nos pode fazer lembrar a esclarecedora história do rei que vai nu.

Todos sabem que as coisas no desporto nacional não estão bem, mas ninguém quer dar o soco na mesa ou bater com a porta.

Todo sabem que é preciso investir nas escolas, mas deixa-se morrer em Luanda uma escola privada que já deu provas que tem pernas para andar.

Todos sabem tudo isto e muito mais, mas ninguém mexe uma palha.

Se AC teve algum mérito, este foi apenas o de pensar em voz alta…

REGINALDO SILVA

NA- Texto publicado na Revista Vida/OPAÍS (1-Fev-2013)

 

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