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Por que os emergentes continuam a depender da Europa e dos EUA?

Apesar do aumento da representatividade do mercado doméstico para esses países, demanda externa por commodities ainda é grande parte da economia.

A demanda interna está a crescer e a ganhar  um papel cada vez mais relevante na economia dos países emergentes. Esse avanço, porém, ainda não é suficiente para sustentar altas taxas de  crescimento no caso de uma desaceleração em países da Europa e dos Estados Unidos. Essa é uma das conclusões do  relatório de projecções económicas mais recente da Economist Intelligence Unit (EIU), braço de pesquisas do grupo The Economist.

“Muitos mercados emergentes, especialmente na América Latina e África, também podem ser prejudicados se a demanda por commodities cair, levando o preço desses produtos para baixo”, avaliam os economistas no documento.

O relatório destaca que muitos países emergentes, exportadores de commodities foram beneficiados recentemente com uma melhora no comércio internacional, que acompanhou a alta de preços. “Se os preços de commodities caírem, países como Brasil e África do Sul podem observar uma redução no fluxo de capital, moedas enfraquecidas e diminuição no ritmo do crescimento econômico”, explicam os economistas da instituição.

A avaliação é que uma desaceleração da demanda nos Estados Unidos e em países desenvolvidos da Europa pode causar um problema equivalente a uma desaceleração na China, país que é o maior consumidor de algumas matérias primas, como o metal.

“Esses efeitos negativos serão equilibrados, em parte, com o lento crescimento na demanda doméstica em muitos mercados emergentes. Porém, discordamos com a visão de que algo como a completa separação entre economias desenvolvidas e em desenvolvimento esteja próximo”.

Sentido contrário

Não só os emergentes dependem dos países desenvolvidos. O efeito oposto também acontece, como aponta o relatório do EIU.

A performance moderada da economia em alguns países emergentes ajudará, por exemplo, a Alemanha e o Japão, países que dependem do aumento da entrada de bens de capital no mundo emergente para sustentar o crescimento interno.

O desempenho equilibrado dos emergentes também pode ajudar países endividados, como os Estados Unidos e a Inglaterra, que necessitam de impulsionar as suas exportações,  para ajudar a neutralizar o enfraquecimento na demanda doméstica.

Lilian Sobral

(exame.abril.com.br)

 

 

 

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