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Mário Garnacho lança memórias

Circunspecto, versátil e visionário, Mário Garnacho tem cruzado as vantagens do academismo com a renovação de clássicos da Música Popular Angolana.
Mário Garnacho, dos mais reputados pianistas profissionais angolanos, acaba de lançar o CD “Tributo a Raúl Indipwo”, merecida homenagem ao seu companheiro de música de muitos anos, e um dos ícones do Duo Ouro Negro, que inclui canções interpretadas por vozes conhecidas de língua portuguesa.
Mário Garnacho, enquanto pianista, arranjador, produtor e director artístico, tem dado nos últimos 26 anos importante contributo à renovação estética da Música Popular Angolana.
A demonstrar está parte substancial do seu trabalho de acompanhamento e de produção, que inclui momentos importantes da obra de Carlos Lopes, Duo Canhoto, Irmãos Almeida, Carlos Burity, Voto Gonçalves e Carlos Lamartine.
Filho de Ermelinda Garnacho Mendes dos Reis e de Mário Francisco Mendes dos Reis, Mário Luís Garnacho Mendes dos Reis nasceu em 17 de Outubro de 1955, em Luanda, na rua do Casuno, e começou a estudar piano aos 4 anos, na Academia de Música de Luanda. Aos 17 iniciou a carreira profissional, tocando em várias casas nocturnas da capital. Fez parte de “Os Jovens”, na fase final do conjunto, com Mário Catela Duval (baixo e voz), Mário Eduardo Lacerda (bateria), e Pedro Romeiro (guitarra).
Na sequência do desmembramento do grupo, surgiu em 1974 a primeira formação da banda “Madizeza”, ainda com Mário Catela Duval e Mário Eduardo Lacerda a que se juntam depois Jorge Caipas (baixo, e percussão), José Pino (guitarra), Veloso (percussão), e Zé Pato (teclas).
Mário Garnacho partiu em 1974 para Lisboa para cumprir vários contratos musicais, o que lhe permitiu percorrer vários países, entre os quais França, Bélgica, Suíça, e Marrocos. Em 1986 juntou-se ao grupo Raízes, com Mário Eduardo (bateria), Beto Monteiro (percussão), Armindo Monteiro (voz e percussão), Nelson Oliveira (guitarra baixo), Nelo de Carvalho (guitarra e voz), e Rui Bento César (teclas). Foi nessa altura que começou a trabalhar com Raul Indipwo depois da morte de Milo Mac-Mahon. Percorreu o mundo e divulgou simultaneamente a música angolana e portuguesa.

Tributo

As razões do tributo de Mário Garnacho a Raúl Indipwo, encontramos nas palavras do pianista, escritas no verso da capa do CD: “a Quinta da Azenha, lugar mágico que viu nascer os melhores momentos da sua música. O Olympia de Paris, sala mítica do mundo do espectáculo que testemunhou a sua consagração, e o nosso Casino Estoril, palco especial do aniversário dos seus 45 anos de carreira, são apenas alguns dos lugares e marcos de um percurso iniciado em 1986, 20 anos durante os quais tive o privilégio de acompanhar Raúl Indipwo, figura maior da nossa cultura e provavelmente, o mais internacional de todos os nomes da música angolana. Apesar do seu legado musical e humano se manter bem presente no imaginário de todos, recordar a sua música é a melhor forma de manter vivo e, ao mesmo tempo, a mais bela homenagem à vida e obra de um homem extraordinário”.

Acompanhamento

Com Raúl Indipwo tocou nas principais casas de espectáculo do mundo, acompanhando vários cantores e compositores angolanos, entre os quais Paulo Flores, Carlos Burity, Carlos Lamartine, Filipe Mukenga, Filipe Zau, Dódó Miranda, Rui Mingas, Teta Lando, e Mário Gama. Também trabalhou com cantores e compositores africanos residentes em Portugal, como Dany Silva, Biús, Bana, Tito Paris, Gerard Mendes, Maria Alice, Sara Tavares, Tó Cruz, Ramiro Mendes e com os músicos portugueses Zé Carvalho, Sérgio Godinho, Rui Veloso, Vitorino, o projecto Sons da Lusofonia, Roberto Leal, e Armando Gama.

Afro-Beat

Mário Garnacho é um dos fundadores da banda Afro-Beat, formada em Fevereiro de 2003, que se tem empenhado na renovação de temas clássicos da Música Popular Angolana, pela via do jazz.
O grupo era constituído inicialmente por Kinito Trindade (baixo), já falecido, Hélio Cruz (bateria), Mário Garnacho (teclas) e Dodó Miranda (voz).
Mário Garnacho voltou a Luanda há dez anos e tem reconstituído a banda “Afrobeat”, quando as circunstâncias o exigem. Foi o primeiro grupo angolano a actuar no I Festival Internacional de Jazz de Luanda.
Além de director musical de dois festivais da Canção de Luanda da LAC esteve seis meses na China, por ocasião da Expo-Shanghai.

O tributo a um artista emblemático

Mário Garnacho é o responsável pela Direcção, arranjos musicais e produção executiva do CD “Tributo a Raúl Indipwo”, um trabalho de indiscutível qualidade a nível de sonoridade e de criatividade dos arranjos.
Neste aspecto que teve a colaboração de Betinho Feijó, (guitarra ritmo), Carlos Tchiemba (baixo), Ciro Bertini (acordéon), Galiano Neto (tumbas) e Gonçalo Sousa (harmónica).
O disco contou também com a participação de Gustavo Roritz (baixo), Miguel Gonçalves (trompete), Múcio Sá (guitarra), Naná Sousa Dias (metais), Nelson Oliveira (baixo), e Zezé Ngambi (bateria), Sebastien Scheriff (percussão), Tomás Pimentel (flugel), Ruca Rebordão (percussão).
Mário Garnacho seleccionou as seguintes canções: “Mulowa”, um momento de soberba interpretação na voz de  Filipe Mukenga, “Menino de Braçanã”, Kizua Gourgel, “Lindeza”, Sandra Horta, “Rita Flor da Canela”, Carlos Sanches, “Muxima”, Dodó Miranda, “Vou levar-te comigo”, Olavo Bilac, “Amanhã”, Paulo Flores, e “Muamba, banana e cola”, Dany Silva.
Sobre as razões da homenagem a Raul Indipwo, Mário Garnacho afirmou: “Julgo que se impunha o tributo a um artista emblemático da Música Popular Angolana, que fez parte do Duo Ouro Negro, dos grupos angolanos de maior projecção internacional na época colonial. Raul Indipwo divulgou não apenas a música, como também outros sectores da cultura de Angola, pois conseguiu durante mais de 50 anos encantar o público dos países onde actuou não somente como cantor, mas como pintor com exposição de obras nos maiores museus do mundo.
Tive o privilégio de tocar com ele, como pianista, durante quase 25 anos e de participar, depois do falecimento do Milo Mac-Mahon, nos seus projectos musicais, até à data da sua morte. Gravei esta obra discográfica graças à boa vontade de um familiar do Raúl Indipwo, que se dispôs a patrocinar o CD. Para mim, estas são as oito músicas que encantaram o público. Aproveito a oportunidade para agradecer ao patrocinador e a todos os que participaram no projecto, músicos, cantores, técnicos e às pessoas que sempre me apoiaram e incentivaram, em especial à minha filha do coração. Ao Raúl, onde quer que esteja, espero que a sua música continue a ser ouvida por esse mundo fora por muitos e muitos anos”. (jornaldeangola.com)



 

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