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Desmentida operação no Congo Democrático

 O secretário de Estado das Relações Exteriores, Manuel Augusto, afiançou, em Brazzaville, que o interesse de Angola é “encontrar uma solução definitiva que não passe pela guerra” no conflito armado na República Democrática do Congo (RDC).
O enviado especial do Presidente José Eduardo dos Santos reagia a rumores difundidos por uma estação radiofónica da RDC, segundo a qual Angola estava pronta para uma intervenção militar na região leste do Kivu Norte.
“Não penso que na RDC a solução seja militar. Isto já foi provado desde 1994”, disse o enviado especial do Presidente José Eduardo dos Santos, no final de uma audiência que lhe foi concedida pelo Chefe de Estado congolês, Dennis Sassou-NGuesso. Manuel Augusto entregou ao Presidente do Congo uma mensagem escrita do Chefe de Estado angolano.
O secretário de Estado declarou que a situação no Leste da RDC “é cada vez mais preocupante” e que o Presidente José Eduardo dos Santos considera que o homólogo congolês “ocupa uma boa posição para ajudar a encontrar uma solução definitiva para a situação cíclica de guerra e paz” naquele país.
O Chefe de Estado congolês, referiu, já tomou iniciativas para ajudar o processo de paz e estabilidade na RDC ao manter contactos permanentes com os Presidentes daquele país, do Ruanda e do Uganda.
Manuel Augusto foi recebido horas, em Kinshasa, pelo Presidente da RDC, Joseph Kabila, a quem entregou também uma mensagem do Chefe de Estado angolano. (jornaldeangola.com)

Reacção da SADC

A Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) condenou a invasão da vila de Goma, no Kivu Norte, pelos rebeldes do M23. A SADC afirma que a agressão mina os esforços regionais e internacionais para a resolução do conflito naquela região e que se associa à comunidade internacional na exigência da retirada imediata do M23 de Goma e cessação das hostilidades dos rebeldes.
No comunicado é exigido aos guerrilheiros do M23 que deponham as armas de imediato e definitivamente e salientado que A SADC acredita que o conflito pode ser resolvido pelo diálogo.
A SADC pediu a todas as partes envolvidas que permitirem a procura de uma solução do conflito pacífica e duradoira do conflito e prometeu que, em colaboração com a conferência dos Grandes Lagos, vai continuar a desenvolver esforços para encontrar urgentemente uma solução para o conflito. Também foi pedido à comunidade internacional que continue a prestar a assistência “bastante necessária às vítimas e aos deslocados internos no Leste da República Democrática do Congo”.

Esforços diplomáticos

O Presidente da República, José Eduardo dos Santos, recebeu em Luanda, no Palácio da Cidade Alta, o enviado especial do seu homólogo da República Democrática do Congo, Joseph Kabila, com quem abordou os mais recentes desenvolvimentos do quadro político e militar na região congolesa do Kivu Norte, leste do país. Durante cerca de uma hora, Antoine Ghonda, emissário do Presidente Joseph Kabila, fez uma exposição pormenorizada sobre o conflito armado que envolve o Exército governamental e os rebeldes do M23, após a confirmação da tomada da cidade de Goma pela rebelião liderada por Innocent Kaina e Baudouin Ngaruye. Kinshasa decretou ontem uma mobilização nacional para fazer frente ao que considera uma guerra de agressão municiada por Kigali.
Antoine Ghonda, que é conselheiro de Joseph Kabila, disse aos jornalistas à saída do Palácio da Cidade Alta que foi mandatado para “informar o Presidente José Eduardo dos Santos sobre a situação na RDC, em especial na região leste do país, e ouvir os sábios conselhos do líder angolano, que é hoje uma referência em África e no mundo no que diz respeito à resolução de conflitos”. “O Presidente José Eduardo dos Santos é um líder africano sábio e garantiu-nos que vai fazer uma análise profunda da situação na RDC e que vai dar uma resposta mais tarde”, adiantou o enviado de Kabila, que disse esperar “um grande apoio de Angola, no campo político e diplomático, para resolver esta situação de conflito na região do Kivu Norte”.
O emissário do Presidente da RDC confirmou a queda de Goma às mãos dos rebeldes do M23. “Confirmo a tomada de Goma pelos rebeldes do M23, com o apoio do vizinho Ruanda. Eles ocuparam a cidade terça-feira de manhã. Um relatório da ONU confirma que as tropas do M23 recebem apoio do Ruanda”, referiu Ghonda, anunciando para breve a abertura de negociações directas entre os Presidentes Joseph Kabila e Paul Kagame, para “terminar definitivamente o conflito”.

Condenação à violência

O Governo angolano fez sair ontem um comunicado no qual expressa “muita preocupação” em relação à evolução da situação no Leste da RDC e “condena com veemência a escalada de violência no país vizinho, que coloca em perigo a paz, a estabilidade e a segurança regional, em particular na região dos Grandes Lagos”. O documento sublinha que o Executivo considera a paz, a estabilidade e a segurança regional “indispensáveis para se solucionarem os problemas de natureza social, política e económica na região”. “Tais acções de natureza militar são incompatíveis com o princípio da resolução pacífica dos conflitos, tendo principalmente em conta que a RDC realizou recentemente eleições democráticas”, lê-se no comunicado.

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