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Centro hospitalar está em construção

A província do Zaire vai ter, dentro de dois anos, um hospital moderno, de padrão internacional. O empreendimento, com dez edifícios de três pisos cada, está orçado em 4,2 mil milhões de kwanzas e vai ser erguido na aldeia de Nkunga Paza, a cinco quilómetros da cidade de Mbanza Congo. Com capacidade para 377 camas, 288 destinam-se a internamento. A construção do hospital tem sido uma solicitação da população, em virtude do actual já não satisfazer a procura.
O futuro hospital, que vai ocupar uma extensão de cinco hectares, vai ficar acoplado à Escola Técnica de Enfermagem de nível médio. O arquitecto do projecto e director Técnico da Empresa Nacional de Elaboração de Projectos (ENEP), Makumbu Nanga, que apresentou a maqueta aos membros do Governo Provincial e à sociedade civil, disse que a nova unidade vai atender pacientes nas especialidades de medicina geral, pediatria, neonatologia, ginecologia e obstetrícia, cirurgia e ortopedia.
“Esses serviços vão ser apoiados por um centro de diagnóstico”, disse o arquitecto, sublinhando que vai incluir laboratório, imagiologia e hematologia, sendo que este último sector vai ser acoplado ao banco de sangue.
O responsável da ENEP valorizou a acção, por considerar tratar-se de um ganho ímpar para as populações dos seis municípios, a julgar pela sua dimensão e vantagens em termos de assistência médica.
Makumbo Nanga realçou que “é um projecto colosso do ano” que a província vai ganhar. “A saúde não pode ser relegada para segundo plano e o governador foi feliz em planificar a construção do novo hospital”, afirmou.

Soba satisfeito

Para o coordenador do núcleo das autoridades tradicionais do Lumbu, Afonso Mendes, que encorajou os membros do Governo Provincial a continuarem nesta senda para que cada angolano, de Cabinda ao Cunene, possa viver com dignidade na sua própria pátria, o projecto é bem-vindo, e recordou que há muito que as populações da região pedem uma unidade hospitalar à altura das exigências actuais.
“A província ganha uma infra-estrutura de raiz e é exactamente isso que os habitantes da região precisam”, disse Afonso Mendes, que sugeriu ao projectista a inclusão na obra de uma residência de passagem para acomodar os acompanhantes dos doentes, principalmente os que chegam de outros municípios ou províncias.
“Normalmente, nós, os africanos, quando alguém está hospitalizado, precisamos de ter uma pessoa próxima ao nosso lado. Por isso, e dada a nossa tradição, gostava de ver construída, também, uma residência de passagem junto ao hospital, para que as pessoas não pernoitem ao ar livre”, referiu o ancião.
“Se, até agora, por motivos de saúde, têm sido os angolanos a procurar assistência médica na República Democrática do Congo, amanhã a realidade vai ser outra porque, no prazo de dois anos, vão ser os congoleses que, certamente, vão procurar os nossos serviços de saúde aqui no Zaire”, vaticinou o soba.
Vários jovens residentes em Mbanza Congo também se congratularam com a construção de um hospital de dez edifícios. “O Governo Provincial e o Executivo estão a fazer um bom trabalho. Aqui já devia existir um hospital grande. É verdade que houve algumas dificuldades. Agora, que já estamos em paz efectiva, é preciso fazer muito para o bem-estar de todas as populações de Cabinda ao Cunene”, disse o estudante universitário Jorge António.
Maria Luvualu, que reside no município do Nzeto, mas estava em Mbanza Congo quando o governador visitou a aldeia do Nkunga Paza, referiu ao Jornal de Angola que o novo hospital vai permitir que muitas pessoas deixem de se deslocar aos hospitais de referência nas província do Bengo e Luanda.
“Nós, que vivemos no Nzeto, quando temos doenças complicadas somos forçados a recorrer aos hospitais do Caxito ou de Luanda. Com este hospital vamos deixar de ir tão longe”, disse Maria Luvualu com  entusiasmo.

Desafios do milénio

Depois da apresentação da maqueta, o director provincial da Saúde, João Miguel Paulo, disse ao Jornal de Angola que, a conclusão da nova unidade hospitalar no Zaire, afigura-se um sério desafio para o milénio. Num projecto deste tipo, a pediatria é indispensável para o cumprimento dos objectivos do milénio e das estratégias do Executivo, que têm a ver com a necessidade da redução da mortalidade infantil, considerou.
“Com o hospital concluído, nós, a nível da província do Zaire, vamos poder cumprir a meta estipulada pelo Ministério da Saúde, de acordo com o plano de desenvolvimento sanitário da República de Angola, que vai até 2020”, garantiu. As obras do novo hospital foram adjudicadas à construtora chinesa CRBC, que já tem preparados os cinco hectares onde vão ser erguidos os dez edifícios que conformam o projecto global.
O director da Saúde no Zaire garantiu, também, que a unidade hospitalar vai funcionar com equipamentos sofisticados para os serviços de imagiologia, como Raio X, ecografia e TAC, este último, ligado à ressonância magnética nuclear.
“O teste de Tumografia Axial Compurarizada (TAC) constitui um instrumento superior do ponto de vista tecnológico, com poder de diagnosticar em resolução, através de exames àqueles casos complexos que eventualmente podem ocorrer no organismo humano”, elucidou o médico Miguel Paulo, satisfeito com o projecto no sector da saúde.

Terreno fiscalizado

O governador do Zaire, Joanes André, visitou o local onde vai ser construído o hospital. Perante a população, membros do Governo Provincial, da sociedade civil, das autoridades eclesiásticas e tradicionais, garantiu “tudo fazer” para cumprir à risca e edificação do hospital em dois anos. A colocação da primeira pedra para a construção do novo hospital aconteceu em Agosto, na véspera da visita do Presidente da República à província. “Este projecto é o primeiro no Zaire com esta envergadura. Em termos de contrato já existe. Esta é apenas uma continuidade. Como não havia um projecto definitivo, achámos por bem utilizar um dossier que pessoalmente domino, porque discuti esta acção no ano passado, na altura na qualidade de Secretário de Estado da Construção”, lembrou Joanes André.
À margem da cerimónia de apresentação do projecto do novo hospital, o governador entregou duas ambulâncias ao actual hospital, uma oferta que sublinhou ser de autoria do Presidente da República.

Fonte: JA

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