São Tomé: Primeiro-ministro viaja para França antes de votação da moção censura

O primeiro-ministro são-tomense viajou hoje para França um dia depois de o principal partido de oposição ter apresentado uma moção de censura contra o seu Governo, que deve ser votada na terça-feira no parlamento.

Patrice trovoada viajou levando na agenda as negociações para o porto de águas profundas no arquipélago e, à saída, não prestou declarações aos jornalistas.

O Presidente da República, Manuel Pinto da Costa, também está fora do país, encontrando-se em Portugal no âmbito de uma visita privada que se seguiu a uma visita de Estado.

O primeiro-ministro reagiu na quinta-feira, em conferência de imprensa, à moção de censura, dizendo que “se o MLSTP [Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe-Partido Social Democrata] quer deixar cair o governo que tente”.

“O Governo continuará a fazer o seu trabalho, na base do seu programa, até onde puder ir. Eu não deixarei de fazer todo meu esforço para o bem-estar dos são-tomenses”, afirmou Patrice Trovoada, justificando a necessidade de viajar para França, quando se antevê uma nova crise política no país.

Trovoada vai encontrar-se no fim de semana com os responsáveis da Terminal Link e outras empresas interessadas em investir na construção do porto de águas profundas no arquipélago, apurou a Lusa de fonte governamental.

O chefe do governo são-tomense considera tratar-se de “negociações derradeiras que poderão abrir portas” ao arranque ainda este ano das obras de construção do porto em Fernão Dias.

O vice-presidente do Partido da Convergência democrática, que apoia a moção de censura, considerou a justificação dada pelo chefe do governo para poder viajar como “uma farsa”.

“Nenhum parceiro sério irá negociar com um primeiro-ministro que tem nas suas costas uma moção de censura, porque ele não sabe nem pode garantir qual será o futuro”, disse Delfim Neves.

O MLSTP-PSD, principal partido da oposição apresentou na quinta-feira, no parlamento são-tomense, uma moção de censura contra o Governo, que deve ser votada na próxima terça-feira.

A moção de censura foi justificada com a necessidade de travar “as arbitrariedades, arrogância, petulância, autoritarismo e indícios de corrupção e abuso de poder” do primeiro-ministro Patrice Trovoada.

Em resposta, o primeiro-ministro são-tomense acusou a oposição de ser “um grupo de políticos em crise”, incapaz de “viver longe do poder absoluto, dos privilégios e dos tráficos de influência”.

O parlamento são-tomense é composto por 55 deputados: 21 do MLSTP-PSD, sete do PCD (Partido da Convergência Democrática) e um do MDFM (Movimento Democrático Força de Mudança), que juntos ultrapassam os 26 da Ação Democrática Independente, base de apoio do Governo de Patrice Trovoada.

FONTE: Lusa

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