Obras do aeroporto estão na etapa final

A poucos metros da estrutura que, desprovida de condições operacionais e de infra-estruturas ainda acolhe o tráfego de passageiros na cidade de Saurimo, a construção do terminal doméstico do aeroporto está perto do fim. A obra teve início há quatro meses e incluiu a construção de uma nova placa, a ampliação da zona destinada à circulação e a pista de aterragem para aviões. Concebida para corresponder à dinâmica da aviação civil, quando estiver concluída ficam garantidas melhorias significativas nas condições de trabalho dos funcionários aeroportuários e de conforto para os passageiros.
Benvindo Txeca e Domingos Sebastião são dois jovens trabalhadores que, desde Março, emprestam o seu saber às obras de construção que decorrem na zona envolvente do aeroporto de Saurimo.
O primeiro é ferreiro de profissão, enquanto o segundo exerce funções na área de descarga e carregamento de mercadorias que suportam a empreitada.
De 26 anos, com mulher e dois filhos para sustentar, antes de ter sido admitido, Benvindo Txeca estava desempregado, depois de ter trabalhado mais de dois anos numa empresa de construção civil. “A antiga empresa onde trabalhava fechou as portas, mas a vida encaminhou-me até aqui e agradeço ao meu novo empregador a oportunidade que me foi dada”, disse.
Para ele, trabalhar num empre­endimento que representa um valor acrescentado, tendo em conta a importância que assume para a região Leste do país, é motivo de orgulho, porque considera que, à semelhança de outras províncias do país, a modernização do aeroporto de Saurimo vem trazer maior dignidade aos habitantes da Lunda-Sul. “Este processo de modernização não deve parar por aqui”, acrescenta.
Participar na construção do terminal doméstico tem um significado especial para Domingos Sebastião, por duas razões: ser o seu primeiro emprego e já ter sido vítima da falta de condições em que se encontra a actual estrutura que serve de alternativa como terminal de passageiros.
Satisfeito com o andamento dos trabalhos e depois de um início cheio de dificuldades, admite que domina, no essencial, a tarefa que desenvolve. Para o efeito, fez uma formação para ultrapassar as dificuldades iniciais.

Ao todo, a obra emprega 160 homens, dos quais 120 jovens, na sua maioria filhos da terra.
Apesar de algumas divergências que por vezes acontecem, a maioria admite que as condições laborais são excelentes e o salário permite suprir as principais necessidades que enfrentam.
Habituado ao frenesim das viagens de avião na Lunda-Sul que, habitualmente, acontecem cinco vezes por semana, à medida que a obra avança, Salvador Alegria vai ficando cada vez mais optimista com o aumento do número de voos. A prestar serviço de moto táxi nas horas livres, reconhece as vantagens e o impacto que o empreendimento pode ter no sector dos transportes.
“O meu desejo é que, a partir daqui, as obras se estendam às estradas para encurtar a distância entre a Lunda-Sul e o resto do país”, disse.

Serviços facilitados

Feito em condições migratórias desfavoráveis, dentro de pouco tempo, os passageiros e pessoal de terra que asseguram a efectivação dos voos no aeroporto de Saurimo vão ter a vida facilitada.  O director provincial da Empresa Nacional de Exploração de Aeroportos e Navegação Aérea (ENANA), Vasco Rufino, explica que a empreitada contemplou duas fases. A primeira, que abrangeu a reabilitação da pista, ficou concluída em 2009. O novo terminal em construção integra a segunda fase.
“O terminal de passageiros e os caminhos de circulação para a pista de aterragem e a iluminação da pista encontram-se em fase conclusiva, e outros serviços de apoio à navegação aérea estão garantidos”, assegurou.
Devido a um conjunto de carências facilmente visíveis, Vasco Rufino diz que quem viu o aeroporto de Saurimo no passado manifesta a sua satisfação pelo andamento das obras. Quando estiver pronta a sala de embarque do terminal doméstico, a capacidade de acomodação passa a ser de aproximadamente 300 passageiros.
“O terminal anterior nunca reuniu condições e, dentro em breve, os passageiros que passaram por Saurimo vão testemunhar os benefícios”, referiu.
“A reabilitação e modernização do aeroporto está orçada em sete mil milhões de kwanzas”, revela o fiscal residente da empresa construtora, Rui Queimada. Na generalidade, além do terminal doméstico, está em construção uma nova placa, a torre de controlo, a ampliação da pista, edifício administrativo, zona de protocolo, dois balcões de check-in, três de Raios X, arranjos exteriores, a cobertura e outras instalações de apoio ao serviço da navegação. Rui Queimada garante que o projecto foi feito de acordo com as exigências internacionais da aeronáutica.“Estamos em fase de acabamentos e existem condições para que fique operacional e pronta para receber passageiros a partir do fim de Agosto”, acrescentou.

Mangueiras em recuperação

Durante anos votado ao esquecimento, o Estádio das Mangueiras está em obras de recuperação. Entre os desportistas da Lunda-Sul, em particular os jovens que jogam futebol, renasce o sonho de um dia se tornarem futebolistas de renome. As obras no Mangueiras, que passa a ter capacidade para 5.200 espectadores, também terminam este mês.
António Josué é praticante de futebol há sete anos e já antevê melhorias nas competições inter-provinciais com a reabilitação efectiva do Mangueiras. “Temos muita vontade de exercitar o corpo, jogar futebol e pôr a nossa província no Girabola”, disse. O director da obra, José Pereira, explicou que a reabilitação abrange as bancadas, a tribuna, balneário, bilheteira e aplicação de relva sintética. Neste momento, 80 por cento da obra encontra-se concluída e está a ser preparado o terreno que vai receber a relva.
Carpinteiro de profissão e antigo desmobilizado das Forças Armadas Angolanas (FAA), Marcos Tchi­luca faz parte dos 50 operários destacados na obra. O trabalho exige sacrifícios, mas a vontade de ganhar dinheiro de forma honesta tem sido o seu princípio motivador.

Central térmica

Devido à nova central térmica, as restrições no sistema de distribuição de energia eléctrica aos bairros periféricos da cidade de Saurimo terminaram. A electricidade está reforçada com a produzida pela barragem hidroeléctrica do Chicapa I e a população residente no Santo António, Txizainga, Cadembe e Terra Nova não esconde o orgulho e a satisfação de ter luz pela primeira vez, graças à energia eléctrica gerada por uma nova central térmica, no quadro da expansão deste serviço.
Manuel Bernardo, 38 anos, vive no Txizainga há cinco anos. A iluminação da sua casa durante 24 horas por dia pôs um ponto final ao uso do gerador.  O facto de ter electricidade incentiva-o a pensar na compra de um arca frigorífica, enquanto os filhos agora assistem com regularidade à programação da TPA e conseguem rever, ao fim do dia, aquilo que aprenderam na escola.  Para Manuel Bernardo uma coisa é certa: a luz quebrou a monotonia do bairro.
E a garantia de aumento no fornecimento para impulsionar o desenvolvimento da província tem vindo a ser reforçada pelo director provincial de Energia e Água da Lunda-Sul. Júnior Tito Cassongo inclui a cidade de Saurimo na lista das que têm mais energia no país.

Deixe um comentário

Seu endereço de email não será publicado.

Translate »