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Música angolana conquista mundo

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A realização de concertos no exterior é, para a cantora Lina Alexandre, um passo fundamental para a internacionalização da música angolana.
De acordo com a cantora, que fez parte da caravana artística que se deslocou a Yeosu, para o Dia de Angola na Expo, é importante que os promotores realizem espectáculos no exterior sem ser em datas simbólicas, de maneira que os outros povos tenham um contacto mais permanente com a música nacional.
A artista, que regressou ao país na terça-feira, defendeu em Yeosu, após os seus espectáculos, que uma das principais saídas para os músicos angolanos é o investimento regular do empresariado nacional e a criação de políticas mais activas por parte do Ministério da Cultura.
“Eu, como fã, não posso consumir o disco de alguém que não conheço. Portanto, só quando os empresários nacionais começarem a investir no país é que a nossa música conseguirá ganhar mais espaço no mundo, assim como os seus fazedores. É o que países como o Congo Democrático, África do Sul, Brasil ou Estados Unidos fizeram e ainda fazem. Se estamos interessados na internacionalização, então, devemos, numa primeira fase, ‘forçar’ as pessoas a consumir a música, para depois as mesmas a procurarem”, explicou.
Lina Alexandre destacou ainda a importância do empresariado e de outros promotores culturais prestarem especial atenção aos artistas que procuram, nas suas músicas, preservar e divulgar a tradição nacional e a sua riqueza, tanto no país como no estrangeiro.
Fazer pesquisas sobre determinadas práticas de uma região é um trabalho que requer tempo, empenho e dinheiro, “por isso, é necessário dar-se mais apoios a esses artistas, visto que o seu trabalho ajuda a passar o legado de uma geração para a seguinte”, disse.
De acordo com Lina Alexandre, esse legado só vai ser transmitido se houver um maior investimento na divulgação da nossa arte fora de Angola. “Temos de nos impor fora do país. Para isso, falo de dinheiro, já que cultura é dinheiro. Possuímos o potencial humano e material, só falta agir”, frisou.

A valorização das línguas nacionais foi outro aspecto frisado por Lina Alexandre, pois estas são uma forma de expressão do mosaico cultural ­­­­do país, que é necessário preservar. “É preciso também que os artistas trabalhem no sentido de que, num determinado tempo, os jovens adiram a esse movimento artístico de identidade e preservem os valores culturais do país. Acredito que isso vai ser mais palpável quando os empresários mostrarem interesse em fortalecer o casamento entre as empresas e os artistas”, explicou.
Apesar de ser de origem bakongo, a cantora disse que se revê como uma artista de Cabinda ao Cunene. “Nas minhas obras não invoco só os povos bakongos, mas todos os outros e para fazer isso dependo do meu próprio bolso. Acredito que fazer um disco com base em pesquisas sobre algum povo seja um embaraço para os cantores, que querem enaltecer e valorizar a cultura, mas não podem fazê-lo por falta de verbas”, lamentou.
Lina Alexandre adiantou ainda que a internacionalização da música e demais forma de arte angolanas só vai acontecer quando as pessoas, em particular os empresários, deixarem de ver a cultura como uma preocupação apenas do Governo. “Para mim, todos os elementos de uma sociedade podem contribuir na produção de uma obra artística. O Governo faz a sua parte através da política cultural. O resto é connosco”, concluiu.

Uma Expo positiva

A artista, que esteve durante uma semana em Yeosu, para os espectáculos do Dia de Angola na Expo, fez uma avaliação positiva das actividades artístico-culturais, já que, apesar de não serem tão conhecidos, os artistas angolanos conseguiram cativar o público coreano e os outros visitantes.
“Achei o povo coreano muito interessante. É um povo que realmente conhece o que é a arte. Eu diria até que é um povo sinónimo de cultura. Nos poucos dias que estive aqui, tenho feito alguma pesquisa e descobri que têm uma cultura muito desenvolvida em termos de arte”, contou.
Para ela, com a participação nos espectáculos da Expo, Angola começou a marcar os primeiros passos para uma maior internacionalização da sua música. “No princípio, as pessoas assistiram aos espectáculos por curiosidade. Mas, agora, é preciso continuarmos com este tipo de iniciativa, para que o povo coreano possa continuar este intercâmbio cultural e não nos esqueça facilmente”, realçou.

Fonte: JA

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