Gabriel Tchiema realça a importância da fusão

O músico Gabriel Tchiema considerou a exploração de novos ritmos, através da fusão entre a música tradicional e algumas das actuais tendências modernas, como decisivas, para a maior abertura da música angolana no mercado internacional.
Para o músico, o simples facto de ainda não haver tanta abertura, em termos de espectáculos e venda de discos, para a música angolana fora de portas, deve levar os artistas a começar a explorar outras maneiras de valorizar a música, com base nas novas tendências do mercado.
Gabriel Tchiema, que fez parte da delegação de artistas nacionais convidados para actuar no Dia de Angola na Expo Yeosu e está, desde terça-feira, no país, destacou igualmente a importância de se preservar, nestas fusões, 70 por cento daquilo que é a base cultural, de modo a não deturpar os ritmos, os valores e a riqueza cultural patente na tradição de qualquer povo.
“Digo isto sobre as fusões porque é o que eu faço e acredito que seja o meu caminho, o escolhido, para poder chegar à internacionalização. Por exemplo, tenho uma música na qual o ouvinte sente a tchianda lá ao fundo, apesar de ouvir um som pop. A minha ideia é pôr num tema uma base tradicional angolana e pintá-la com ritmos internacionais. A música evoluiu tanto que, caso não acompanhemos estes passos, vamos ficar um pouco mais atrás”, considerou.
O músico também defende uma maior internacionalização da música angolana, por ser uma forma de levar a alma do povo angolano, com os seus hábitos e costumes, riqueza e diversidade cultural, além-fronteiras. “O Ministério da Cultura e os promotores culturais devem começar a traçar novos planos nesse sentido, de maneira a que os jovens de outros países também conheçam Angola”, disse.
Só assim, destaca, estaremos a preservar a cultura nacional e a levá-la até outros pontos. “Podemos continuar nos batuques, que deviam ser, mesmo, estudados na universidade para que as pessoas pudessem aprender mais sobre os instrumentos tradicionais de cada região, cujo valor cultural se vai perdendo aos poucos”, realçou, adiantando que é preciso alterar este fenómeno, que “ainda não chegou às Lundas, onde as pessoas insistem no tradicionalismo”.
Para Gabriel Tchiema também é preciso que os artistas trabalhem mais na divulgação das suas músicas, particularmente daquelas que realçam os valores culturais nacionais.  “Ouço sempre os músicos e os artistas em geral a reclamarem com o Estado, no sentido deste investir um pouco mais para que possamos ter alguma qualidade. Para mim deve ser o contrário. Devíamos trabalhar mais para depois o Executivo começar a investir. Às vezes, a pessoa que reclama não tem nem 50 por cento da qualidade internacional, e em termos de trabalho faz muito pouco”, frisou.

Apesar das reclamações de alguns artistas, o músico considera ser preciso que os novos valores, em particular os que têm qualidade para vingar no mercado internacional, como o Duo Canhoto, Wiza e Kiako, tenham a oportunidade de se maximizar com os seus trabalhos.  “Há muitos bons talentos nas províncias que não estão a ser aproveitados, porque não têm possibilidades de vingar no mercado. É preciso mudar este quadro. O Estado deve ter um papel mais activo nesse sentido, criando políticas que ajudem a valorizar os músicos de outras regiões do país. Não interessa fazermos festivais quando os vencedores voltam para casa, passam dez ou 15 anos sem lançar um disco, perdem a motivação e acabam precocemente as suas carreiras”, lamentou.

Trabalhar no duro

Quanto à sua participação nos espectáculos do Dia de Angola na Expo Yeosu, realçou que conseguiu convencer o público coreano através de um trabalho duro de preparação antes dos concertos.  “Quando me convidaram para participar, disse para mim mesmo que como era a primeira vez tinha de me esmerar mais. Acredito que todos os meus colegas também o fizeram. Por isso, tudo correu bem e pudemos sair da Expo Yeosu com o sentimento de dever cumprido”, justificou.
Para o “menino da Lunda”, quando se é convidado para actos no estrangeiro é preciso trabalhar a dobrar e acrescentar um pouco mais ao espectáculo, de forma a agradarmos aos presentes. “Não é chegar à perfeição porque isso é impossível, mas tentar fazer o melhor, pois estaremos a mostrar o ‘rosto’ de Angola. Se dermos uma imagem distorcida do país, então as pessoas vão ter uma má ideia.
Temos de levar a Angola forte, unida e alegre. É esse o bilhete-postal que deve ser exibido ao mundo. É também uma forma de mostrar que o Executivo não está a trabalhar no vazio”, realçou.

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