Cabo-Verde: Oposição acusa Governo de manter “mãos estendidas à caridade internacional”

O Movimento para a Democracia (MpD, oposição) negou hoje o cenário otimista defendido pelo Governo no debate do estado da nação, defendendo a ideia de que Cabo Verde continua de “mãos estendidas à caridade internacional”.

Discursando no debate parlamentar sobre o estado da nação, o líder do MpD, Carlos Veiga, sublinhou que o país está “cada vez mais vulnerável e dependente do exterior”, seguindo no caminho oposto ao de um Estado cada vez mais autónomo num mundo interdependente.

As “constatações”, prosseguiu, são feitas com base nos resultados das últimas eleições no país – presidenciais de agosto e autárquicas deste mês -, em que os cabo-verdianos “enviaram uma mensagem de descontentamento e deceção em relação ao Governo e ao primeiro-ministro” José Maria Neves.

“A economia cresce a passo de caracol e não de forma acelerada e a dois dígitos, como prometeu o Governo, e os desequilíbrios macroeconómicos atingem níveis insustentáveis, com enormes défices orçamentais, cerca de 10 por cento do PIB, e da conta corrente, cerca de 17 por cento do PIB”, sustentou o líder da oposição.

“Existem dezenas de milhar de desempregados, famílias que vivem em condições miseráveis, uma segurança social que cobre apenas um terço da população e uma profunda penetração do tráfico e consumo de droga e branqueamento de capitais na sociedade cabo-verdiana”, acrescentou Carlos Veiga no “retrato” que fez sobre o país.

O líder da oposição disse que nos sucessivos Governos de José Maria Neves, no poder desde 2001, o desemprego “aumentou significativamente”, havendo mais de 46 mil pessoas sem emprego (Cabo Verde conta com meio milhão de habitantes), o que equivale a uma “taxa real de desemprego” de 21 por cento – a oficial é de 10 por cento.

“Em toda a história do Cabo Verde independente, a última década é aquela em que a taxa de crescimento média anual do emprego líquido foi menor, de 2,3 por cento, contra 3,7 por cento na década de 80 e de 4,7 por cento na década de 90 (altura em que Governou o MpD)”, acrescentou.

Carlos Veiga falou também da “desastrosa política energética”, criticando a prestação da Electra, empresa pública de produção e distribuição de água e energia.

“Apesar dos muitos milhões de contos investidos, a empresa ilustra bem o estado da Nação. Só em 2011, registaram-se 790 horas em apagões. Entrou em falência técnica, com prejuízos acumulados superiores a cinco milhões de contos (45,3 milhões de euros) nos últimos cinco anos e dívidas que ultrapassam 10 milhões de contos (90.6 milhões de euros)”, disse.

Para o ex-primeiro-ministro (1991/2000), os indicadores de confiança na economia estão “em baixa” nos principais setores de atividade económica em Cabo Verde, seja na construção, transportes e turismo, situando-se em terreno “negativo”, com a “única exceção” a registar-se no comércio em feiras.

FONTE: Lusa

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